07 de julho de 2026
Geral

Fobias

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Quando o medo é irracional e paralisante

Texto: Sabrina Magalhães

"Todo mundo tem medo de baratas. Mas você pega uma vassoura e mata (nem que, para isso, tenha que subir numa cadeira). Fobia é você ficar gritando e não fazer nada"

Fobia é o nome que se dá a um tipo de medo muito intenso e incontrolável a algum fator - seja ele uma situação, lugar, fenômeno ou objeto. É um medo tão desesperador e irracional, que leva o indivíduo a apresentar os mais diversos sintomas físicos e comportamentais, como taquicardia, sudorese, tremor, ruborização, crise de choro, vômito, diarréia, dor de cabeça, sensação de desmaio e até convulsão. Um pavor tão intenso, que faz rir quem está por perto. Um erro, pois, por mais estranho que pareça, o sofrimento do fóbico

é bem real.

O grande problema é que a fobia é desencadeada por fatores que causam medo em qualquer pessoa, o que torna o diagnóstico muito complicado. Afinal, quem não tem medo de viajar de avião? Quem não tem medo de baratas? E quem não tem medo de cair de lugares altos? A diferença é que, para o fóbico, o medo é "maior" e incontrolável. Ele se desespera ao ponto de, simplesmente, não saber o que fazer ou para onde ir, ficando, de certa forma, paralisado diante do agente causador de medo.

"Mas é diferente da chamada doença do pânico, quando a pessoa sente tudo isso, só que sem uma causa externa", explica o psiquiatra Wilson Siqueira. "Do nada, de repente, ela tem a sensação de que algo terrível está para acontecer e que ela não vai poder controlar. Ela sente que vai morrer, ou entrar em surto, ou enlouquecer. Com isso, ela fica completamente desorientada e transtornada, só que sem nenhum fator causal. Na fobia não. A fobia é um medo doentio de alguma coisa. Diante desse fator externo é que se inicia a crise."

Segundo ele, a fobia pertence à classe das doenças chamadas distúrbios de ansiedade. Em contato com o agente causador de medo, a pessoa perde o controle sobre as próprias emoções, prevalecendo o sentimento de ansiedade, que manifesta-se em picos e resulta em sintomas físicos, todos correspondentes à descarga de adrenalina.

Intensidade

A diferença entre medo e fobia está na intensidade da sensação de terror, sendo a fobia uma ansiedade patológica, um medo doentio. "É quando o medo fica tão forte, que fica autônomo, não pede licença para você. Ele te controla", observa a psicóloga Maria Sílvia Costa Pessoa.

Um exemplo simples seria o medo de baratas, que acomete a grande maioria das pessoas: depois do susto de ver o nojento inseto, o normal é que as pessoas peguem um inseticida, uma vassoura ou chinelo e matem a "intrusa", nem que, para isso, elas subam em mesas e cadeiras. Afinal, a idéia de que a barata pode passar sobre seu pé é aterrorizante. Mas o que seria a fobia? "Fobia seria você ficar gritando desesperadamente e não fazer nada."

A psicóloga ressalta que sentir medo é uma característica de todas as pessoas, mas elas reagem a isso. "Imagine um morcego passando pela sua cabeça: é horrível, mas você vai ter uma reação, vai abaixar, bater nele com a mão. O fóbico não." Ele realmente perde o controle sobre si mesmo e tem a sensação de que o morcego vai dominá-lo, sufocá-lo, matá-lo. Ele é incapaz de perceber que ele pode fugir ou matar o animal.

Causas

Todas as pessoas que sofrem de fobia têm uma dúvida comum: a partir de quê começou esse medo? Segundo os especialistas, o distúrbio pode ter as mais diferentes causas. O trauma é uma delas. A pessoa passou por algum problema ou susto muito grande e desenvolveu um medo exagerado por aquele fator.

Um exemplo bastante comum é o indivíduo que sofre um acidente automobilístico e depois não consegue mais dirigir. Nesse caso, a fobia é porque, toda vez em que ele entra no carro, sua memória traz à tona todo o sofrimento do desastre. Ou então, por causa do acidente, a pessoa desenvolve fobia por barulho, pois todo som mais forte o faz lembrar-se do horrível estrondo da batida, e assim por diante. "Aí existe um nexo causal, uma fobia com embasamento real", afirma Siqueira.

Outra causa bastante comum para as fobias é o estresse, que vai "enfraquecendo" o autocontrole emocional da pessoa. Por levar uma vida desgastante demais, ela acaba tendo menos estrutura interna para lidar com seus medos e racionalizar seus sentimentos. Ela não consegue perceber que está assustada, mas que não precisa entrar em pânico por isso.

Segundo Siqueira, no entanto, existe uma causa física para o desenvolvimento da fobia: "É um desequilíbrio na química do cérebro, nos neurotransmissores. Essas substâncias são liberadas nos espaços que existem entre um neurônio e outro. Cabe a elas transportar os impulsos nervosos (informações), entre esses neurônios. Na pessoa fóbica, geralmente há uma diminuição na concentração (quantidade) de alguns destes neurotransmissores. Então, quando o impulso passa, ele chega alterado e distorcido no outro neurônio. Esse desequilíbrio deixa a pessoa predisposta a ter transtornos de ansiedade".

Desta forma, os fatores externos, como o estresse ou os traumas, exerceriam uma influência muito maior em pessoas que apresentam essa alteração na química cerebral. E por ser um problema físico, pode-se afirmar que a fobia é uma doença hereditária, ou seja, quando há um fóbico na família, aumenta o risco de que outras pessoas apresentem distúrbios de ansiedade, ou vice-versa.

Mas a fobia pode ter muitas outras origens, algumas até assustadoras, conforme Siqueira: "Algumas pessoas têm tendência ao suicídio. Quando na sacada de um edifício, por exemplo, elas sentem um forte impulso de se jogar, porque têm alguma coisa muito mal resolvida dentro delas. Ela fica tão seduzida pela morte, que manifesta medo. É uma forma de mantê-la afastada do impulso ao suicídio".

O psiquiatra cita um caso, apresentado nos livros "Tratado de Psiquatria", em que uma mulher apresentava fobia de objetos cortantes, principalmente facas de cozinha. "Uma avaliação mais profunda revelou um processo obsessivo severo que ela tinha dificuldade de admitir. A paciente era repetidamente chamada por sua filha para cuidar dos netos e achava difícil recusar. Um dia, estava preparando o jantar e sentiu um impulso passageiro de apunhalar uma das crianças que estava sendo inconveniente. O terrível pensamento era tão inaceitável, que marcou o início da doença". Ou seja, a mente da pessoa precisava criar um mecanismo que impedisse a avó que ferir a criança, então desenvolveu a fobia, para afastá-la completamente de objetos cortantes.

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