07 de julho de 2026
Geral

Campanha

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 10 min

Dieta saudável dita ritmo de campanha

Texto: Daniela Bochembuzo

Candidatos a prefeito evitam frituras e refrigerantes para garantir físico perfeito para enfrentar compromissos eleitorais

Dietas alimentares balanceadas associadas a exercícios físicos são a base de preparo adotada por candidatos a prefeito para se preparem para o corpo-a-corpo junto ao eleitorado. Para a parte emocional, orações e leitura garantem o equilíbrio para enfrentar ataques dos adversários e suportar o nervosismo da campanha.

Candidata à Prefeitura pelo PT, Estela Almagro adota essa receita de bem-estar desde o período em que era apenas militante. "Sempre andei muito, gastei muita sola de sapato atrás da militância e do eleitorado. E vou andar ainda mais até outubro em razão do corpo-a-corpo", planeja a petista.

Adepta da dieta balanceada, Estela se queixa apenas de estar 'pulando' algumas refeições durante o dia. "Nem sempre dá tempo de tomar café. Minha agenda começa cedo", conta. Apesar da correria, a petista faz questão de almoçar em casa todos os dias. Esse é o período que dedica ao filho, de 3 anos. "Tive que sacrificar minha vida familiar em favor da campanha", diz.

Além do almoço, outro momento de terapia para Estela

é por volta das 23 horas, quando se dedica à leitura dos salmos 56 e 91 da Bíblia. "Esse é o momento mais aguardado do meu dia, quando busco em Deus a força para superar os problemas e agradecer as vitórias", afirma.

É também à noite que Carlos Sandrin (PT do B) tem o seu momento de relaxamento. Nesse período, dedica-se a escrever. O candidato à Prefeitura é autor de três livros ("História do Zé Maconheiro",

"Código de Trânsito para Menores" e "Mensagem para Menina Moça") e prepara mais duas obras, "Viagem em Volta do Brasil em 33 dias" e "A História da Inflação".

Além da escrita, é no trabalho que Sandrin encontra o prazer. "Encaro meu escritório de advocacia como uma terapia", afirma. Fazer o que gosta, acredita o candidato,

é que lhe garante a felicidade diária e o faz estar preparado emocionalmente para a campanha.

Em relação ao físico, Sandrin faz quatro caminhadas diárias de 14 quadras - o percurso de sua casa ao trabalho - e come pouco. Sua dieta é composta por uma gemada pela manhã e uma vitamina com leite e frutas à noite. "Não como verdura, aliás, não como quase nada e bebo pouca água também. Sou uma pessoa inédita", garante.

Já Thomaz Zamonaro (PRN) faz questão de ser radical em relação à atividade física. "Esporte dá motivação, determinação e garante fôlego", justifica. A ampliação de programas de atividades esportivas entre crianças e adolescentes faz parte da plataforma de campanha do prefeitável.

A defesa ferrenha do esporte deve-se ao histórico de vida de Zamonaro. Ele já praticou basquete, vôlei, futebol e, atualmente, faz judô três vezes por semana. O candidato

é faixa roxa, que está duas abaixo da preta, considerada o grau mais alto entre os judocas. "Faço questão de não ser sedentário, inclusive no período de campanha", conta.

Ex-jogador de basquete, Tidei de Lima (PMDB) é outro adepto do esporte. A campanha, no entanto, o tem impedido de praticar atividades esportivas com mais freqüência. "Sempre que posso, jogo futebol ou basquete ou faço caminhada ou esteira", diz.

Com 94 Kg distribuídos por 1,86 metro, o peemedebista conta ser difícil manter o peso durante o período eleitoral.

"Não há dieta que resista à campanha", defende-se Tidei, que, como todo candidato, não recusa café, churrasco e bebida oferecida pelos eleitores. Apesar da ausência de alimentação balanceada, ele garante que o ponteiro da balança está se mantendo estável. "A tensão faz com que eu não incorpore a gordura e o álcool", afirma.

De acordo com nutricionistas, a fadiga por excesso de compromissos de campanha pode ser evitada por meio de uma dieta alimentar composta por frutas, verduras, legumes, carnes e cereais, distribuídas em seis refeições diárias. A alimentação balanceada deve estar aliada aos exercícios físicos, como forma de prevenir doenças e buscar o equilíbrio emocional.

