08 de julho de 2026
Geral

Tentativa de homicídio

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Silêncio esconde violência no Fortunato

Texto: Ieda Rodrigues

A violência e a lei do silêncio dos morros cariocas voltaram a imperar no Núcleo Fortunato Rocha Lima, o Desfavelamento. Ontem à tarde, dois moradores do bairro foram baleados por homens que, segundo apurou a Polícia Militar, formam um grupo forte de tráfico de drogas, além de praticar roubos na cidade. O suposto motivo para as tentativas de homicídio seria intimidar ou expulsar uma das vítimas, José Carlos de Lima, idade não divulgada, que seria um líder comunitário e estaria "lutando contra os traficantes", de acordo com informações anônimas recebidas pela polícia.

José Carlos foi atingido por dois disparos - um no abdome e outro na perna direita - e foi internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base. A outra vítima, o também morador do bairro, Donizete Conceição dos Santos (idade não divulgada), levou um tiro de raspão na perna direita, foi atendido no Pronto-Socorro Central e passa bem.

Santos reconheceu Cleber Luís Gonçalves, 24 anos, detido pela Polícia Militar no Fortunato Rocha Lima logo após as tentativas de homicídio, como um dos integrantes do grupo que atirou contra ele e José Carlos. Até o início da noite, a polícia não sabia precisar quantos disparos foram efetuados contra as duas vítimas, mas acredita que foram mais de dez.

A reportagem do JC comprovou a lei do silêncio no bairro. Esteve na rua onde José Carlos e Donizete foram baleados, pediu informações sobre o caso para mais de dez pessoas, mas todas disseram que "não viram nada e não sabiam de nada". O tiroteio ocorreu na rua 13, próximo à casa de Donizete.

De acordo com informações colhidas pela Polícia Militar, Donizete e José Carlos estavam conversando na rua quando vários homens, que seriam liderados por uma pessoa conhecida por "Bola", que seria traficante morador no bairro, se aproximaram. O grupo - que teria entre seis e oito integrantes - teria passado a atirar contra José Carlos e Donizete. José Carlos, que seria o alvo principal dos grupo, tentando fugir dos tiros, teria entrado no quintal da casa de Donizete.

Mesmo assim, ele foi atingido por dois disparos. Quando a Polícia Militar chegou ao local, José Carlos e Donizete já haviam sido levados ao pronto-socorro por populares. No entanto, a equipe do sargento Cabrera, cabo Godoy e soldado Firmino, da Base Comunitária Centro, com a ajuda dos soldados Fontes e Clebersom, da Base Comunitária Noroeste, avistaram Cleber Luís Gonçalves em atitude suspeita.

Conforme contou o sargento Cabrera, comandante da Base Centro, Gonçalves tentou fugir do local ao perceber a presença da polícia. Ele foi levado à delegacia, onde foi reconhecido por Donizete como um dos integrantes do grupo que efetuou os disparos. Gonçalves foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio.

Tentativa de expulsão

O objetivo do grupo que efetuou os disparos contra José Carlos e Donizete seria intimidar ou expulsar esse último do bairro. A vítima, que seria líder comunitário, estaria fazendo um abaixo-assinado para pedir à polícia uma ação mais efetiva no combate ao tráfico de drogas no Fortunato Rocha Lima.

O capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da 3.ª Cia da Polícia Militar, disse que há informações de que "Bola", o rapaz lideraria o grupo e tem passagens na polícia por tráfico, já teria expulsado moradores do Fortunato mediante pressão para ficar com as casas. Essas casas seriam utilizadas para esconder drogas, produto de furto ou roubo e para reunião do grupo.