No bar do candidato, PCB lança Elias
Texto: Nélson Gonçalves
Elias Brandão disse que não é candidato laranja, mas vai para a disputa à Prefeitura com elogios a Pedro Tobias, um concorrente
A convenção do Partido Comunista Brasileiro (PCB) estava marcada para a quadra 22 da rua Gustavo Maciel, mesmo local da sede do PDT. O presidente do PCB, Elias Brandão, elogia o também candidato Pedro Tobias, mas insiste que não
é laranja na disputa pela Prefeitura de Bauru. Neste contexto, ontem à noite, com mais de três horas de atraso em relação ao horário previsto no edital, o PCB lançou Elias Brandão como candidato a prefeito, tendo a jovem Renata de Almeida Fernandes, de 22 anos, como vice. O partido lança a candidatura isolada, sem coligação, assim como solitário será o candidato a vereador pelo partido, Marcelo Bragaia Correa.
A equipe de reportagem chegou ao endereço da convenção do PCB às 17h05, no bar situado na rua Saint Martin, 15-86. Entretanto, o presidente do PCB e proprietário do estabelecimento, Elias Brandão, não se encontrava. Durante a espera, ficamos observando o movimento do local da convenção, eu e o fotógrafo. No bar, dois rapazes e uma mulher tomavam uma cerveja, em uma mesa na calçada. Uma mesa de bilhar, o balcão e um aparelho de som que tocava Rod Stewart quando chegamos, formavam o ambiente. A parede exibia, além de anúncios publicitários de bebidas, uma espécie de painel, com matérias onde Elias Brandão foi entrevistado pela mídia impressa.
À espera de Elias Brandão, fui indagado pelo rapaz que atendia o balcão: "Você é candidato?". Respondi que estava ali para acompanhar a convenção do PCB, no bar, onde foi marcada a reunião oficial, como manda a lei eleitoral sobre as convenções. O improviso da candidatura era demonstrado no próprio ambiente. Um moço pediu um maço de cigarro e o rapaz que o atendeu perguntou para o freguês: "Quanto custa esse cigarro mesmo?". O cliente respondeu: "R$ 1,40", pagando com duas notas de R$ 1,00.
O presidente do PCB finalmente chegou, era 17h45, mas não desconfiou que havia uma equipe de reportagem em seu estabelecimento comercial. Depois de checar as anotações do que havia sido consumido por alguns fregueses, Elias Brandão olhou para o repórter e disparou: "Você vai ser nosso candidato né!". Diante de novo imprevisto, a reportagem questionou sobre o início da convenção do PCB, motivo da presença no Bar do Brandão.: "mas tem que ser candidato sim". Enfatizei que bastava ser jornalista de editoria política.
Fomos informados por Elias Brandão que um imprevisto causaria um atraso de uma hora e meia para a convenção ser realizada. Era preciso aguardar a presença dos membros da executiva. Tentamos adiantar a conversa com candidatos a vereador, mas tivemos nova surpresa. O PCB vai lançar apenas um candidato
à vereança, segundo Brandão. Marcelo Bragaia Correa foi indicado como o solitário concorrente ao Legislativo, em busca, portanto, de pelo menos 7 mil votos para tentar uma vaga (provável coeficiente eleitoral). Correa não estava presente.
A hora passava, mas a pauta seria cumprida à risca. Diante dos imprevistos, às 18h40, fomos convidados a nos distrair em uma partida de sinuca, porque a convenção iria mesmo demorar. Então, fotógrafo e repórter deixaram a máquina e o gravador para passar o tempo; o chefe de redação que perdoe, mas era impossível beber mais que duas garrafas de coca-cola. A convenção demorou tanto que foram necessárias 11 partidas de sinuca para que alguns representantes do PCB chegassem para a reunião decisiva. Finalmente, às 20h35, Elias Brandão anunciou que a ata da convenção estava sendo formalizada por quatro ou cinco colegas de partido que se apresentaram no estabelecimento comercial.
A chapa passa a ter Elias Brandão como candidato a prefeito, sendo Renata de Almeida Fernandes vice (que disse não ter conhecimento sobre Luiz Carlos Prestes) e Marcelo Bragaia Correa como o único candidato a vereador. Rasgando elogios à um dos concorrentes, o atual deputado estadual Pedro Tobias (PDT), Elias Brandão disse que vai para a televisão para defender suas idéias, não quer nem pensar em ser um Enéas e tem, como candidato, a mistura entre a legenda que carrega o paradigma do comunismo e a crença na vidente Mãe Dinah, que há mais de um ano teria garantido que este ano ele seria eleito prefeito da cidade de Bauru. Seja qual for o resultado do PCB na eleição municipal, a convenção de ontem, como várias outras,
é mais um flagrante exemplo da necessidade de uma reforma político-partidária neste País.