Pedro Tobias evita fadiga com 6 horas diárias de sono

Menos regrado em relação à alimentação, o candidato Pedro Tobias (PDT) faz questão de manter as 6 horas diárias de sono como forma de evitar a fadiga.

"Se durmo menos, fico irritado. Não gosto de judiar do meu corpo, seria um suicídio", diz.

Normalmente, o pedetista vai para a cama à meia-noite e acorda às 6 horas. A dieta é iniciada com uma fruta. Depois do café-da-manhã, as refeições são ditadas pelo horário de campanha. "Não almoço com a família, mas na rua, e vou comendo o que aparece. Não faço dieta", avisa.

Apesar de fumar uma média de dois maços de cigarro por dia, Pedro Tobias garante que mantém o fôlego para encarar o corpo-a-corpo junto ao eleitorado. "O cigarro

é um vício, já tentei parar, mas é difícil. Infelizmente, todos nós temos defeitos", redime-se o pedetista, que começou a fumar no período em que trabalhava na ONG Médicos Sem Fronteiras, no Oriente Médio.

Tobias diz que não irá parar de fumar e que a manutenção do tabagismo mostra sua autenticidade. "O que mata é a raiva, o trabalho não mata ninguém. Para mim, política é uma terapia. Adoro conversar com o povo", afirma o pedetista.

Além da campanha eleitoral, Tobias tem mantido a agenda do consultório e das cirurgias. Ele atende às segundas e sextas-feiras e garante que não trata de política no consultório, nem mesmo se for a cliente quem iniciar o assunto. "Sei muito bem separar meu trabalho da política", garante.

Adepto da unibiótica, Nilson faz ginástica e alongamento

A gastrite, tão comum a períodos de tensão intensa como as eleições, foram eliminadas por Nilson Costa (PPS) através da unibiótica, terapia alternativa que vê a água como o fluído mais importante para a manutenção da saúde.

O candidato à reeleição conheceu a unibiótica por meio do médico Yun, que veio a Bauru na década passada ministrar alguns cursos sobre a terapia. Desde que começou a adotar esse método alternativo, inicialmente chamado de probiótica, Nilson Costa afirma ter melhorado físico e emocionalmente.

"Os métodos da unibiótica nos ajudam a atingir a tolerância máxima. Desde então, não fico bravo, violento, aprendi a encarar os embates políticos com mais naturalidade", garante.

A terapia do doutor Yun incluem ainda a prática de ginástica localizada e alongamentos pela manhã, seguida por jejum até o período do almoço. "Faço o desjejum com banana-maçã amassada com aveia", conta Nilson Costa.

As frutas, aliás, compõem grande parte do cardápio do prefeito, que não esconde seu gosto pelas verduras e legumes e, sobretudo, pela água. "A água é tudo. Nos campos onde ela está, há verde, animais. Sem ela, há abutres, podridão", filosofa.

Outra curiosidade da unibiótica é que ela prega o uso da água como elemento regulador da temperatura corpórea.

"Para não sentir as mudanças de temperatura, alterno água quente com a gelada durante o banho", explica o candidato à reeleição.

A alternância da água quente e da água, garante Nilson Costa, torna desnecessário o uso de antiperspirantes.

"Não uso desodorante e perfume, nem mesmo sabonete e shampoo no banho", conta. O método é estranho mas, segundo o prefeito, funciona muito bem. (DB)

Candidatos negam vaidade mas não deixam de cuidar do visual

Texto: Daniela Bochembuzo

Nos últimos anos, cuidar do visual virou assunto obrigatório, tanto que vários livros sobre o assunto foram lançados no mercado brasileiro. Um deles, da autoria da consultora de moda Glória Kalil, pregava que a composição das peças de roupa poderia ser decisiva na conquista de um emprego. Na política não é diferente. Um voto, muitas vezes, pode ser decidido pela análise da 'estampa' do candidato.

"Os eleitores prestam atenção ao asseio do candidato. Nunca é demais ao homem ter vaidade, isso não fere a masculinidade", atesta Thomaz Zamonaro (PRN), que corta o cabelo a cada 20 dias e gosta de usar loção após o barbear.

