Dentista é flagrado com Cytotec em Jaú
Texto: Josefa Cunha
A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jaú prendeu na noite de ontem o dentista Edmar Denilson Valério Trofino, 30 anos, flagrado com quatro comprimidos de Cytotec em seu consultório. O remédio, indicado para o tratamento de úlcera e que tem a venda proibida no Brasil, costuma ser usado clandestinamente como abortivo. Trofino foi indiciado por infração do artigo 273 do Código Penal (falsificação, corrupção, adulteração e alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais) aguardará julgamento na Cadeia Pública local, já que o crime pelo qual responde é classificado como hediondo e inafiançável.
Os comprimidos foram encontrados durante um mandado de busca e apreensão solicitado pela titular da DDM de Jaú, Débora Cristina Abdala Nóbrega de Queiroz. Inicialmente, a busca tinha a finalidade de apreender uma fita de vídeo na qual o acusado aparece mantendo relações sexuais com uma ex-namorada. "Nossa intenção era tomar a fita, mas fomos surpreendidos com os comprimidos de Cytotec. Acreditamos que ele tenha oferecido esse remédio a terceiros, assim como já o tinha feito à ex-namorada em certa ocasião", revelou a delegada.
O caso começou a se desenrolar na última terça-feira, quando a ex-namorada de Trofino, cuja identidade é mantida em sigilo pela DDM, procurou a delegacia para registrar um boletim de ocorrência por perturbação da tranqüilidade e ameaça. Segundo a vítima, o acusado vinha lhe chantageando há cerca de cinco meses por conta da fita de vídeo, gravada quando eles ainda estavam juntos. "A vítima contou que certo dia ele revelou o desejo de filmar os dois no momento do ato sexual, mas ela acha que a brincadeira erótica tinha sido apenas uma simulação", reportou Débora.
A ex-namorada, que tem 20 anos, só teria tomado conhecimento do conteúdo da fita depois que rompeu o relacionamento.
"Ela nos disse que terminou o namoro porque o Edmar mantinha outros romances paralelos. Depois do rompimento, ele mostrou o teor da fita e passou a chantageá-la, ameaçando expor a gravação em público se ela não reatasse o namoro ou viesse procurar a polícia. Ela só resolveu contar tudo porque seu atual namorado insistiu para isso", relatou.
Trofino teria feito as ameaças por telefone, ligando, inclusive, para o emprego da ex-namorada. No intuito de comprovar as chantagens, a vítima teria lançado mão do Bina para identificar as origens das chamadas. A delegada disse que, por enquanto, essas possíveis provas estão sendo submetidas à perícia técnica. O atual namorado da vítima, que era amigo pessoal de Trofino, bem como sua família, também teriam sofrido ameaças.