07 de julho de 2026
Geral

Abuso sexual

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Padrasto é preso por abuso de garota

Texto: Ieda Rodrigues

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) prendeu J.S. (só iniciais divulgadas), 33 anos, acusado de abusar sexualmente de sua enteada, a menina A.R.S., 10 anos, nesta semana. Ele é acusado de atentado violento ao pudor com abuso do pátrio poder e de fazer ameaças para que a garota voltasse a morar com ele.

A menina, acompanhada por sua avó, compareceu à delegacia e contou que seu padrasto, quando sua mãe ainda era viva, mantinha relação sexual oral com ela e praticava outros atos libidinosos. A garota e sua avó, com quem mora desde a morte da mãe, estariam sendo ameaçadas por J.S., segundo contou a delegada titular da DDM, Rejani Borro Tiritan.

O padrasto estaria fazendo ameaças para que a menina voltasse a morar com ele. O abuso sexual, segundo a menina contou, ocorria quando sua mãe não estava em casa - ela separou-se de J.S. pouco antes de morrer. Após a morte, a menina e seu irmão, de 4 anos, foram para a casa da avó, que notou que a garota estava depressiva e apresentava comportamento estranho.

Questionada, a menina acabou contando que seu padrasto abusava sexualmente dela. Com muito medo, até porque estavam recebendo ameaças, avó e neta procuraram a delegacia. O menino confirmou que seu padrasto costumava trancar-se no quarto com sua irmã quando sua mãe não estava em casa.

Com base nos depoimentos da vítima e de seu irmão e das ameaças que a avó disse estar recebendo, Rejani Borro Tiritan solicitou a prisão temporária de J.S., que foi concedida. A prisão temporária é de 30 dias, até que os fatos sejam esclarecidos. Se ficar comprovado o abuso sexual, a delegada deve pedir a prisão preventiva de J.S.

A garota passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), que atestou que o hímen está intacto, portanto, não houve penetração. Para a titular da DDM, o fato de, nos últimos dias, terem sido registrados outros casos de indícios de abuso sexual envolvendo crianças mostra que as pessoas estão perdendo o medo e denunciando mais os fatos.

No entanto, dados estatísticos da DDM mostram que houve aumento dos casos de violência sexual em geral, envolvendo criança e adultos. Neste ano, até junho, a DDM registrou 21 casos de estupros, três tentativas e 35 casos de atentado violento ao pudor. No ano passado, no mesmo período, foram registrados 12 casos de estupro, seis tentativas e 28 casos de atentado violento ao pudor.

Investigação

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) vai prosseguir na investigação para tentar apurar se as nove crianças, de duas famílias, abrigadas nos

últimos dias numa entidade pelo Conselho Tutelar, conforme matéria publicada ontem pelo JC, sofreram ou não abuso sexual. Foi solicitado exame de corpo de delito, mas conforme contou a delegada titular da DDM, Rejani Borro Tiritan, não foi possível descobrir se houve ou não a violência sexual.

O Instituto Médico Legal (IML) informou a DDM, ontem, que todas as crianças têm hímen elástico. Portanto, se houve penetração não

é possível descobrir. As crianças, de duas irmandande, têm entre 4 meses e 8 anos, e foram encontradas pelo Conselho Tutelar em situação de abandono e risco.

A delegada acredita que, se houve abuso sexual, não chegou a haver penetração por adulto, pois as crianças, muito pequenas, teriam apresentado sangramento. Rejani contou que os indícios serão apurados, agora, com base nas investigações e depoimentos das vítimas e testemunhas. Ela ressaltou, no entanto, que o crime de atentado violento ao pudor (sem penetração) também

é um crime muito grave, semelhante ao estupro. (IR)