Para Zamonaro, a maioria dos eleitores se atem ao visual do candidato. Prova disso, cita, é o fato de Luís Inácio Lula da Silva, presidente de honra do PT, ter trocado as camisas e o jeans pelo terno. "Ela atendeu as exigências da sociedade. Isso não é uma questão de elite, mas de parecer-se bem perante as pessoas", acredita.

Estela Almagro (PT) garante que não é vaidosa, mas que zela pelo aprimoramento do seu conteúdo político e intelectual. "A aparência não é prioridade", afirma, para depois completar: "mas as pessoas analisam isso também".

Entre os postulantes à Prefeitura, Estela foi a quem mais mudou o visual após a confirmação de sua candidatura, trocando as calças e camisetas pelo tailleur e as saias coordenadas com camisas. Em relação às cores, no entanto, mantém-se fiel: vermelho e branco (como o símbolo do partido), além do azul marinho e branco, são as suas preferências.

A mudança no guarda-roupa, garante a candidata, foi resultado de uma discussão coletiva. "A agenda do candidato não é a mesma do militante. Por isso, foi necessário mudar", explica.

Como resultado, Estela agora carrega estojos de maquiagem na bolsa, sempre nas cores afro, e não deixa de fazer escova no cabelo, sempre precedida de hidratação. "Também faço as unhas duas vezes por semana", conta a petista, adepta dos esmaltes em tons claros.

As cores claras também integram a lista de preferências de Nilson Costa (PPS) e Carlos Sandrin (PT do B). Da mesma maneira, os dois candidatos não abrem mão do alfaiate para encomendar ternos e do barbeiro, para aparar o cabelo a cada 30 dias.

Sandrin faz a barba diariamente. "Fui barbeiro por 16 anos, assim como o meu irmão, que é quem corta o meu cabelo", conta o candidato, adepto do sabonete para lavar pele e cabelos.

Além de ir à barbearia para manter o cabelo bem aparado, Nilson Costa recorre ao profissional como amigo. "Ele sempre está munido de grandes informações", garante o prefeito, que elegeu como fonte informal Badu, antigo colega de seu pai, também barbeiro.

Apesar de estar atento ao visual, nem todos os candidatos sabem os produtos que utilizam. Esse é o caso de Pedro Tobias

(PDT). "Uso o que a minha mulher escolhe. A mesma coisa acontece com as roupas", conta. Sua esposa, no entanto, não conseguiu eliminar as camisas vermelhas do guarda-roupa do pedetista.

"Gosto desde garoto", assume.

Tidei de Lima (PMDB) também não se atem às marcas de produtos de beleza que utiliza, mas faz questão de estar sempre à vontade. Jeans e camisa formam o uniforme eleito para a campanha, enquanto o terno o acompanha aos eventos mais solenes. "Mas sou quem escolhe as roupas", garante.

Carlos Sandrin (PT do B)

- Xampu: não usa

- Sabonete: Palmolive

- Desodorante/Perfume: não usa

- Loção após barba: Bozzano

- Cores preferidas: não tem cor preferida

Estela Almagro (PT)

- Xampu: Manteiga de Carité

- Sabonete: não tem preferência

- Desodorante/Perfume: Crisca, da Natura

- Maquiagem: não tem preferência, mas deve ter tons afro

- Esmalte: cor renda

- Cores preferidas: vermelho, verde oliva, azul marinho e branco

Nilson Costa (PPS)

- Xampu: não usa

- Sabonete: não usa

- Desodorante/Perfume: não usa

- Loção após barba: não usa

- Cores preferidas: azul claro (camisas) e tons claros

(calças)

Pedro Tobias (PDT)

- Xampu: não se lembra

- Sabonete: não se lembra

- Desodorante/Perfume: não se lembra

- Loção após barba: não se lembra

- Cores preferidas: vermelho (camisa), jeans (calça) e branco (consultório)

Thomaz Zamonaro (PRN)

- Xampu: Dimension

- Sabonete: qualquer um

- Desodorante/Perfume: After Sports

- Loção após barba: Gilette

- Cores preferidas: gosta de todas

Tidei de Lima (PMDB)

- Xampu: vários

- Sabonete: vários

- Desodorante/Perfume: vários

- Loção após barba: não tem preferência

- Cores preferidas: tons claros (camisa) e jeans (calça)

* O candidato Tuga Angerami (PSB) não foi encontrado para dar entrevista.