Animais viajantes devem ter passaporte
Texto: Erika de Lima
Mais de 70 animais entre cães, gatos e coelhos são hospedados nos "hoteizinhos" da cidade, que devem redobrar os cuidados
Atualmente, não é só gente que precisa de passaporte para viajar, animais como o cão e o gato também devem ter passaporte para poderem viajar de transporte coletivo como ônibus e avião, mesmo que seja de uma cidade para outra. A documentação que o dono do animal deve ter em mãos é denominada por GTA, que significa Guia de Trânsito Animal. Só portando essa documentação ele poderá transitar livremente para qualquer lugar e sem causar problemas.
Segundo o veterinário Paulo Roberto Tavares Zanardi, a GTA é importante porque evita que o animal dissemine doenças para outros locais, caso ele tenha alguma. "Se o animal tiver alguma doença poderá contaminar tanto seu dono quanto outras pessoas que não são do seu meio. Com a guia, o animal só pode viajar se não estiver doente, não sacrificando assim o bicho, e evitando possíveis contágios", afirma.
O proprietário que pretende viajar deve encaminhar seu animal a um veterinário para que ele faça um exame clínico e emita um atestado de saúde, em um papel timbrado da clínica. O dono leva esse atestado ao veterinário da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral
(Cati), para ser analisado e para que a Secretaria da Agricultura libere o animal para viajar, caso o laudo seja aprovado. Se algo for identificado durante o exame clínico é realizado um outro exame, só que laboratorial, que é encaminhado ao Cati juntamente com o clínico.
É recomendado que o proprietário leve seu cão ou gato ao veterinário, pelo menos, dois dias antes da viagem. Zanardi explica que, se o bicho estiver com alguma doença ou febre não é aconselhável deixá-lo seguir viagem. "Uma doença comum e que pode afetar cães é a virose, que também barra a viagem do animal", ressalta.
No entanto, há animais que não viajam, porque seus donos fazem questão de deixá-los em casa sob os cuidados de algum parente ou mesmo sob a proteção de alguns canis. A publicitária Sheila Tucunduva de Andrade, por exemplo, sempre deixa sua cadela, da raça Lhasa Apso
(que é parecida com o cão Floquinho da turma da Mônica) em canil. "Não há local melhor para deixar a Ornela (cadela) quando viajo, porque ela já conhece o canil, lugar onde foi comprada e fica quietinha", conta.
Muitas pessoas que viajam nas férias de julho e janeiro aproveitam para deixar seus animais nos canis por considerarem ambientes adequados. A dona de um casal de cães da raça Collie, Cláudia Lúcia de Arruda, gosta do trabalho dos canis pela segurança e confiança que transmite.
"Só levando meu casal de collie ao canil consigo ficar tranqüila durante minhas férias", acrescenta.
Para não ter preocupação durante as férias
é importante que o dono conheça o canil antes de levar o animal para lá. Cláudia Lúcia disse que quis conhecer o local antes de deixar seu casal de Collie.
Não é só nas férias que os donos "largam" seus animais em "hoteizinhos", mas também em feriados e finais de semana, e até por questão de disciplina. A psicóloga judiciária Maria Edith Arantes, por exemplo, leva seu cão Dolf, da raça boxer, ao canil para educá-lo, principalmente quando está
"atacado". "Ele está sendo treinado, para que saiba se comportar, porque já chegou a comer pilha e um pedaço da minha bateria do celular", lembra.
Animais sozinhos podem estressar
De acordo com Zanardi, os animais que ficam distante de seus donos podem ficar estressados ou deprimidos. A agitação pode desencadear em estresse e a tristeza transformar-se em depressão.
No entanto, esses sintomas só aparecem no animal que é muito apegado aos seus proprietários. "Dependendo da sensibilidade, o bicho passa a ter sintomas mentais vai ficando triste, não come e sua resistência vai caindo, podendo resultar em alguma doença", explica.
Normalmente, quando ocorre isso os veterinários optam por tratamentos à base de medicação convencional ou através da homeopatia. "Quando o animal vai para o canil e muda seu comportamento, pode estar passando por problemas como estresse ou depressão", observa o veterinário.
