07 de julho de 2026
Geral

Recordações

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Anos dourados e rebeldes

Para a professora Mariza Bianconcini Teixeira Mendes os anos 60

ótimos, apesar da ditadura militar e de toda a agitação.

"A repressão só começou mesmo em 68, 69, antes, era possível viver tudo sem interferências", conta. Na opinião da professora, o período que vai de 1958 até 1964 foi uma época onde várias novidades boas surgiram, "foi a bossa nova, os anos JK, Brasília, foi um período bonito, até a música daquele

época era mais bonita", diz.

Quando se lembra dos costumes, Mariza Mendes destaca as brincadeiras dançantes, que eram uma das formas de diversão mais populares entre os jovens da época, "aliás, não havia tanta coisa para fazer como há hoje, nem todos tinham televisão, não havia computador, só os bailes e o cinema". Os bailes, segundo a professora eram a única oportunidade dos jovens de saírem de casa mais tarde e voltarem de madrugada, por isso eram muito aguardados,

"fora isso, normalmente a gente tinha que estar em casa pontualmente

às 10 horas", conta.

"Foi uma época cheia de sonhos, bem diferente do que

é hoje. Foi mais cheia de perspectiva, uma fase romântica das nossas vidas", diz Fernando Teixeira Mendes. Mesmo assim o arquiteto não diz ter saudade dos anos 60, "é como a história caminha, não podemos ficar lamentando o passar do tempo", explica. Sua esposa concorda: "não digo que foi melhor ou pior do que hoje para ninguém, foi apenas diferente".

O representante comercial Lourival Graça, que nos anos 60 morava em São Paulo, defende um outro ponto de vista. Para ele os anos 60 foram a melhor década deste século.

"Vivi intensamente esse período e me lembro de como a juventude era mais participativa", revela. Para Grassi ser estudante universitário em São Paulo naquela

época foi uma coisa emocionante da qual ele nunca mais vai esquecer. "Naquele tempo havia muita coisa boa, como a música e o Santos do Pelé, mas também tinha a ditadura e nós sempre nos manifestamos contra e lógico que a reação contrária sempre foi violenta, mas mesmo assim a gente incomodava", afirma orgulhoso.

Para a dona de casa Rosa Maria Gonçalves, os anos 60 foram os mais românticos e bonitos de sua vida. "Não só pelo fato de serem a época na qual me casei, mas também pelas roupas, pela música, pelo cinema", conta ela, que diz que até os filmes daquele período eram melhores do que os de hoje, "que só têm cenas de violência e sexo".

Em Bauru

Segundo o historiador Luciano Dias Pires, o final da década de 50 e começo da década de 60 foi um período de muitas transformações também em Bauru, principalmente com o advento das universidades que trouxe os estudantes de fora e colaborou para fazer a cidade dar um salto vertiginoso no seu crescimento, além de mudar o comportamento dos jovens.

"Isso foi um reflexo do que estava acontecendo no Brasil, desde o pós-guerra", diz o historiador. De acordo com Pires, em Bauru isso se mostrou na vinda de várias empresas e indústrias para a cidade e locais que se tornaram ponto de encontro da juventude como as Lojas Americanas, a Drogadada e o Automóvel Clube.

Nessa época, a vinda da televisão também mudou o costume da população que passou a sair menos de casa para fazer as usuais visitas. Os jovens, se divertiam nos cinemas, nos clubes, que promoviam bailes e brincadeiras dançantes,

"não havia barzinhos como hoje. Os jovens namoravam no cinema, iam no "aperitivo dançante", que era um evento com orquestra, organizado no BTC, tinha também o Paulista, que era outro clube", conta.

A influência da Noroeste do Brasil também era muito forte na cidade naquele período, conta Luciano Dias Pires,

"era o terceiro emprego da cidade em importância, depois do Banco do Brasil e do Banco do Estado, tinha 3 mil funcionários, o diretor era uma autoridade local. No dia que saia o pagamento da Noroeste, era uma festa no comércio, que ficava cheio de promoções", lembra. O time do Noroeste também estava no auge, jogando contra as grandes equipes da capital e com apoio maciço da torcida.

O historiador não acredita todo saudosismo que existe em torno dos anos 50 e 60 sejam seja porque essas décadas tenham sido melhores do que outras, "tudo depende da sua idade", diz, "eu que vivi intensamente as décadas de 40 e 50, acho que elas foram muito importantes também, lembro desses períodos com muito carinho".

O vocabulário da época

Algumas gírias usadas pela juventude dos anos 60 e o seu equivalente atual

Beca - Roupa

Bicho - Camarada, colega, cara

Broto, brotinho - Menina, gata

Carango - Automóvel, carro

Chato de galocha - Pessoa irritante, mala

É uma brasa, mora? - É o que há de melhor, é dez!

Estar jóia - Estar bem, tudo bem

Fazer neném - Ter relações sexuais, transar

Footing - Ato de andar por um determinado local para ver

(e ser vista) pelo suposto pretendente, paquerar

Legal - Bom, legal

Não vem de garfo que hoje é dia de sopa - Não incomoda, não enche o saco

Mina - Menina, gata

Pão - Moço bonito, gato

Papo furado - Conversa pouco interessante, conversa mole

Pisante - Sapato

Positivo? - Você está bem? Tudo bem?