07 de julho de 2026
Geral

Falta de chuva

Redação
| Tempo de leitura: 7 min

Estiagem prejudica produção

A estiagem prolongada que está sendo registrada na região Centro-Sul do Brasil já está provocando perdas na produção de trigo, de cana-de-açúcar e laranja, entre outras. São Paulo deverá registrar o maior período de seca em 25 anos.

De acordo com o chefe da Divisão de Meteorologia Aplicada do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Expedito Roland Rebello, o fenômeno da seca é tão intenso que as massas polares sequer ultrapassam o Rio Grande do Sul.

"Devido a esse fato, São Paulo viverá um período crítico de seca", explica. O Inmet já detectou que em algumas áreas isoladas do interior do Estado não chove há mais de 100 dias e, segundo Rebello, a tendência de estiagem recrudescer ainda mais.

Em outras áreas, a seca já dura 70 dias. Ele explica também que o déficit pluviométrico comprometerá o abastecimento de água na maioria das cidades paulistas.

Além de São Paulo, a seca também já atinge com forte intensidade o Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Brasília. No Sul, as lavouras de trigo serão afetadas e no norte de Santa Catarina também não chove há mais de 100 dias. A situação já está preocupando o governo. Na semana passada, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República convocou técnicos do Inmet para explicar o problema e as conseqüências da seca no Brasil e requisitar uma análise mais completa sobre o assunto para montar um plano nas áreas atingidas.

A seca na região da Alta Mogiana, que pode elevar a quebra na safra da cana-de-açúcar este ano está sendo superfaturada pelos traders no mercado internacional de açúcar, disseram usineiros e consultores de mercado na região. A região já contabilizava uma quebra entre 12% e 15%. Segundo César Frossard, da Crystal Serv, a informação foi usada como especulação para puxar os preço numa semana em que deveria realmente haver maior procura. E conseguiu. O açúcar subiu em média US$ 15 por toneada em Nova York desde a última Sexta e US$ 16 em

Londres no mesmo período.

A seca prolongada que atingiu a Alta Mogiana está antecipando também as vendas de sementes de milho para a safra de verão, informou o gerente de contas e vendas da DowScience, José Roberto Takahashi. "A falta de milho no mercado, que realmente deve fazer com que o Brasil importe cerca de quatro milhões de toneladas

de milho este ano, está animando o produtor para uma boa rentabilidade no verão", analisou Takahashi. Ele acredita que a área de soja na próxima safra de verão deverá diminuir "consideravelmente".

A queda de temperatura, aliada ao período de estiagem, já começa também a prejudicar a produção de verduras e legumes no Cinturão Verde de São Paulo e, consequentemente, o abastecimento da região metropolitana de São Paulo. De acordo com a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), uma geada ocorrida nas regiões de Mogi das Cruzes e Campinas (SP), na madrugada da última segunda-feira, provocou a perda de aproximadamente 30% do carregamento de verduras destinado à companhia. O impacto nos preços foi imediato. "Com as perdas, os preços da alface crespa, no atacado, e da escarola, subiram 40%; o espinafre teve alta de 33%, enquanto a alface lisa teve reajuste de 20%", explica Flávio Luís Godas, chefe do Departamento de Economia da Ceagesp. Além disso, a queda brusca de temperatura na região de Ribeirão Branco (SP), já está comprometendo a produção de vagem e abobrinha. (AE)

Café: entre a estiagem e a retenção

O plano de retenção de café no Brasil começou a sair no papel no dia 1º deste mês, um dia após as cotações terem caído 7% em Nova York. A queda ocorreu justamente porque o mercado achava que o Brasil estava demorando para definir as regras da retenção, principalmente em relação aos registros de exportação de café para embarque em junho. O anúncio feito pelo governo brasileiro acalmou o mercado internacional. As cotações em Nova York fecharam em alta na quinta e sexta-feiras seguintes, mas ainda assim sem recuperar as fortes perdas do dia 31 de maio.

O plano de retenção faz parte do acordo de reordenamento da oferta de café, firmado no âmbito da Associação dos Países Produtores de Café (APPC), contando com a participação de países não-membros, como o México e Indonésia. O objetivo do acordo

é recuperar os preços do café no mercado internacional. O Brasil foi o primeiro a implantar a retenção. Nos demais países a retenção está prevista para outubro, quando estes iniciam a colheita de café.

