07 de julho de 2026
Geral

Demissão

Por Fabiana Teófilo | Fábio Grel
| Tempo de leitura: 2 min

Fábrica de palitos fecha e demite 55

Texto: Fabiana Teófilo / Fábio Grellet

Sindicalista acusa Caredam-Gina de tentar adiar pagamento de verbas rescisórias, parcelando os valores em 8 vezes

A fábrica de palitos Caredam, que funcionava no distrito industrial de Agudos, foi desativada no último dia 7 de junho, quando 55 funcionários do setor de produção foram demitidos. A indústria atuava em Agudos há mais de 12 anos e há aproximadamente três foi comprada pela empresa Gina, outra fabricante de palitos.

Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, Cláudio da Silva Gomes, representantes da Caredam teriam proposto aos trabalhadores dispensados um acordo para parcelar as verbas rescisórias em oito vezes, incluindo a multa de 40%, referente ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço

(FGTS).

Gomes explicou que essa proposta não pode ser implementada

- seria ilegal, já que essa multa não pode ser paga, pela empresa, diretamente aos trabalhadores. O correto, segundo o sindicalista, é que ela seja depositada pela Caixa Econômica Federal (CEF). Gomes acusou a empresa de cometer, ainda, outra irregularidade: disse que a Caredam teria pedido aos funcionários para que entrassem com ações na Justiça do Trabalho, onde seria homologado o acordo firmado: "Essa é uma forma ilegal de se utilizar da Justiça do Trabalho", afirmou.

Gomes explicou que, quando há um acordo entre empregador e empregado, quem deve homologar esse acordo deve ser o respectivo sindicato ou o Ministério do Trabalho. "A Justiça do Trabalho só é acionada quando as partes, por algum motivo, não se entenderam", disse.

Gomes suspeita que, com essa atitude, a empresa pretende protelar o pagamento das verbas rescisórias: "A empresa impõe, como condição para homologar o acordo, que seja provocada a Justiça. Isso só vai fazer com que esse pagamento demore para sair, porque, mesmo sendo um acordo, demoraria, pelo menos, 30 dias", explicou.

Gomes disse, ainda, que a empresa se recusou a realizar a homologação através do sindicato e não informou o motivo para a recusa. Ele explicou que o sindicato vai impetrar uma reclamação trabalhista, com a intenção de dar aos trabalhadores o que, segundo ele, é de direito. "A ação contra a empresa deverá estar na Justiça no começo da próxima semana", afirmou.

Gomes acredita que o juiz vai atender a reivindicação dos trabalhadores. "A empresa pertence a um grupo econômico muito forte, que possui diversas fábricas e um patrimônio muito grande. Portanto, tranqüilamente os ex-funcionários receberão seus direitos", disse.

Caredam

Na indústria Caredam, segundo o porteiro Vilela, que atendeu a ligação da reportagem do Jornal da Cidade, não havia ninguém autorizado a comentar as acusações formuladas pelo presidente do Sindicato da Construção Civil de Agudos. Uma pessoa chamada Geraldo, que seria indicado para se pronunciar em nome da empresa, não estava lá.