07 de julho de 2026
Geral

Meio ambiente

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 5 min

Especialista defende uso racional da Amazônia

Texto: Adriana Rota

A Amazônia pode ser explorada sem sofrer prejuízos. Essa é a opinião do professor-orientador do curso de pós-graduação em Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

(CNPq) e diretor do Centro de Pesquisas Ecológicas da Amazônia

(Cepeam), ligado à Associação Brasil Soka Gakkai Internacional (SGI), do qual é representante, Mario Takao Inoue, que esteve em Bauru palestrando para professores da rede municipal.

O especialista defende que a questão central da região amazônica não é a porcentagem de terras que podem ser utilizadas, mas como aproveitar os espaços sem agredir a natureza. O caminho seria combinar agricultura e reflorestamento em áreas já degradadas.

Sobre a polêmica da disponibilização de 50% da floresta, que nos últimos tempos tem agitado ambientalistas e governistas, o especialista entende que é possível, sim, destinar essa área para exploração, desde que ela seja racional: alguns espaços devem permanecer intocados.

Eles podem ser detectados através de um zoneamento econômico e ecológico, através do qual as diversas características são observadas, chegando-se, por exemplo, ao produto específico para cada local. Até a exploração de minérios seria possível, na sua opinião. O entrevistado coloca ressalvas somente quanto à pecuária extensiva, que seria responsável por uma degradação dificilmente reparável.

"Como primeira conseqüência, teríamos a diminuição da pressão sobre as florestas naturais, já que, a médio prazo, a destruição da natureza vai diminuir. A segunda, é que vamos conseguir auferir produtos em diferentes etapas do processo produtivo e, a médio prazo (cerca de 15 anos), madeira e outros produtos florestais", explicou.

A aplicação dessa técnica seria a prova de que é possível o trabalho conjunto entre pequenos proprietários, iniciativa privada e setor público na recuperação de áreas degradadas.

Segundo o entrevistado, a idéia é que, a médio prazo, esses pequenos agricultores consigam alcançar independência formando associações e cooperativas, com financiamento governamental. "É uma forma de fixar o homem na terra, promover uma melhoria na qualidade de vida e, conseqüentemente, desenvolver a região", disse.

O projeto-piloto vem sendo desenvolvido no Cepeam com recursos próprios da BSGI, cujos associados colaboram voluntariamente. O terreno de sua sede foi cedido pela Universidade Soka, localizada em Tokio (Japão), e ele começou a funcionar em 1994.

"O presidente da SGI, Daisaku Ikeda, não conhece a Amazônia, mas desde jovem sempre foi seu sonho conservá-la, por tratar-se de um patrimônio".

Indagado sobre a situação atual da região, onde atua diretamente, ele calculou que pelo menos 20% da área estaria totalmente desmatada, mas que o Estado propriamente dito estaria intacto. Mas, recentemente, teria sido detectado um avanço para essa região, fato preocupante. "O grande perigo

é sua instabilidade ambiental com relação

à retirada de vegetação, que pode culminar com a desertificação. Estamos no limite", alertou.

Curso para educadores

Inoue ministrou a palestra "Amazônia: usar sem degradar", no encerramento do curso de 30 horas sobre Educação Ambiental, voltado a educadores da rede municipal de ensino e concluído no final de maio.

O curso foi dividido em oito encontros com participação de cerca de 70 professores em cada dia, sob a coordenação das professoras Marimiriam Dias Esqueda e Solange Borges Martins, do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação

(SME).

O palestrante abordou aspectos da caracterização física, social e econômica da região amazônica, modelos de desenvolvimento utilizados, desenvolvimento sustentável, sistemas agroflorestais, projeto agroflorestal de Novo Aripuanã e sistema integrado de projetos agroflorestais.

O que é a Associação Brasil Soka Gakkai Internacional (BSGI)?

A BSGI é a representação brasileira da Soka Gakkai Internacional (SGI), ONG com base budista, filiada às Nações Unidas, atuante nas áreas de cultura, educação, paz, meio-ambiente, desarmamento nuclear e apoio a refugiados de guerra.

Fundada no Japão em 1930, por um educador, nasceu com o objetivo de constituir uma "sociedade de criação de valores humanos", tradução literal de sua primeira denominação.

Atualmente, a SGI está presente em 128 países, nos quatro continentes, defendendo uma linha de ação voltada para a promoção do respeito à pessoa, através da educação, paz e cultura.

Entre outras realizações, destacam-se a fundação de universidades, centros culturais, museus e a promoção de eventos de natureza educacional e artística, envolvendo os mais diversos setores da sociedade em todo o mundo.

A sede regional da BSGI - que conta com 490 famílias participantes

- fica na rua Agenor Meira, 18-63. O telefone, para mais informações,

é o 234-7544.

Fonte - http://www.bsgi.org.br

Currículo

Mario Takao Inoue, 53 anos, é natural de Presidente Prudente

(SP). Formado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com títulos de doutorado pela Universität Hamburg (República Federal da Alemanha), pós-doutorado pela Forest & Forest Products Research Institute (Japão) e pela Universität Freiburg (República Federal da Alemanha), ele já foi professor-titular, diretor, coordenador e chefe no Setor de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Paraná.

Seu currículo inclui, ainda, atividades de coordenação de diversos convênios nacionais e internacionais, assessoria em mais de 12 projetos dentro e fora do País, 17 viagens técnicas a nove países, 15 bolsas recebidas de seis instituições em três países, orientação de oito teses de doutorado, 18 dissertações de mestrado, produção de um livro, duas teses, 31 trabalhos publicados em periódicos nacionais e estrangeiros, 26 trabalhos apresentados em reuniões científicas, participação em 58 bancas examinadoras de dissertações e concursos para magistério superior, em conselhos editoriais de nove periódicos nacionais, em 15 associações científicas e profissionais e recebimento de diversas homenagens e prêmios, incluindo honrarias internacionais.