07 de julho de 2026
Geral

Vereadores

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Bauru tem 380 candidatos a vereador

Texto: Nélson Gonçalves

Sete candidatos formam diferentes composições entre 27 partidos. Três legendas não vão disputar uma das 21 cadeiras da Câmara

O Município de Bauru não vai ter segundo turno na eleição deste ano, por um número muito pequeno de eleitores. Com cerca de 196 mil eleitores registrados, os bauruenses serão assediados por pelo menos 380 candidatos a uma das 21 vagas na Câmara Municipal. O número é resultado do balanço que foi feito com 27 partidos que estão lançando concorrentes a uma vaga no Legislativo. O quadro mostra diferentes combinações no tabuleiro eleitoral, confirmando que as legendas e seus respectivos programas estão unidas muito pouco por conteúdo ideológico. Alguns partidos, por sinal, só aparecem no cenário político durante o período pré-eleitoral.

De qualquer forma, a eleição municipal deste ano tem tudo para ser bastante acirrada, com dezenas de candidatos e centenas de militantes disputando o voto em cada esquina, em cada bairro e segmento social da comunidade local. A Justiça Eleitoral deve ter bastante trabalho, para corrigir falhas, coibir abusos e punir aqueles que não respeitarem a cartilha da

ética e do bom senso. A campanha nem começou e já se tem informações de que o eleitor será assediado com brindes de todo gênero, os velhos e venenosos artifícios contra a democracia. Cesta básica, camisetas, pagamento de contas de água e luz em atraso, chaveiros e outros brindes estão sendo anunciados aos milhares. A poluição visual também já é uma realidade, com a pintura de dezenas de muros em diferentes bairros.

O número excessivo de candidatos e a previsão de uma disputa acirrada, difícil, deve incrementar ainda mais a busca por votos entre os eleitores. Em se tratando de uma eleição proporcional, o caráter personalista da disputa amplia ainda mais as características pouco ideológicas e de conteúdo do processo. Afinal, 27 dos 30 partidos inscritos para a eleição estão apresentando em torno de 380 candidatos à vereança, que estão combinados com outros sete candidatos a prefeito. Deste contingente, duas candidaturas majoritárias são em torno de uma única legenda e outras cinco formam alianças. De todos os partidos que participam da eleição, o PGT está coligado na eleição majoritária com o PDT de Pedro Tobias, mas não tem candidato a vereador. Já PSL e PTN não participam da eleição.

As alianças, entretanto, formam diferentes combinações. O eleitor precisa entender a matemática da disputa para assimilar o significado das alianças. O candidato a prefeito Pedro Tobias (PDT), por exemplo, reúne o maior número de partidos em torno de seu nome. São 10 legendas, divididas em quatro grupos de coligações que contam com 143 candidatos. O PHS, por exemplo, terá apenas uma candidato e vai se somar a outros 41 possíveis do PDT.

Todos os partidos da aliança "Viva Bauru" estão coligados com Tobias na eleição majoritária, o que deve lhe dar o maior tempo no programa eleitoral de televisão, já que reúne partidos com um tempo significativo

(como PSDB e PTB). O tempo de televisão é determinado pela Justiça Eleitoral conforme a representatividade dos partidos no Congresso Nacional. As sobras são divididas.

Para se ter uma idéia, o coeficiente eleitoral pode ficar perto de 7 mil votos. Isso significa que um partido ou coligação garante uma vaga na Câmara Municipal toda vez que atingir este coeficiente. Assim, a coligação "Renova Bauru", que reúne PRTB e PRN, pode ter dificuldade em eleger um único vereador entre os 10 concorrentes inscritos. Para tanto, cada um da chapa terá que obter uma média de 700 votos para ter chance de eleger uma vereador.

Além do mais, historicamente, boas candidaturas à eleição majoritária "puxam" voto para os concorrentes à Câmara. A transferência de votos não é automática, mas pode ter muita influência em alguns casos. Além disso, a eleição deste ano promete ser muito mais disputada que as duas anteriores

(1992 e 1996), quando, respectivamente, Tidei de Lima e Izzo Filho venceram com muita facilidade. Somente Izzo Filho teve mais votos que a soma de todos os seus concorrentes. Este ano, com a participação de ex-prefeitos, ex-deputados e novas lideranças, a eleição promete ser muito mais difícil.

A maior dificuldade vive os partidos considerados pequenos. O PC do B, por exemplo, tem apenas três candidatos à Câmara Municipal, sendo a vereador Majô Jandreice um dos nomes. Sozinho, o PC do B terá muito poucas chances de obter 7 mil votos na legenda. Isso força o partido a procurar uma coligação, de preferência se unindo a alguém com bom potencial de voto. Da mesma forma, nem todos aceitam uma coligação onde uma vaga já estaria praticamente garantida. O PC do B decidiu, ontem, à noite, que vai permanecer na aliança Mais Bauru. Quem veio primeiro, não levou muito em conta os parceiros que foram aceitos depois, na aliança. Veja o quadro de participação na eleição 2000 e faça sua análise.

Números da eleição Partido/Aliança Nº. candidatos Legendas PMDB 32 PMDB

PT do B 23 PT do B

100% Bauru 74 PPS, PFL, PST

Frente Pop. Muda Bauru 42 PT, PSTU, PCB

Mais Bauru 87 PPB, PL, PSB, PV, PMN, PC do B

Renova Bauru 10 PRTB, PRN

Viva Bauru 143 PDT, PHS, PTB, PAN, PSDB, PSC, PSD, PRP, PSDC (PGT)