Unesp volta às aulas na segunda-feira
Texto: Ieda Rodrigues
Professores, funcionários e alunos do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em assembléia realizada ontem pela manhã, acataram o indicativo do Fórum das Seis (entidade que reúne sindicatos de professores e funcionários da Unesp, USP e Unicamp) e decidiram encerrar a greve iniciada no dia 26 de abril. Portanto, às aulas serão retomadas na segunda-feira.
No entanto, o Comando de Greve deixa claro que o movimento poderá ser retomado caso os dias parados sejam descontados dos salários ou se o acordo para implantação de uma política salarial, programada para outubro, não seja cumprido. A categoria reivindicava 32% de reajuste salarial e conseguiu 15%. Foram tirados vários indicativos na assembléia de ontem. Um deles é com relação à reposição das aulas não dadas durante os 50 dias de greve.
Na próxima semana, o Comando de Greve e a Comissão de Ética devem reunir-se com os diretores das três faculdades do câmpus de Bauru para discutir a reposição. O indicativo da assembléia é de prorrogar o primeiro semestre até que todo o conteúdo didático programado seja desenvolvido.
A previsão de Norival Aguinelli, presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), é que o primeiro semestre seja encerrado entre os dias 20 e 25 de agosto. A proposta prevê recesso de cerca de 15 dias, para matrículas dos alunos e eventuais férias dos professores que ainda não tiraram férias neste ano.
Pela proposta, o segundo semestre se iniciaria no final de setembro e se estenderia até 15 de janeiro. Outra decisão tomada na assembléia de ontem foi a continuidade das reuniões do Comando de Greve e da Comissão de Ética, para garantir a reposição integral de todos os serviços que foram paralisados.
No entanto, a assembléia deliberou que devem ser repostos os serviços, não as horas não trabalhadas durante a greve. Ainda na assembléia de ontem, professores, funcionários e alunos decidiram pela elaboração de uma moção de apoio ao Fórum das Seis, em reconhecimento da atuação da entidade na negociação salarial. Outro indicativo foi a criação de um monumento no câmpus de Bauru como marco da greve e em defesa da universidade pública e contra o neoliberalismo.
Apeoesp
Duílio Duka de Souza, diretor e coordenador da Apeoesp
(sindicato dos professores da rede oficial do Estado de São Paulo), disse que a posição da entidade não muda frente à liminar concendida pelo juiz da Vara da Infância e Juventude de Pinheiros, em São Paulo, que dá 15 dias para a Apeoesp e o Estado tomarem providências para repor as aulas não dadas durante a greve da categoria.
Ele ressaltou que os professores são contratados pelo Estado, que tem que fazer o pagamento dos salários. Caso haja desconto dos dias parados, a categoria volta à greve novamente, interrompendo a reposição das aulas, de acordo com Duka.