07 de julho de 2026
Geral

Relacionamentos

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 8 min

Fim de caso

Texto: Gustavo Cândido

Terminar um relacionamento não é uma coisa fácil. Homens e mulheres sempre sofrem quando percebem que o sentimento que os une ao par já não é mais o mesmo do início, que o partilhar com o outro já não

é mais um motivo de satisfação, enfim, que a relação atingiu o seu final. Mas é na hora de falar sobre o assunto é que a situação piora, alguns preferem ser diretos e dizer na cara: "acabou, não dá mais", outros optam por fingir que nada está acontecendo e ficam esperando que o (a) parceiro (a) tome alguma decisão. E essa dificuldade de terminar o relacionamento não atinge apenas as pessoas comuns, gente famosa também tem. Há alguns anos foi muito comentada a maneira como o ator Daniel Day Lewis (de "O Último dos Moicanos" e "Meu Pé Esquerdo") se separou da então namorada, atriz francesa Isabelle Adjani (de "A Rainha Margot"). Se querer conversar pessoalmente com a namorada, ele foi moderno, simples e prático, embora pouco educado: deu o fora pelo fax.

"Terminei um namoro de três anos depois de sete meses de enrolação", conta a estudante universitária Aline Salles, de 24 anos. "Meu namorado estava em outra cidade e acho que a distância acabou nos separando demais, com o tempo comecei a não sentir mais sua falta e também a me interessar por outras pessoas. Um dia tomei a decisão e fui vê-lo só para terminar o namoro. Acho que ele já estava esperando, porque nem argumentou. Foi uma situação difícil, ele chorou muito, mas continuamos amigos até hoje", diz.

A mesma sorte o bancário Sandro Silva Ribeiro não teve: "sabia que o meu namoro de dois anos não andava bem, mas não tinha coragem de terminar", diz. A namorada, Lívia, também não se manifestava e ele decidiu conversar sobre o assunto. "Ela fez um escândalo, chorou, disse que não queria terminar, na hora, amoleci e nós continuamos juntos", conta. Três meses depois foi a vez da namorada, Lívia sem mais nem menos apareceu e disse que já estava gostando de outro. Sandro ficou só e hoje os dois não se falam. "Devolvi ou joguei fora tudo o que tinha dela", diz com uma certa ponta de orgulho.

Histórias de finais como estas são muito comuns, algumas terminam bem, outras não. "Os relacionamentos estão cada vez mais tempestuosos hoje em dia e, conseqüentemente, estão acabando mais depressa", afirma a psicóloga Regina Furigo, que diz ser muito comum ouvir casais reclamando sobre conflitos e sobre a possibilidade de terminar o relacionamento.

"É um tema da moda", comenta.

Mas embora sejam muito comuns, as pessoas continuam não sabendo exatamente o que fazer nessa hora. "Num rompimento, muitos sentimentos, muitas vezes não vivenciados, vêm a tona, fazendo com que as pessoas se sintam perdidas, sem saber como lidar com a situação", diz a psicóloga Elaine Olmo. Segundo ela, nessa hora é comum as pessoas tentarem encontrar culpados e fazer acusações, procurando ficar sempre na posição de vítima da situação, sem perceber suas falhas. "As dificuldades de se terminar um relacionamento são inúmeras e não envolvem apenas questões sentimentais. Existem muitos casos em que a situação financeira pesa muito na decisão pois muitas perdas materiais vêm com a separação", afirma.

"É sempre triste ver o fim de um relacionamento afetivo porque você investe ali, seus sonhos, suas esperanças de futuro e a energia do amor é uma força muito estimulante", diz Regina Furigo, "por isso terminar um envolvimento é tão complicado, além disso, muitas vezes a perda da pessoa pode ser comparada com a morte, já que a partir daquele momento elas vão deixar de conviver juntas e se relacionar e nem sempre é fácil lidar com a morte. É preciso saber tocar a vida para frente sem aquela pessoa", completa.

Diferenças

A reação de homens e mulheres nessa hora também tendem a apresentar uma diferença básica (leia no boxe): enquanto os homens preferem ser mais diretos e terminar a relação o mais rápido possível, as mulheres tentar empurrar a situação, dando indícios para que os homens tomem a decisão de terminar o romance.

"Culturalmente as mulheres não têm o hábito de tomar decisões, mesmo as que possuem um nível intelectual mais elevado e são independentes financeiramente. Elas sempre vão pedir a opinião do pai, do irmão do marido e a decisão sempre vai acabar sendo do homem", explica a psicóloga Regina Furigo que acredita que a mulher aos poucos está deixando esse comportamento, que ainda predomina, de lado.

