Drogaria é roubada; polêmica sobre recebimento de conta reacende
Texto: Adriana Rota
O assalto à mão armada praticado numa drogaria localizada na alameda Flor do Amor, no Parque São Geraldo, na noite de segunda-feira, reacendeu a polêmica sobre a falta de segurança no recebimento de contas por parte de estabelecimentos comerciais desprovidos do aparato de segurança bancário.
A vítima, Douglas Aparecido Nascimento, 34 anos, afirmou estar avaliando a relação custo/benefício de continuar efetuando o serviço, já que recebe apenas R$ 0,05 por conta recebida. O comentário tem ligação maior com o susto do que com o prejuízo na casa dos R$ 2 mil, até porque, a empresa que faz seu elo com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e a Telefonica garante um seguro para situações do gênero.
Essa foi a primeira vez que Nascimento sofreu um assalto no local, no período de 12 anos. Há apenas um mês e meio recebendo o pagamento das contas, ele avalia que, se existe algum lucro, está relacionado à maior movimentação no estabelecimento, que teria poder de atrair clientela.
O assalto foi praticado por uma dupla: um dos homens entrou no estabelecimento por volta das 20h15, ameaçou a vítima com um revólver, provavelmente, calibre 38, pegou o dinheiro do caixa e o que Nascimento tinha no bolso e correu uma distância de 30 metros, aproximadamente, onde subiu na moto em que seu companheiro o aguardava, tomando rumo ignorado em seguida.
O detalhe é que, segundo a PM, esse é um ponto movimentado do bairro, de onde pode-se concluir que os assaltantes não se intimidam em efetivar o crime. Em lugares ermos, o risco pode ser ainda maior. Na opinião do capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da 3.ª Companhia, essa atitude significa que os criminosos estão atentos às falhas de segurança.
"Por obrigação legal, os bancos têm de manter segurança privada. Entendo que, quando o serviço passa para outros estabelecimentos, deve ocorrer a mesma coisa", afirmou, chamando também a atenção para a importância do uso de equipamentos de segurança nesses locais, como câmeras.
O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia, concorda com Venezian, e prevê que a comunidade poderá ter sérios problemas no futuro. "Esse tipo de prestação de serviço pode representar comodidade para o usuário, mas perigo para quem recebe.
É uma falsa impressão de lucro, quando o estabelecimento não tem seguro, sem falar da situação de perigo constante", avaliou.
Serviço está em crescimento
Em Bauru, por enquanto, somente drogarias e casas lotéricas estão autorizadas a receber contas de água, luz, telefone e taxas como IPVA e IPTU, embora a resolução 2.707 do Conselho Monetário nacional (CMN), de março deste ano, autorize convênios com supermercados, postos de combustíveis, dentre outros estabelecimentos.
No caso da Caixa Econômica Federal (CEF), desde maio podem ser feitos depósitos em poupança e conta corrente em lotéricas e, a partir do próximo dia 12, será possível fazer descontos de até R$ 100,00 no Cheque Azul (especial). Outro serviço disponível é o pagamento da prestação da casa própria.
No segundo semestre, o pagamento de aposentadorias do INSS, abonos e rendimentos do PIS, recolhimento de FGTS e a abertura e movimentação de conta corrente e poupança podem ser iniciados. Em localidades onde não existem agências da CEF, as lotéricas já fazem abertura de contas e recebimentos de pequenos depósitos.
O atrativo para as empresas de serviços públicos
é que a tarifa cobrada por esses estabelecimentos é inferior à da rede bancária. Para a CEF, de acordo com sua assessoria de imprensa, a vantagem está na comodidade proporcionada aos clientes. Além disso, os funcionários também teriam mais possibilidade de cuidar de outros assuntos dentro das agências.
Sindicatos protestam
O Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio de Bauru e Região (Seaac) e o Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região vêm demonstrando descontentamento com a transferência de serviços da rede bancária para outros estabelecimentos.
O Seaac reclama providências que garantam a integridade dos funcionários das lotéricas, já que a quantidade de dinheiro em caixa e a falta de aparato de segurança apropriado os submete a um risco proporcionalmente maior. Outro ponto é referente ao salário, porque essas pessoas estariam recebendo menos para executar um serviço semelhante ao dos bancários, sem contar o acúmulo de atividades.
Quanto ao Sindicato dos Bancários, ele acionou a Subdelegacia do Ministério do Trabalho de Bauru para que seja verificado um possível desvirtuamento da atividade das lotéricas. De acordo com o subdelegado-adjunto, Silvio Carlos de Lima Pereira, os documentos estão sendo juntados para posterior encaminhamento para a Procuradoria da República, que deve analisar o caso.
Em reportagem publicada no dia 8 de maio, no entanto, o advogado da categoria, Sérgio L. Ribeiro, salientou que as ações da CEF e a caracterização dos serviços serão questionadas mesmo que o Ministério Público não ajuíze uma ação civil pública. "É uma questão de princípio, que as atividades bancárias sejam realizadas por bancários", comentou na ocasião.