07 de julho de 2026
Geral

Câncer

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 8 min

Câncer de Mama aumenta nas regiões mais desenvolvidas do País

Texto: Rita de Cássia Cornélio

O acompanhamento psicológico pode ajudar a mulher a superar a doença, a viver melhor, mesmo sem a glândula

Mulheres brasileiras com idade entre 25 e 40 anos estão sendo convocadas a se auto examinarem. É que o câncer de mama, uma doença de causas desconhecidas, está atacando essa faixa etária. Sua incidência nas mulheres jovens corresponde a 7,5% do total de câncer de mama relatados. De acordo com estudos realizados pela "American Cancer Society", uma em cada nove mulheres desenvolverá câncer de mama. O auto exame aliado a mamografia e conhecimento da patologia pode resultar no diagnóstico precoce e na cura da doença.

Para o ginecologista especializado em câncer de mama(mastologista), Rodolfo José Celeste, o câncer de mama deve ser considerado como um problema de saúde pública, visto que sua incidência tem aumentado drasticamente nas últimas décadas, especialmente nas áreas mais desenvolvidas do País.

Vários fatores estão implicados na gênese do câncer de mama, entre eles: fatores ambientais, nutricionais, hormonais, genéticos etc. "A 1ª menstruação precoce, a menopausa tardia, a 1ª gestação após os 30 anos, são fatores que aumentam o risco".

Para o médico o aumento do número de mulheres atingida pela doença nessa faixa etária é graças ao diagnóstico precoce. "No passado, o diagnóstico era feito tardiamente e as chances de conservar a glândula mamária eram menores. O insucesso acontecia porque a doença era descoberta em estágio muito avançado. Os casos de câncer de mama na gravidez, que corresponde a cerca de 1 a 2%, também tem seu diagnóstico, muitas vezes realizado tardiamente."

De acordo com ele, o diagnóstico precoce não significa a conservação da glândula mamária, mesmo porque a retirada ou não depende de outros fatores.

"Depende do tipo de tumor, da localização dele. Não é um fator único. Existem alguns critérios para que se faça um tratamento conservador. Tem que ser um nódulo pequeno. Não é qualquer caso de diagnóstico precoce que pode preservar a glândula."

No paciente com uma micro calcificação, por exemplo, não é possível a cirurgia conservadora.

"Estudos mostram que casos assim, a retirada da glândula

é o melhor caminho. Quando se detecta este tipo de lesão não se pode fazer uma cirurgia conservadora."

O risco maior do câncer de mama é em pacientes com idade entre 50 e 60 anos. "Existem alguns casos, atualmente, com mulheres mais novas. Os médicos têm feito mais diagnósticos precoces. As facilidades em lançar mão de exames de rastreamento de câncer de mama aumentaram."

O médico acha que a partir dos 40 anos as mulheres deveriam fazer a mamografia, pelo menos uma vez por ano. "É indicado que toda mulher faça uma mamografia uma por ano, especialmente a partir dos 40 anos. Não só isso basta para prevenir."

Ele lembra que além do auto exame de mama, as mulheres precisam ter conhecimento sobre a patologia. "A história da paciente é importante, também. Se ela tem algum parente direto que tenha tido câncer mamário etc. São vários fatores que você deve levar em consideração para que se faça um rastreamento do câncer de mama. "

A mamografia, segundo Celeste é uma indicação da Organização Mundial de Saúde. "Eles indicam a mamografia a partir dos 40 anos. No serviço público há o exame, embora exista uma cota de atendimento para cada cidade. Há pacientes de Bauru que são atendidos em Lençois Paulista e Jaú."

Procurar o médico ginecologista uma vez por ano deveria ser uma obrigação das mulheres, alerta o médico.

"O ginecologista é o profissional capaz de detectar.

É quem primeiro vai identificar a existência do nódulo. A mamografia faz parte dos exames de rotina feminino." O ginecologista, segundo Celeste, é quem vai fazer o rastreamento.

Fatores não comprovados

Existem vários fatores relacionados ao câncer de mama, mas não comprovados. Sabe-se, por exemplo, que em pacientes com nível cultural mais elevado há uma maior incidência de câncer de mama."No Brasil, um estudo feito em 85, constatou que as mulheres da região Sul e Sudeste do País apresentam maior incidência de câncer de mama do que de colo uterino em relacão a região Norte Nordeste. Isso só vem comprovar o que se tem de dados mundiais. Que as condições sócios econômicas, realmente estão envolvidas, não se sabe porque mas, tem o envolvimento."

Um outro estudo conclui que as imigrantes japonesas que foram morar nos Estados Unidos, depois de um certo período, passaram a apresentar uma maior incidência de câncer mama, do que as que coontinuaram morando no Japão. Isso pode estar relacionado ao fator ambiental e condição social. Não tem nada comprovado do que pode provocar o câncer de mama. No câncer de pulmão tem o fumo que provoca o câncer. No câncer de mama não tem nenhum fator, só observações."

