Dividido, PSDB quer Edmundo vice
Texto: Nélson Gonçalves
Em uma reunião que teve momentos de tensão, os tucanos escolheram o vereador Edmundo Albuquerque para a chapa com Pedro Tobias
O PSDB de Bauru teve mais uma reunião difícil ontem. Depois das divergências envolvendo a escolha do partido para a coligação, os tucanos se reuniram ontem pela manhã para definir a indicação do candidato a vice-prefeito, na chapa com o deputado estadual Pedro Tobias
(PDT). Na prática, quem acompanhou o encontro de ontem viu que foi menos doloroso escolher o partido para a aliança que o próprio nome tucano para compor a chapa como candidato a vice-prefeito. No final, a divisão de opções refletiu o resultado, que teve o nome do vereador Edmundo Albuquerque como o candidato a candidato a vice-prefeito.
O resultado da votação demonstra as divergências internas. Edmundo Albuquerque teve 16 votos, de um total de 39 possíveis do diretório municipal, contra 12 do também vereador Antonio Carlos Garmes. José Eugênio Chibebe obteve apenas um voto. Por outro lado, o número de votos brancos e nulos somou 10, evidenciando que um subgrupo do PSDB local pretendia que o partido participasse da coligação com o PDT sem indicar o nome do vice na chapa.
Isso ficou claramente demonstrado quando tucanos como Carlos Ladeira e Sérgio Fleury defenderam a apreciação da indicação do vice por outro partido, naturalmente o PTB. Até o nome do parceiro na possível aliança foi colocado. Trata-se do ex-tucano Ricardo Carrijo. A sugestão causou revolta nos tucanos que não abrem mão da indicação do vice, bem como daqueles que defenderam a aliança com o PSB de Tuga Angerami.
Entre uma troca de insulto e outra acusação de traição, os tucanos acabaram confirmando que a definição da coligação está sendo acompanhada de perto pela direção estadual. Na verdade, o PSDB de Bauru confirmou que o comando estadual deu a cartada final na opção pela coligação com Pedro Tobias. Diante da divisão entre Tuga e Tobias, foi fundamental a participação de líderes estaduais do PSDB para que Tobias tivesse seu nome escolhido.
Os tucanos acabaram mencionando, por si só, no calor da reunião de ontem, que ocorreram pressões, inclusive de ameaça de perda de cargos no Governo do Estado para quem não se alinhasse com a linha de negociações. Outra informação lançada na reunião
é que o PDT chegou a acenar com a garantia de secretarias municipais para os tucanos em troca da aprovação do vice do PTB.
Da mesma forma, foi afirmado ontem que o presidente estadual do partido, deputado Edson Aparecido, em reunião com tucanos como Rubens Spíndola, Carlos Ladeira e Edmundo Albuquerque, chegou a mencionar que o PSDB de Bauru deve até abrir mão da indicação do vice em favor de Ricardo Carrijo, pelo PTB. A situação local, entretanto, é nada confortável. O grupo que apoiava Tuga Angerami viu neste episódio uma possibilidade de ampliar o impasse e tem aproveitado para colocar lenha na fogueira.
Diante do impasse, Carlos Ladeira afirmou que o comando local deveria ter colocado em discussão a renúncia da indicação do candidato a vice-prefeito em favor do PTB. Sem ter sido ouvido, Ladeira garantiu que vai entrar com recurso junto ao comando estadual. Ele menciona que o artigo 103 do estatuto tucano dispõe que todas as deliberações devem ser colocadas para o diretório municipal.
A indicação do candidato a vice-prefeito pelo PSDB está sendo o pano de fundo para alimentar as diferenças internas. Assim, fica evidente que o problema maior nem é a indicação do vice, mas a valorização de um posto ao ponto de ser transformado, neste momento, até mais importante que o próprio candidato a prefeito. Tudo em nome de outros interesses que, evidentemente, não significam um produto político-partidário que ofereça uma proposta para Bauru. Até agora não se falou em programas, só no R.G. dos possíveis parceiros. Se não fosse assim, a identificação do vice não seria tão complicada.
Os tucanos ainda vivem o dilema da revoada partidária, ocorrida nos últimos meses. Sem poder de consenso, o partido alimenta diferenças apoiadas em nomes que hoje estão em outros partidos, mas que mantinham o PSDB do passado. Ontem, alguns tucanos disseram que a divergência faz parte da democracia. Porém, outros colegas já trataram de emendar que, neste momento, as diferenças não são por proposituras, mas por identidades e que, desta forma, a democracia está fugindo ao controle do bom senso.
Até mesmo o PDT está perdendo a paciência política, indicando que a intransigência na escolha do vice coloca um sério obstáculo na aliança. O assunto terá que ser digerido nos próximos dias. E a única saída talvez seja convencer os tucanos que o nome do vice na chapa não é mais importante que o futuro da coligação, nem tão pouco representa uma questão de honra para a legenda.
O próprio escolhido para o posto reconhece essa situação. Edmundo Albuquerque disse que tem a missão de aparar as arestas para que a aliança seja concretizada. O vereador diz que, antes da indicação do vice, o PSDB escolheu
"Pedro Tobias como o melhor candidato a prefeito na eleição deste ano". O tempo político indica, agora, que tucanos, pedetistas e petebistas têm não mais que três semanas para resolver a situação.