08 de julho de 2026
Geral

Country Club

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 3 min

Primeiras audiências do Country serão na sexta

Texto: Adriana Rota

A primeira série de audiências de conciliação entre os associados do Bauru Country Club, representantes do clube e do Grupo Jacomossi, está agendada para a próxima sexta-feira, às 18 horas, na sala de audiências do Fórum. São 23, num total de 45 ações registradas até ontem no Juizado Especial Civil (antigo Pequenas Causas).

O Country continua em estado de depredação total. Para representá-lo nas audiências, teriam sido intimados Gentil Zumiani, destituído do cargo de presidente da diretoria em 15 de dezembro do ano passado (conforme informou) e Carlos Roberto Rodrigues, que teria assumido a presidência do clube nessa época.

Nos inquéritos instaurados no 4.º Distrito Policial, de acordo com o delegado Durvalino Correia, é Zumiani quem tem aparecido como representante legal do clube. Ele ressalta, no entanto, que não tem mais nada com o Country desde que foi destituído. Também não soube informar como seria possível contatar Rodrigues.

Já Edson Jacomossi, presidente do grupo que leva seu nome, disse que será representado por um funcionário nas audiências. Sua intenção é esclarecer na Justiça que não tem responsabilidade sobre a destinação dada ao dinheiro arrecadado com a adesão de novos associados.

"Não sou sócio, não faço parte da diretoria, o que fiz foi uma prestação de serviço, coloquei meu nome para trazer credibilidade, porque estava depredado o empreendimento. Fui lá, reformei parte elétrica, hidráulica, vidros, pintura, piscinas, dentre outras coisas, repassei o dinheiro da reforma, abri o Country, entreguei tudo para eles e vim embora. Não sei o que fizeram com o dinheiro. Fiz e reformei vários empreendimentos, e estão todos funcionando. Mas a diretoria do Country não cuidou, colocando porteiro, vigia, nada, e depredaram de novo", disse.

Ele explicou que o contrato garantia ao Grupo Jacomossi um percentual nas vendas. "Aliás, nesse caso, os sócios entravam com títulos de graça, só pagando a manutenção, tinham direito a freqüentar o Termas de Paraguaçu e desconto de hotelaria". Jacomossi não soube informar quem era o presidente do clube na época, mas que tratava diretamente com Zumiani.

Afirmou, ainda, que foi o Country quem o procurou para que fizesse o lançamento de títulos. Jacomossi teria desconfiado que "entrou numa fria", segundo suas próprias palavras, quando percebeu que a diretoria não conseguia chegar num acordo sobre suas decisões e, agora, estaria sendo pêgo como "bode expiatório".

Seus advogados devem acionar judicialmente até mesmo os associados que o colocaram como "réu", porque ele entende que, como havia uma diretoria, essa deveria arcar com as conseqüências. "Como podem mandar cobrar de mim se não tenho controle de títulos, quem é sócio, quem não é, quem paga e quem não paga?", questionou.

Entenda o caso

Os problemas envolvendo o Country Club são antigos: atos de vandalismo e dívidas ameaçavam provocar o fechamento definitivo do clube. Daí a iniciativa de procurar o Grupo Jacomossi, há cerca de um ano, a fim de reformar o clube e resgatar sua popularidade, começando com uma campanha para arrebanhar novos sócios.

Isso, porque os 600 associados na ocasião, com títulos remidos, contribuíam apenas com as despesas e obras conforme a porcentagem de suas ações, sem pagar mensalidades.

Vários títulos foram negociados após a parceria, mas o clube continuou sendo saqueado e destruído. A partir daí teve início um jogo de empurra, no qual a diretoria responsabilizava o Grupo Jacomossi e vice-versa, enquanto os novos associados buscavam seus direitos na Justiça.

Jacomossi afirmou ao JC, em reportagem publicada no dia 15 de março deste ano, que rescindiu o contrato ainda no ano passado, devido aos constantes desentendimentos com a diretoria, deixando de ter participação na arrecadação das mensalidades e vendas de títulos. Nesse meio tempo, teria havido até um episódio de ameaça a um funcionário do grupo.