Elias diz que consulta a mãe Dinah prevê vitória
Ele se considera sócia de Roberto Carlos, quer gravar um CD com o Rei e tem como uma das propostas na disputa pela principal cadeira do Poder Executivo Municipal trazer uma prova de Fórmula Indy para Bauru. Justificativa: incrementar o turismo local e promover a distribuição de renda (vai explicar como na propaganda eleitoral pela televisão). Sobre a concorrida disputa pela Prefeitura, o representante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Elias Brandão, lança que em uma consulta à vidente mãe Dinah esta lhe garantiu que seria eleito prefeito de Bauru em 2000. Veja os principais pontos da entrevista:
Jornal da Cidade - Porque o PCB vai lançar apenas um candidato a vereador? Não deu certo uma aliança?
Elias Brandão - Eu pertenço ao PCB e sou presidente municipal, mas a ordem da presidência estadual foi de que a coligação teria que ser feita com o PDT somente. Mas como o PDT teve coligação com o PTB, caiu fora. Com o PT sim, mas a presidência estadual queria que eu fosse vice da Estela Almagro. Como isso não aconteceu na negociata, o presidente estadual disse que eu não fizesse nada sem a ordem de São Paulo. O Tuga Angerami me procurou, querendo que eu fosse o vice dele. O partido não mistura água com óleo. Eu decidi com os militantes colocar só um candidato a vereador para usar bem o tempo na televisão, para ficar uma coesão.
JC - Mas fica muito difícil eleger vereador com um só candidato, precisa de cerca de 7 mil votos?
Elias - Eu entendi. Só que eu entrei em contato com os demais partidos e os outros coligaram com o PDT do Pedro Tobias. Sobrou só o PRTB, o PRTN. Não houve um acerto político nas coligações. Eu tentei coligar, de todas as maneiras. O PSDB me procurou, mas nós não misturamos água com óleo. Veja só, a minha amizade com o Pedro Tobias é bem antes de a gente entrar para ser político em Bauru. Nossa amizade continua, estava certo para eu sair com ele, estava quase fechado, mas houve vazamento daqui para São Paulo. Estava certo para eu sair candidato a vereador com o Pedro. A convenção também seria na sede do PDT, porque estava quase acertado, mas houve ciúme por parte do Tuga Angerami.
JC - Você será um candidato laranja?
Elias - Eu apóio o Pedro, gosto do Pedro, mas não sou candidato a laranja. Candidato a laranja seria o Pedro pedir para que eu apóie ele, ele não pediu. Eu sou candidato a prefeito defendendo os meus ideais. O meu programa vai estar embasado no enxugamento da máquina administrativa, buscando melhora para Bauru, em cima do desemprego. Minha linha é distribuição de renda e distribuição de igualdade e direitos. Eu não pretendo atacar ninguém.
JC - Você acredita que tem chance de ser eleito?
Elias - Eu acredito que tenho chance até de ser eleito. Veja só, Bauru está com prefeito preso, está com prefeito vice que virou prefeito e está com uma corda arrebentada, só conseguiu emendar dois ou três fios até agora, Bauru está parada. Eu sou a novidade, eu vou jogar tudo em cima da renovação, da novidade. As promessas de voto em cima da minha pessoa são muito grande.
JC - É verdade que você fez uma consulta à mãe Dinah sobre seu futuro político, há um ano e meio?
Elias - Isso foi verdade, eu tenho provas, tenho cartas que mostram que eu não estou mentindo. A mãe Dinah disse que eu seria prefeito de Bauru já agora em 2000. Ela me falou, tenho cartas escritas por ela, assinada e tudo. Eu acredito em Deus, mas se ela previu que o Collor ganharia as eleições e ficaria só dois anos no poder, ela acertou.
JC - Mas comunista acredita em vidente?
Elias - Eu falo para você. Particularmente falando de Elias Brandão, sem colocar o partido, eu acredito que possa existir sim um semelhante a Jesus Cristo aqui na terra. O maior comunista foi Jesus Cristo, quando começou a distribuir o pão e o peixe, ali começou o comunismo.
JC - Você propõe vir uma prova da F-Indy em Bauru?
Elias - Não se trata de prioridade, se trata de turismo. A Prefeitura entraria só com o projeto, a F-1 está na capital, imagina quantos milhões a Prefeitura de Bauru vai arrecadar com uma prova da F-Indy em Bauru. Eu quero trazer para Bauru a distribuição de renda, tem que trazer renda de algum lugar.
JC - Onde vai distribuir renda com uma prova de F-Indy?
Elias - Prova de F-Indy traz uma multidão do Brasil inteiro, do mundo inteiro, para a cidade naquele dia, naquela semana antecedente à prova. Isso não distribui renda mais segura o dinheiro do povo. Todos acabam envolvidos com uma prova dessa. A mesma coisa, o rodeio, em 99 ficou mais de R$ 200 milhões em Barretos. Eu acredito que um prefeito arrojado como eu vou ser, essa pessoa é o Elias Brandão. O povo vai enxergar isso, desde que a mídia me dê espaço.