08 de julho de 2026
Geral

Taxa de juros

Redaçào
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Mudança na Selic divide opiniões

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic (Sistema Eletrônico de Liquidação e Custódia) em um ponto percentual, de 18,5% ao ano para 17,5% ao ano, com viés de baixa, é vista com empolgação por alguns e reservas por outros, que criticam o momento em que se decidiu pela redução.

O economista e delegado de Bauru do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, se disse surpreendido pela queda. Porém, classificou a surpresa como positiva. Para ele, a equipe econômica sai de uma posição extremamente conservadora para uma de maior agressividade. Cafeo diz que o Copom quis sinalizar que a inflação está sob controle e que as metas firmadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estão sendo superadas e que está ocorrendo uma estabilização do câmbio, em R$ 1,80. "Se tem controle sobre as variáveis econômicas, não tem porque deixar a economia amarrada, o que, de certa forma, vai de encontro à expectativa que o mercado tem, de um crescimento mais acentuado no segundo semestre", afirmou.

Para o delegado do Corecon, deve-se entender que não é a taxa em si que tem grande significado, pois ainda é alta, mas sim a sinalização. Ele diz que a queda na Selic abre espaço para uma redução nos juros na ponta.

Cafeo diz que, agora a expectativa fica por conta da vontade dos bancos em ampliarem o base de empréstimos, e com ela, a oferta de crédito, e, naturalmente, auxiliar para que os juros ao tomador, efetivamente caia. "O Copom, desta vez acertou. Esperamos que o setor externo não coloque lenha na fogueira, mesmo sendo mês de festa junina", afirma.

Por outro lado, o professor-chefe do Departamento de Economia, da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Wagner Ismanhoto, critica o momento em que o Copom decidiu pela redução dos juros. Para ele, o órgão foi movido por um componente político e que a baixa foi demagógica, pois a situação do Brasil não é tão confortável, apesar do País estar recebendo um bom nível de investimentos externos.

Ismanhoto ressalta que a política adotada pelos Estados Unidos, de aumentar a taxa de juros, acaba transformando aquele país num concorrente do Brasil para recebimento de investimentos.

O professor disse não acreditar que a redução da Selic possa ter um reflexo em termos de aquecimento do mercado interno brasileiro, uma vez que a queda não vai refletir nos juros cobrados do consumidor final. Pelo menos, não na mesma intensidade. Assim, não deverá ter um incremento no consumo interno. "Para investimentos externo, isso não soa bem, desmotiva um pouco. Vejo mais como uma ação política e meio fora de propósito", afirmou.

Ismanhoto disse que o posicionamento do Copom pode ter um efeito colateral: o resto do mundo olhar a redução de juros com certa restrição e acabar canalizando investimentos para os Estados Unidos, caso aquele país continue com uma política de aumento de juros e, apesar de não ter uma rentabilidade tão alta, tem uma taxa de risco baixíssima.

O economista e professor universitário Said Yusuf Abu Lawi classifica a redução da Selic como positiva. Para ele, essa queda deveria ter ocorrido a mais tempo.

Para ele, se levado em conta o cenário internacional, o momento não seria para uma redução na taxa básica de juros, já que os Estados Unidos estão aumentando sua taxa de juros e o petróleo está com tendência de alta.

Porém, do ponto de vista de querer estimular o consumo interno para combater o desemprego, Said Yusuf defende que a queda poderia ter sido até maior, pois a taxa de juros elevada dificulta o reaquecimento da economia. "É uma faca de dois gumes. Se baixa aqui (Selic) pode ter problemas com a balança de pagamentos, que já não está em boa situação, pois já existe a previsão de um elevado déficit em conta corrente, pois as exportações não reagem. Por outro lado, se mantém a taxa de juros alta, inibe o consumo e, consequentemente, a produção de bens e serviços, ou seja a economia não cresce", afirmou.

Para Said Yusuf, diante do agravamento do quadro social e do clamor da população em relação ao emprego, o governo está sendo obrigado a adotar medidas para acalmar a situação interna, apesar de ir contra o cenário internacional. Porém, ele não acredita numa fuga de capitais.