07 de julho de 2026
Geral

Café

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Plano de retenção pode derrubar ministro

Texto: Paulo Toledo

O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, pode até cair se o plano de retenção do café, adotado pelo Brasil em acordo com a Associação dos Países Produtores de Café (APPC), não der certo. A análise

é de Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e membro do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC), para quem está difícil a implantação do plano pelos membros do cartel dos produtores de café. Para ele, Pratini de Moraes está jogando alto nesse plano e, com isso, colocando seu cargo em risco.

Lima Verde disse que o grande problema é que o produtor sempre enfrenta a situação mais difícil. Para ele, enquanto a retenção não for implementada, fazendo com que ocorra uma alta significativa no preço do café, as dificuldades vão continuar.

A grande dificuldade é que os países produtores não têm dinheiro para implementar o programa de retenção. O Brasil vai disponibilizar R$ 300 milhões, mas existem os que não têm essa possibilidade. De acordo com o líder ruralista, se Brasil, Colômbia e México conseguirem viabilizar a retenção, o problema estará resolvido, pois os outros países tem um menor significado no volume geral do mercado.

A APPC vai realizar uma reunião de seu comitê diretivo no próximo dia 4 de julho para discutir a implementação do plano de retenção. Serão discutidos os planos individuais dos 14 países membros para reter um quinto das exportações de café, numa tentativa de elevar os preços.

Lima Verde disse que o produtor enfrenta vários problemas. Teve uma colheita pequena neste ano, situação que deve se repetir na próxima safra, em razão da seca que atinge o País. E, além disso, não está conseguindo obter os financiamentos necessários.

O que os plantadores querem é uma linha de crédito de pré-comercialização do produtor, com base numa avaliação da colheita que virá. Assim, esse financiamento seria a forma de evitar que esse produto seja disponibilizado ao mercado, colocando em risco o plano de retenção.

Lima Verde disse que o produtor pode ser financiado dentro do R$ 300 milhões destinados ao plano de retenção. O problema é que o produto tem que ser estocado em armazém oficial indicado pelo governo. Porém, há casos em que esses depósitos ficam distante da região de produção, o que complica a operação.

O vice-presidente da Faesp reclama que muitas pessoas vêm criticando o plano de retenção do café, dizendo que não é necessário. Porém, segundo ele, o custo de produção é superior a US$ 100,00 por saca e o valor pago, que atualmente é de R$ 130,00 por saca, tem que aumentar. "Não adianta pegar um caso isolado de um produtor que tem um custo baixíssimo e criticar, pois não representa a realidade de todos os produtores nacionais", afirmou.

Primeira conferência mundial será em maio de 2001, em Londres

A Organização Internacional do Café (OIC) anunciou, nesta semana, que a primeira Conferência Mundial do Café será realizada entre os dias 17 e 19 de maio do próximo ano, no Hotel Hilton Park Lane, em Londres. Segundo a OIC e a F.O Licht, organizadores do evento, participarão palestrantes da indústria, comércio, governos, consultorias e universidades, além de chefes de Estado, diretores de organizações multilaterais e bancos de desenvolvimento. A conferência será presidida pelo gerente geral da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia, Jorge Cárdenas.

De acordo com a OIC, serão debatidos temas como "a globalização, desenvolvimento regional, perspectivas da economia mundial, o impacto do e-commerce, tendências na produção e consumo do café, novas oportunidades de mercado e o papel das commodities primárias no desenvolvimento econômico sustentável".