O proprietário de um canil, Vasni Campos, recorda que alguns animais ficaram tristes e não quiseram se alimentar. "Nunca aconteceu de algum bicho ter que tomar soro por estar fraco, mas uma vez um cão ficou sem comer por três dias", conta.
Um outro cachorro, o de Cláudia Lúcia (chamado de Luluzinho) é um dos cães que já ficou sem comer durante três dias, por estar longe da família.
"Hoje, ele só fica em casa sob os cuidados da empregada", relata.
Já o cão de Maria Edith, da raça boxer (chamado de Dolf), ficava triste nas primeiras vezes que era deixado no canil. "Agora ele fica contente quando chega ao "hotelzinho", porque conhece a equipe de trabalho e se dá muito bem com um deles, que é seu treinador".
Canis atendem mais de 70 animais nas férias
Quando chega o mês de férias, os canis costumam a atender muito mais animais do que em dias normais. Mais de 70 animais entre cães, gatos e coelhos são deixados nos "hoteizinhos" da cidade.
Com a carteira de vacinação, alimentação e alguns pertences (como brinquedos ou cobertores) do animal, bem como o nome do veterinário que o acompanha, o dono pode "soltar" seu bichinho no canil e viajar tranqüilamente. Segundo a proprietária de um canil, Neuza Maria Pagani Panice, todo o processo de hospedagem é feito com muito cuidado. "Se o animal está triste damos uma atenção especial, brincamos com ele e sempre vamos à sua baia, para verificar se está bem", afirma.
Os cuidados não se limitam à alimentação e vigilância dos bichos. Os animais também fazem os passeios diurnos com a equipe de trabalho dos canis. De acordo com o proprietário de um canil, Vasni Campos, os cães são levados para tomar sol dentro do próprio "hotelzinho".
"Além disso, se ocorre algum problema com o animal, pegamos sua ficha e verificamos se há algum veterinário responsável. Para o caso de não haver nenhum, nós ligamos para o dono e pedimos autorização para encaminhá-lo", explica.
Neuza salienta que o animal antes de ficar hospedado é examinado por um veterinário do canil. "Verificamos se ele não tem alguma doença de pele, pulgas ou carrapatos", conta.
Por ser um tempo de muita procura pelos hoteizinhos, os proprietários recomendam que as reservas sejam feitas com alguns dias de antecedência.
(EL)
Ferret pode ser "febre" do momento
Ferret atrai atenção em Bauru
O animal é importado dos Estados Unidos e não precisa ter autorização do Ibama para ser usado em residências
O Ferret, primo distante do furão, já é a
"febre" do momento em São Paulo, e em Bauru está se tornando a grande atração do mundo animal. De acordo com o revendedor do animal no município, Antônio Drimel Neto, já somam mais de 50 os animais que estão na cidade e vem atraindo pessoas de várias idades. "Além dos vários pedidos de compra feitos, conheci pessoas que já tinham o animal e o trouxe para a cidade. O Ferret está despertando o interesse nas pessoas", afirma.
Drimel Neto diz que há mais de dez pessoas na fila, aguardando pela chegada dos animais. Ele conta que há dificuldade para comprar o bicho, que é vendido em pouca quantidade.
"Só consigo comprar seis animais por lote e, a cada quinzena vai aumentando a procura".
Esse bichinho que provavelmente, deve ser originário do cruzamento da doninha européia com a doninha das estepes siberianas, está conquistando crianças e adultos, por ser exótico e próprio para apartamentos, devido ao seu tamanho.
Na opinão da veterinária Maria da Conceição Lopes o animal logo será muito mais comercializado em Bauru, por ser uma novidade no mercado. "Muitas pessoas estão adquirindo o Ferret por ser um animal silvestre, exótico e doméstico, principalmente em São Paulo já
é uma "febre". Mas é importante tomar cuidados especiais porque ele é um animal diferenciado", reforça.