Passo a Passo

A partir do auto-exame a mulher é capaz de notar o nódulo, explica Ceslete. "A primeira coisa a fazer é procurar um ginecologista Ele vai determinar quais os exames necessários. No Brasil se perde muito tempo no diagnóstico.Muitas vezes depois do primeiro exame, tem que partir para uma nova etapa de investigação. É mais tempo perdido e até você conseguir estabelecer um diagnóstico definitivo, o tumor pode ter evoluido."

De acordo com o médico, o tumor da mama pode ser benigno ou maligno, mas jamais pode começar benigno e transformar-se em maligno. "Pode ter o benigno, e o maligno, que são coisas distintas. Não muda, raramente. Normalmente o que acontece é que você tem um nódulo,posteriormente, acaba desenvolvendo um câncer de mama."

Nem todo nódulo tem que ser retirado, na opinião do médico. "Necessariamente não. Nem sempre o nódulo que aumenta é maligno. Pode ser benigno, um cisto."

Polêmica

Relacionar a terapia de reposição hormonal ao aparecimento do câncer de mama é um assunto polêmico, na opinião do ginecologista. "Na realidade não existe nada que comprove uma relação. Não há dados que comprovem que a terapia de reposição hormonal causou o aparecimento do câncer de mama."

Ele lembra que para fazer a reposição hormonal é necessário critérios."O médico tem que pesar o risco benefício, da paciente em relação ao câncer de mama. Qual o benefício que ela vai ter. As duas coisas são importantes. Hoje se tem várias opção para fazer reposição hormonal."

Segundo o médico há pacientes que tem antecedentes para desenvolver um câncer mama e até mesmo aqueles que já tiveram câncer de mama, necessitam de fazer terapia de reposição hormonal." O que o médico tem que avaliar é o risco que a paciente corre de ficar sem a terapia e o benefício que essa terapia vai trazer.

Ele acredita que a mulher que faz reposição hormonal acaba se prevenindo mais."O que acontece é que a paciente em terapia de reposição hormonal vai pelo menos uma vez por ano ao médico. Vai ser examinada e vai fazer os exames de rotina, ao passo que as pacientes que não fazem a terapia, nem sempre vão ao médico e fazem controle."

Enfrentar o câncer de mama é um desafio para mulher contemporânea

Enfrentar o câncer, especialmente o de mama é para a mulher um desafio, explica a psicóloga Rosângela Maria Barrenha. "A primeira reação diante do diagnóstico é de negação. A paciente procura outros médicos. Esconde o fato dos amigos e da família e muitas vezes nega-se a falar sobre o assunto, mesmo com o psicólogo."

A segunda fase é de revolta. "Ela procura um culpado. Deus? Eu? Não consegue imaginar o futuro, tem fantasias e pensamentos catastróficos. Faz as imagens mentais de dor, morte e mutilação."

É nesta fase, segundo a psicológa, que ocorre o perigo."Elas querem abandonar o tratamento e o medo da dor e da morte pode provocar a vontade de suicidar."

O medo da dor é sempre maior que a dor. "O medo da morte é muito mais terrível do que a própria morte. Quando a paciente aprende isso, fica em paz", explica Barrenha.

Ela lembra que a paciente desesperada tenta negociar tudo. "Ela pensa: Se eu tentar o tratamento feito pela minha vizinha? Se eu fizer promessa? Se eu deixar de ser briguenta? Se eu fizer tudo direitinho? Nesta fase, a paciente luta pela vida, fala mais abertamente sobre o assunto."

Viver um dia de cada vez

Uma pessoa estressada, com medo, revoltada e deprimida não encontra motiviação para submeter-se a exames, remédios, radioterapia, consultas, hospitais, por isso o acompanhamento do psicólogo pode auxiliar a paciente. "Ensinamos a paciente a viver um dia de cada vez, evitando os pensamentos catastróficos, alimentando as esperança e planos de vida."

A psicoterapia pode atuar no firtalecimento dos aspectos saudáveis da personalidade da paciente. "Para restabelecer o eqüilíbrio e a saúde." O apoio da família e dos amigos pode ajudar muito a mulher que passa por esse problema.

Feminilidade

A mama, segundo Rosângela Barrenha, é o primeiro elemento de identificação corporal da feminilidade, associado a vida adulta e a sexualidade. "É vista como fonte de vida, "cordão umbilical substituto" que mantém o vínculo de dependência vital-emocional entre mã e filho. Sua perda tem um peso maior em mulheres que não tiveram filhos."

O papel no psicólogo, no caso da retirada da glândula mamária é auxiliar na reconstrução de uma auto-imagem positiva, no resgate de seu corpo erótico e reprodutivo. "Além de preparar a mulher para a cirurgia, reduzindo o estresse."