A psicóloga acredita também que essa diferença de comportamento dos sexos na hora da separação aconteça porque a mulher demonstra mais seus sentimentos ao contrário do homem. Então, quando ela evita ir direto ao assunto e assumir que a relação está no fim, na realidade ela está guardando uma esperança de que aquilo possa ser passageiro e o romance possa voltar a ser como era no início. "Ela sente uma nostalgia e sente dificuldade de lidar com a relação porque

é apegada à pessoa e para ela não falar sobre separação significa a possibilidade de voltar atrás", diz Regina Furigo. Outro detalhe é que, ao deixar a palavra final para o homem a mulher também se livra da posição de "causadora do final da relação".

"Dando o fora"

Mas se o fim for inevitável, a melhor solução para acabar uma relação na opinião de Regina Furigo é o diálogo aberto. "As coisas precisam ser conversadas e é preciso que seja visto o sofrimento das pessoas envolvidas, em resumo, é preciso dialogar muito para que, caso não haja um motivo muito grave para a separação, ainda possa haver uma amizade", afirma. Para a psicóloga, o bom término é quando o relacionamento acaba mas as pessoas não se tornam inimigas.

E como saber quando o relacionamento está chegando ao fim? A psicóloga responde: "normalmente a relação está chegando ao fim quando existe perda de interesse entre o casal, quando eles não querem mais compartilhar as experiências nem ficar muito próximos". A perda de interesse, não significa não ficar 24 horas junto da pessoa, mas sim a falta de entusiasmo, de vontade de conversar e, fisicamente falando, de não se sentir fisicamente atraído por ela. "Embora cada caso seja um caso, quando isso acontece, é muito provável que o fim do romance esteja próximo", diz. "Na hora de acabar, a pessoa tem de ter bom senso de saber entender a outra e respeitar a sua decisão e, mesmo que a duras custas, tentar partir para outra", recomenda.

É fácil romper uma relação? Como você terminaria um relacionamento?

"É sempre complicado terminar um relacionamento. Eu acho que para terminar é preciso conversar bastante primeiro, para depois tocar nesse assunto"

Juliana Souza Ferreira, 16 anos, estudante

"É superdifícil se separar de uma pessoa com a qual você está acostumada. O ideal é que a separação seja amigável, com diálogo e tentar desviar a atenção para outras coisas para evitar sofrer muito com lembranças"

Mariza Basso, 30 anos, atriz

"Não é fácil terminar, a gente cria vínculos com a pessoa. Acho que é melhor ir falando as coisas devagar, não tudo de uma vez, dando uns toques para ver se o outro percebe"

Andrea Mello, 29 anos, advogada

"Não é fácil, mas depende do tempo de duração da relação e do envolvimento da família. Para terminar é preciso ser sincero e rápido, quanto mais você adia, mais acaba enganando a pessoa"

Wilson Carvalho, 20 anos, auxiliar administrativo

"É sempre difícil terminar. A pessoa tem de ser verdadeira e ir direto ao assunto se não gosta mais da outra para terminar a relação da forma menos dolorosa possível. Assim, é claro que também dói, mas menos do que ser traído, por exemplo"

André Ribeiro, 30 anos, comerciário

"É muito duro, porque você está muito ligado à pessoa. Para terminar o melhor é chegar e ir direto ao assunto. É preferível fazer a pessoa sofrer tudo naquele momento do que depois"

Ederson Camargo, 20 anos, vendedor

Mulheres são mais apegadas à relação

Muitas mulheres preferem continuar um namoro ou casamento, mesmo sabendo que o sentimento entre o casal já não é mais o mesmo. É uma espécie de comodidade que os homens não parecem ter. "A diferença é que a mulher tem muito mais trabalho para reconstruir a vida após uma separação do que o homem. Não no sentido de achar um novo namorado, mas de encontrar um vínculo mais forte com outra pessoa", explica Regina Furigo.

Segundo a psicóloga, a retomada da vida para o homem é mais fácil por diversas razões, que vão desde a estética (a mulher aparenta mais o envelhecimento do que o homem), às questões financeiras. "A mulher que tem de reconstruir um relacionamento tem de se preocupar com os padrões estéticos, com os filhos, se ela tiver e para os homens isso quase não existe, ele sai de um casamento sozinho praticamente", diz.

Nos casais mais novos, a psicóloga diz que o receio da mulher é diferente, ela tem medo da solidão. "Esse medo é uma constante na vida das mulheres mais jovens. Quando elas terminam um relacionamento elas perdem uma série de hábitos que estavam vinculados à outra pessoa, como ir ao cinema acompanhada, fazer tudo junto, além do vínculo sexual. Perder tudo isso deixa um buraco na vida dela, então as meninas também têm medo de terminar o relacionamento", afirma Regina Vanin.

A psicóloga ressalta, porém, que apesar das mulheres mostrarem essa característica, muitos homens também aceitam levar relacionamentos "mornos", por insegurança.

"O ser humano não gosta de muitas mudanças, existe sempre um sentimento de acomodação que se manifesta e às vezes fala mais alto", lembra.