Já a veterinária da empresa importadora de Ferret Pro-Pet, Patrícia Pistilli vê diferente. Para ela as pessoas se interessaram pelo animal por ser próprio para uma vida moderna. "Quem mora em apartamento e trabalha o dia inteiro prefere o Ferret porque ele é silencioso e não dá muito trabalho. O ferret não espalha sujeiras pela residência", acrescenta.
Uma das vantagens do Ferret apontada pela Pro-Pet é que ele, quando acostumado a fazer suas necessidades em uma bandeja sanitária não faz em outro local. A bandeja deve ter aproximadamente 10 centímetros de altura e ser rebaixada em um dos lados para que ele possa entrar, entretanto, bandejas para gatos não são válidas para eles.
A dentista Ana Rita Rodrigues Bianchi comprou um ferret porque diz ser o melhor animal para criar dentro do apartamento, onde mora. Ela apaixonou-se pelo bicho há quase um ano, quando esteve em uma loja de animais e viu de perto como ele era de fato.
"Escolhi o ferret pela sua docilidade e pelo ritmo de vida que levo, porque não tenho tempo para ficar "cuidando" da casa e de animais", relata.
Por ser considerado um animal doméstico, ele é castrado antes de ser vendido. Isso evita que durante o período do cio libere odores fortes e seja agressivo com outros animais ou urine fora da bandeja sanitária.
O ferret deve receber cuidados especiais. A alimentação deve ser diária, com água (trocada diariamente) e uma ração balanceada e específica, elaborada pela importadora. "A ração é própria para o ferret porque tem as proteínas e nutrientes em quantidades ideais para sua alimentação", ressalta Patrícia.
O animal deve tomar banho uma vez a cada 15 dias e só ser secado com uma toalha felpuda e não secador de cabelos. Patrícia relata que o bicho pode ficar estressado se for secado com secadoras, devido ao barulho que fazem.
Qualquer problema que possa surgir com o animal, é importante levá-lo a um veterinário. Em Bauru já há alguns profissionais que conhecem e tratam dessa espécie. Para evitar a aparição de doenças é extremamente necessária a vacinação do animal. Se ele contrair a cinomose, doença transmitida pelo cão, não consegue sobreviver.
O filhote recebe a primeira dose de vacina contra cinomose antes mesmo de sair da fazenda de criação, localizada nos Estados Unidos. Entretanto, é imprescindível manter o esquema de vacinação anualmente contra a cinomose e a raiva. Lembrando que as vacinas não são as mesmas aplicadas em cães.
Ferret, animal dócil
O ferret é um animal dócil, seu tamanho varia para fêmeas, em torno de 30 centímetros e macho 40 centímetros, podendo ter várias cores como cinza, marrom e branco. Não
é cão, mas pode-se colocar nele coleira para passear pela rua (desde que tenha sido vacinado). "Ele é muito dócil, parece um "gato-cão", lambe a gente como um gato, mas brinca com bola como um cão", afirma Ana Rita.
Ela conta que sua filha, Ana Carolina Rodrigues Bianchi, também gosta do animal. "Ela brinca com ele e os dois ficam pulando, porque o ferret é muito amoroso e brincalhão".
O primo distante do furão torna-se adulto com seis meses de vida e vive entre oito e dez anos, dependendo dos cuidados e da alimentação fornecida. O ferret chega a comer mais de dois quilos de ração por mês. Ele vive em gaiola de metal, mas por ser curioso não se limita a permanecer dentro dela e, por isso, é necessário tapar buracos com mais de 25 centímetros de largura como ralos, para que ele não escape e vá embora.
O ferret tem dois pontos azuis tatuados na orelha direita, usados para indicar que foi feita a castração e, além disso tem um microchip implantado sob sua pele. O microchip serve como um código para constar no certificado de compra.
O ferret é vendido na loja Exotiquarium, no Bauru Shopping. Cada Ferret custa cerca de R$ 600,00 e a ração, vendida em pacotes de um quilo e oitocentos gramas, custa R$ 38,00 e dura dois meses. "Aliás, essa é a única desvantagem", finaliza Ana Rita.