07 de julho de 2026
Geral

Fobias

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Animais também despertam medo doentio

Texto: Sabrina Magalhães

A terapia cognitiva-comportamental é uma das mais eficientes no tratamento das fobias. Pode ser associada a medicamentos

Os animais também podem ser agentes causadores de fobia, neste caso, da zoofobia. Por sua natureza, seus dentes, veneno e garras já causam um certo medo em todo mundo. Para alguns, no entanto, os animais despertam verdadeiro pavor.

É o caso da entomofobia, o medo de insetos, um dos mais comuns. E não é só entre as mulheres - homens também podem apresentar tais fobias, tornando a situação ainda pior, porque, além do mal-estar, o fóbico tem que enfrentar as piadas e gozações dos outros.

De todos os insetos, evidentemente, a barata é a que causa mais pânico. Atrás dela vêm as abelhas, marimbondos e besouros, seja pelo barulho ou pelo ameaçador ferrão. Mas uma simples borboleta ou mosca voando dentro do carro de um fóbico pode ser suficiente para levar uma pessoa a sofrer um acidente, por exemplo, tamanho pavor que desencadeia.

A aracnofobia já deu título a um filme, em que uma cidade era invadida por uma espécie de aranha venenosa. Na vida real, o desespero pode ser causado por uma única aranhinha caseira.

O medo dos répteis (herpetofobia) também é comum. Mas se jacarés e lagartos amedrontam, o que se dirá das cobras? É a ofidofobia que, da mesma forma como na hidrofobia, pode causar uma crise de pânico só pela imagem emitida pela televisão.

No caso dos animais de grande porte, a eqüinofobia (medo de cavalos) também aparece com certa freqüência. Mas os grandes vilões são mesmo os gatos (felinofobia) e os cães (cinofobia).

Evitação

De acordo com o psiquiatra Wilson Siqueira, é perfeitamente possível conviver com algumas fobias. É o caso, por exemplo, das pessoas que têm fobia por pássaros. Na cidade, dificilmente ela vai ter contato com aves. "A pessoa tenta se defender da fobia fugindo. Então, ela vai passar a vida evitando as lojas de animais, vai mudar de calçada quando vir uma dessas lojas, mas, fora isso, não vai ter problemas", comenta Siqueira.

O mesmo pode-se se dizer de muitas outras fobias. No entanto, a psicóloga Sílvia Pessoa ressalta que, com o tempo, conforme o indivíduo foge do agente causador do medo, a doença pode ir ganhando proporções maiores e o que era um medinho de pássaros, pode se transformar em fobia social. "Então, a indicação

é que, a partir do momento em que o medo fica autônomo, quando é ele quem controla você, quando ele vem sem pedir licença, você deve procurar ajuda, porque ele já vai estar limitando sua vida, impedindo que você freqüente lugares que quer freqüentar, ou situações que você gostaria de vivenciar. Quando atrapalha sua vida, impede seu desenvolvimento ou evolução, é porque a fobia já tomou conta."

Na opinião da psicóloga, as pessoas fóbicas até conseguem conviver com o problema, mas vivem mal e de maneira muito parcial. "E isso não vale a pena. Quando ele procura o tratamento, já num ato de coragem, ele está se dando um presente, que é sentir-se capaz de lidar com a fobia."

Tratamento

Segundo os especialistas entrevistados, a melhor terapia para o tratamento das fobias é a terapia cognitivo-comportamental, em que é feito um trabalho de dessensibilização do paciente. "Conforme vai ganhando confiança, a pessoa começa a vivenciar situações geradoras de fobia ou pânico. Ao invés de fugir, ela começa a ir de encontro a elas, tentando administrá-las", comenta Siqueira.

Ele defende, no entanto, que, paralelamente à terapia, o paciente receba medicamentos antidepressivos. "Muitas vezes, só a psicoterapia pode resolver o problema. Mas se nós temos o recurso do medicamento, se a Ciência já desenvolveu o medicamento para a pessoa sofrer menos, por que não usar?"

Ele explica que, apesar da fobia ser um distúrbio de ansiedade, só os antidepressivos conseguem devolver o equilíbrio

à química cerebral (neurotransmissores citados na página 1). "E a partir do momento em que ele está medicado, ele consegue um controle racional sobre o medo e pode vivenciar situações de medo com mais facilidade. Assim, vai ganhando autoconfiança e vencendo a fobia."

Siqueira salienta que o tratamento medicamentoso costuma assustar as pessoas. Mas ele destaca que o medo da dependência ao remédio só se justifica quando a droga usada é calmante. "Só eles podem causar dependência. Os antidepressivos não. A gente usa por seis meses, ou mais. E suspende quando o paciente está bem. O que pode acontecer é a gente suspender o remédio antes da hora e a pessoa voltar a ter a fobia. Nesse caso é porque ainda não houve reabilitação completa. Então, a gente retoma o medicamento e mantém a terapia por mais algum tempo."