O programa de retenção anunciado pelo governo contempla os cafés exportáveis arábica tipo 6 (ou acima) e o café Conillon tipo 8. O café retido será armazenado em 13 armazéns que serão destinados a este fim. Desses estabelecimentos, três estão localizados em São Paulo, três no Paraná, dois no Espírito Santo, quatro em Minas Gerais.

No mercado físico, o preço do café tipo 6 que estava a R$ 180/saca no dia 26/maio recuou para R$ 168/saca no dia 31 e na sexta-feira (2/junho) foi cotado a R$ 175/saca. Os novos fatores que passam a fazer parte dos fundamentos que orientam o mercado são altistas. O principal é o frio nas regiões produtoras de café, que traz consigo o risco de geadas. Outro aspecto que ainda não foi bem

avaliado pelo mercado é a estiagem prolongada. O próprio governo adiou o anúncio da previsão de safra de café, anteriormente previsto para a semana passada.

O México pode reduzir suas exportações de café em cerca de 500 mil sacas de 60 quilos para colaborar com plano de retenção das exportações do produto que está sendo planejado pela Associação dos Países Produtores de Café (APPC). Este volume representa cerca de 10% das exportações totais do país, previstas entre 4,5 milhões e 5 milhões de sacas na safra 1999/2000. A afirmação é do ministro da Agricultura do país, Jose Antonio Mendoza. Numa palestra destinada aos membros da Confederação Mexicana de Produtores de Café , o ministro afirmou que parte desse volume poderia ser absorvido pelo mercado interno.

Mendoza se reunirá ainda este mês com produtores e instituições financeiras para definir como será o financiamento dos estoques.

Agenda rural

O Sindicato Rural de Bauru, juntamente com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), realizam na próxima semana um curso sobre operação e manutenção de máquinas agrícolas. O curso é dirigido para os produtores e trabalhadores rurais da região, interessados em conhecer os maquinários agrícolas. As aulas serão ministradas pelo instrutor Hermes Souza dos Anjos, no Recinto Mello Moraes, de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. O curso é gratuito e inclui material didático e refeições. Inscrições podem ser feitas pelo telefone: 234-2938/234-3117.

Agendinha

Agronegócios

A região de Bauru realiza, nos próximos dias 16, 17 e 18, o I Seminário de Administração Rural e Agronegócios, promovido pela Associação dos Administradores de Empresa de Avaré e Região juntamente com a Unip-Bauru. Além dos representantes rurais locais, também devem comparecer o presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e da Federação dos Trabalhadores Agrícolas do Estado de São Paulo, além do Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado. Inscrições podem ser feitas através da troca de um agasalho ou de um quilo de alimento não-perecível.

Aspaco

A Aspaco realiza, entre os 13 e 18, a II Exposição Agropecuária de São Manuel, onde será realizado o leilão de Ovinos e será inaugurado o Entreposto de Carne Ovina. O Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo. Informações pelo telefone: (14) 6841-2597 ou 6841-5330.

Dia de negócios

Hoje, a partir das 8h30, será realizado o "Dia de Negócios" em Bauru, no Recinto Mello Moraes. Na oportunidade, várias empresas vão apresentar as mais recentes tecnologias em máquinas e implementos agrícolas. O Banespa estará presente para oferecer as linhas de financiamento para a aquisição de maquinário.

Região debate desenvolvimento rural

Os representantes rurais das cidades da região de Bauru devem se encontrar, na próxima segunda-feira, para discutir o desenvolvimento rural. São prefeitos, representantes dos conselhos e associações municipais, além de sindicatos patronais e de trabalhadores rurais, que devem estabelecer as metas para o planejamento agropecuário da região.

Esta é a primeira reunião do conselho, recentemente formado. Os temas que devem ocupar o primeiro debate são os programas "Pró-Estrada", o "Pontes Metálicas" e o "Microbacias", todos eles para serem desenvolvidos na região de Bauru.

O encontro será realizado na antiga churrascaria H2, no bairro Higienópolis e deve agrupar vários representantes do setor agrocupecuário.