Entidades democratizam a informática
Texto: Andréia Alevato
Preocupadas com a grande procura e pouca oferta do mercado de trabalho, entidades bauruenses criam cursos para ajudar na profissionalização
Levar cursos profissionalizantes para pessoas carentes, para que elas possam ingressar no mercado de trabalho. Esse tem sido o trabalho de diversas entidades assistenciais bauruenses.
No mundo da globalização, estar integrado com a informática é um importante requisito na hora de conseguir um emprego. Por isso, entidades criam escolas de informática para atender pessoas carentes, que não podem pagar um curso de computação.
A Creche Berçário Nova Esperança, entidade mantida pelo Centro Espírita Amor e Caridade, montou uma escola de informática. A escolinha, que atende toda a região da Vila Nova Esperança e Parque Jaraguá, foi montada no ano passado e já formou quatro turmas. Voluntários se uniram e requisitaram computadores usados. Conseguiram seis micros. Os computadores usados não são de última geração, mas podem ser usados em cursos básicos. Os alunos têm idade a partir de 13 anos. São pessoas carentes e que, geralmente, nunca tiveram contato com a informática.
"A gente sente que os alunos querem aprender um pouco mais e melhorar a sua situação. Quando essas pessoas têm uma oportunidade, elas se interessam e a agarram", disse Wilson Yonezawa, professor voluntário na escolinha de computação da Creche Berçário Nova Esperança Amor e no Departamento de Computação da Unesp de Bauru.
O curso é básico, com duração de 30 horas. São duas turmas por curso. Uma no sábado
à tarde, que tem aulas com o professor Émerson, e outra no domingo de manhã, com o professor Wilson.
"A grande sacada é que nós estamos ensinando a pescar e não dando o peixe. Não podemos dizer que a pessoa que faz o curso vai conseguir um emprego ou sairá dali empregada. Mas é uma habilidade a mais que essa pessoa pode apresentar na hora de uma entrevista para um emprego", completou Yonezawa.
A internet, rede mundial de computadores, também já pode ser conhecida pelos alunos da escolinha de informática da Nova Esperança.
Quando uma turma termina o curso, é aberto um período de inscrição e uma triagem é feita por uma psicóloga, também voluntária.
A entidade pretende formar cursos mais avançados, para as pessoas que já passaram pelo básico.
"A idéia é que ao longo de um período a pessoa faça alguns cursos para que ela possa competir no mercado de trabalho", afirmou.
A escolinha de informática da Nova Esperança quer ampliar suas turmas. Para isso, é preciso mais computadores. Yonezawa deve enviar, nos próximos meses, um projeto para o Comitê para a Democraticação da Informática, uma organização não-governamental que tem como objetivo possibilitar o acesso e uso da informática, especialmente para comunidades de baixa renda. O Comitê estimula a doação de computadores, realiza a manutenção e os encaminha às comunidades populares organizadas, além de coordenar e auxiliar a atuação de voluntários, capacitar instrutores na área de informática e mobilizar a criação de Núcleos de Informática, Educação e Cidadania. A Creche Berçário Nova Esperança também aceita doações de toda a comunidade para que a sala de aula de computação seja ampliada e, conseqüentemente, receba mais alunos.
Na década de 30, o prédio da Loja Maçônica Arquitetos de Ormuzd abrigava a escola primária "Gonçalves Ledo". Hoje, 70 anos depois, a Loja Maçônica volta a abrigar uma escola, só que desta vez, de informática.
Segundo o presidente da Loja Maçônica Arquitetos de Ormuzd, Walter Zwicker Esbaille, a escolinha de informática atenderá adolescentes carentes, com idades entre 14 e 17 anos.
"A idéia de formar uma escola de informática para jovens carentes surgiu para que esse jovem tenha a oportunidade de competir no mercado de trabalho com melhores perspectivas", disse o presidente da Loja Maçônica Arquitetos de Ormuzd.
O curso, que começará em agosto, será completo e terá duração de seis meses. A primeira turma será formada por 10 alunos. Os professores também serão voluntários.
"Vamos formar primeiro apenas uma turma, porque ela será um balão de ensaio. A partir do ano que vem, vamos trabalhar com mais de uma turma por curso", completou Esbaille.
O presidente da entidade disse ainda que psicólogas e assistentes sociais farão um acompanhamento pós-curso, para saber se o jovem está trabalhando. Durante o curso, as profissionais farão o acompanhamento familiar.