07 de julho de 2026
Geral

Informática

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

Informática não é unânime entre gerações

Texto: Andréia Alevato

Enquanto as crianças e adolescentes de hoje são interados com o mundo da informática, muitos adultos, que estão no auge de sua fase economicamente ativa, não se aproximam dele

O que para muitas pessoas é rotina, para outras é um objeto distante e difícil. Num mundo globalizado, muitas pessoas garantem que ainda não precisam da informática. Enquanto isso, crianças que nasceram nesse mundo e sempre tiveram o contato afirmam ser impossível viver sem um computador.

O comerciante Paulo Sérgio Rodrigues da Silva, proprietário do Mercado Canaã, é uma das milhares de pessoas que não tem e não sabe usar um computador. A velha calculadora a pilha ainda é usada para somar a compra dos fregueses e os produtos um a um. Ele afirmou que não tem e não sabe usar um computador e explicou que ainda não informatizou o negócio por achar que ainda não é hora. O controle do estoque é feito pela memória.

"O computador do meu comércio é a minha cabeça", disse o comerciante.

Antes de comprar um computador, Silva afirmou que vai fazer um curso de informática.

"No futuro eu acho que vou comprar um computador. Mas antes de usar, vou fazer um curso", afirmou.

Denise Messias Domingues, funcionária do Sacolão Economia, também usa uma calculadora para somar as compras, mas disse que o estabelecimento já está se adequando e deve ser informatizado em breve.

"O estabelecimento tem apenas um ano e por isso só agora está se adequando as novas tecnologias", disse.

Ela não sabe usar o computador, mas seus três filhos, o mais velho com 19 anos e o mais novo com 6 anos, sabem usar muito bem.

"Meus três filhos usam muito bem o computador. Para eles é uma coisa normal", completou a funcionária, que admite que o computador facilita o controle de um estabelecimento comercial.

As crianças convivem com a informática normalmente. Gabriela de Souza Leite, 8 anos, usa computador desde os 3 anos.

Para ela, viver sem um computador é impossível.

"Não imagino minha vida sem um micro", disse Gabriela.

No computador, a menina desenha, brinca, joga, usa a internet para pesquisas e bate-papos, faz trabalhos de escola e compras.

"Sempre compro livros nas lojas virtuais. E uso o cartão

(de crédito) do meu pai, que sempre aprova. Mas o que eu mais gosto é de jogar video-game no computador", contou.

Alguns sites, como o da Klin (www.klin.com.br), o da Mônica

(www.monica.com.br) e o do Cartoon (www.cartoonnetworkla.com), específicos para crianças, são os preferidos e sempre visitados por Gabriela, que também faz cursos de espanhol por e-mail.

"Para mim, o computador é algo normal. Na escola, me divirto nas aulas de informática. Tenho uma vida normal, brinco no computador, mas também brinco de boneca", completou.

Para muitas pessoas que o contato com o computador está longe de ser uma realizada, a internet é algo mais distante ainda. A grande massa populacional nunca teve contato com a rede mundial. Um estudo da ONU, feito por especialistas de 17 países, mostra que 276 milhões de pessoas, quase 5% da população mundial, usam a internet, sendo que a Alemanha, Reino Unido, Itália, França, Holanda, Espanha, Canadá e Estados Unidos concentram 246 milhões de usuários. A metade destes usuários está nos Estados Unidos e há mais servidores na Finlândia do que em toda a América Latina.

Não existem números precisos, mas segundo o gerente de desenvolvimento da Travelnet, Valter da Silva Leite, cerca de 30% da população bauruense tem acesso à internet e 70%, direta ou indiretamente, tem acesso a informática. Existem cerca de 10 provedores na cidade, fora o sites de acesso gratuito (IG e NetGratuita).

"Nem todo mundo tem a internet em casa, mas muitas pessoas usam a internet no trabalho, na casa de um amigo, na escola ou na universidade. E se a gente estender para as pessoas que usam o terminal bancário, pagando o IPVA, por exemplo, ou o funcionário público que retira seu pagamento nesse mesmo terminal bancário, 70% da população tem acesso a informática, direto ou indiretamente", explicou Leite.

Para ele, a tendência é aumentar ainda mais o acesso

à internet, principalmente porque a partir deste mês, o serviço WAP, uma tecnologia para acessar internet via celular. O preço de aparelhos para o acesso será a partir de R$ 400,00.

"O computador está longe de se tornar um eletrodoméstico, mas o acesso será cada vez mais fácil. Principalmente agora, que o acesso poderá ser feito via celular, porque o celular é algo mais acessível para a classe média baixa", disse.

Hoje, 50% dos internautas bauruenses são mulheres. Em 1996, a participação feminina representava apenas 17%. Segundo Roberson Franze, diretor administrativo da Educanet, esse crescimento, que deve ser ainda maior nos próximos anos,

é devido a grande participação da mulher no mercado de trabalho.

"A participação das mulheres na internet hoje,

é equilibrado. E está se apontando para um avanço grande da participação das mulheres. Hoje, as mulheres com idades entre 25 a 32 anos são as que mais acessam. Talvez até porque as mulheres ganharam o espaço no mercado de trabalho", concluiu Franze.