08 de julho de 2026
Geral

Saúde bucal

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 7 min

Incidência de cárie na região diminui

Texto: Adriana Rota

O levantamento mais recente referente à saúde bucal em vários municípios do Estado - incluindo Bauru

- revela que a incidência de cárie vem apresentando redução, comparando-se a estudos anteriores. Isso significa que será minorado substancialmente o número de idosos desdentados, pelo menos na geração que hoje está na faixa etária dos cinco anos de idade.

O índice de dentes cariados, perdidos e obturados (CPOD) aos 12 anos de idade para o Estado foi de 3,72. Em Bauru, 3,42. Ambos estão acima do esperado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para este ano (3). Mas vale ressaltar que, em 1975, a cárie atacava uma média de 9,89 dentes; em 1984, 7,01; em 1990, 3,89. Segundo os especialistas, esses números estão longe de serem o ideal, mas já representam um alento.

Na faixa dos cinco anos de idade, os índices são ainda mais animadores: 45,8% dos bauruenses nessa faixa etária, que participaram do levantamento, estão isentos de cárie. No Estado, são 39,3%. A meta da OMS é de 50%.

O trabalho demonstra, ainda, que a utilização de flúor na água que abastece as cidades é determinante na diminuição no índice de cáries: CPOD 3,24 onde é fluoretada e 4,47 nos demais. Daí conclui-se que a prevenção continua sendo o método mais eficaz e barato para combater os problemas de saúde pública.

Esse estudo é parte de um levantamento epidemiológico solicitado pela Secretaria de Estado da Saúde em 1997 para avaliar as condições de saúde bucal da população de São Paulo na faixa etária entre cinco e 75 anos de idade.

Todas as faculdades de Odontologia do Estado foram convidadas a participar. Catorze, dentre elas, a Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, câmpus de Bauru (FOB/USP), aceitaram o convite. A Faculdade de Saúde Pública

(FSP) da USP da Capital coordenou os trabalhos.

Em Bauru, a coordenadora científica foi a professora Nilce Emy Tomita, do Departamento de Odontopediatria, Ortodontia e Saúde Coletiva. As 24 Direções Regionais de Saúde

(DIRs) do Estado cuidaram da execução do levantamento.

A amostra final foi composta por 89.114 pessoas, de 133 municípios sorteados. Eles foram classificados segundo seu porte (pequeno, médio ou grande) e foi realizada um estratificação referente à presença ou não de flúor na água de abastecimento. Na área da DIR-X, foram examinados Bauru, Jaú, Pederneiras, Barra Bonita, Pongaí, Boracéia, Cabrália Paulista e Paulistânia. Em Bauru, 1.055 pessoas participaram do levantamento.

Próteses

Num estudo paralelo intitulado "Maturidade e envelhecimento: condições bucais e necessidade de reabilitação oral", verificou-se que quanto mais a idade avança, maior a necessidade de utilização das próteses, sejam fixas ou móveis. A afirmação parece

óbvia, mas não deveria: Nilce e Renata Pernambuco, supervisora do setor de Saúde Coletiva do Centrinho e mestranda na área, ressaltam que o normal seria manter a dentição durante toda a vida.

Elas explicam que os desdentados de hoje, boa parte dentre os idosos, são frutos de uma prática mutiladora histórica, em que o mais "fácil" era arrancar os dentes ao invés de tratá-los. Portanto, são as novas gerações que mais têm sido beneficiadas pelos avanços científicos. Assim, o aumento da expectativa de vida torna-se um desafio constante na promoção da saúde bucal, porque ela tem de ser acompanhada por qualidade e, no caso específico da dentição, da manutenção do maior número de dentes possível até o fim da vida.

A prótese apareceria como o último recurso no sentido de evitar a perda óssea posterior à extração do dente. Em alguns casos, ela pode ser substituída pelos implantes osseointegrados que, no entanto, geralmente são economicamente inviáveis.

Contrariamente ao que se costuma imaginar, as próteses fixas (pontes) ou removíveis (dentaduras) necessitam de higienização semelhante a dos dentes. Elas devem ser retiradas, lavadas com uma escova de cerdas duras e, durante a noite, colocadas de molho num copo com água misturado

à uma colher de café de bicarbonato de sódio, que evita a proliferação de bactérias.

O bolsista do Centrinho, Eric Franco, explicou que a falta de higienização pode provocar diversos problemas, como a candidíase, que descama a mucosa deixando-a cada vez mais sensível e sujeita a outros problemas. Ele salientou, ainda, que os dentes remanescentes devem ser escovados e limpos com fio dental normalmente e que os totalmente desdentados podem utilizar soluções bucais à venda no mercado.

Outro alerta: a verificação das próteses deve ser feita pelo menos a cada ano, de modo que sejam ajustadas, evitando desconforto e doenças bucais. Franco salientou que é um erro achar que a mesma prótese será utilizada para o resto da vida.

Serviço

Informações sobre os tratamentos dentários oferecidos pela USP podem ser obtidas no Setor de Triagem, pelo telefone 235-8000.

Saiba mais sobre seus dentes

*é no início da dentição que se começa a adquirir as bactérias que poderão dar origem às cáries. Por isso, é necessário manter a higiene bucal a partir do nascimento, utilizando gaze ou pano limpo para limpar a boca do bebê. Aos poucos, a criança deve ser ensinada a escovar os próprios dentes, mas deve ser supervisionada, porque o flúor em excesso é tóxico

*a "receita" para desenvolver cárie é simples: não efetuar a higiene adequada, deixando acumular os microorganismos que darão origem à placa bacteriana; essa, vai se alimentar de açúcar, resultando no surgimento de ácidos, que vão atacar os dentes. A resistência e o estado do esmalte vão determinar o aparecimento ou não da cárie e a velocidade de sua progressão

*a cárie pode atingir a polpa do dente, causando abcessos

(bolsas de pus) no tecido ósseo, abaixo da raiz dentária. Só o tratamento de canal pode resolver o problema nesse estágio

*a placa bacteriana pode, também, aderir ao dente formando o tártaro. Atingindo as gengivas, inicia-se um processo inflamatório que causa inchaço, vermelhidão e sangramento ao menor toque, chamado gengivite. O tártaro pode, ainda, formar bolsas na região localizada entre a gengiva e o dente, causando a retração da primeira e culminando com o amolecimento e posterior queda do dente, classificado como periodontite

*o excesso de alimentos extremamente ácidos pode causar um problema similar ao da cárie, provocando a desmineralização dos dentes

*como o paladar dos humanos começa a desenvolver-se a partir do quarto mês de gestação, é desejável que os alimentos doces sejam evitados. Durante a gravidez, a única restrição no tratamento bucal é quanto ao exame radiológico, especialmente no primeiro trimestre

*quem usa aparelhos ortodônticos deve evitar o consumo de alimentos duros, grudentos, bebidas espumantes, doces e a mastigação de objetos como lápis, canetas, etc

*a porosidade da língua a transforma num depositário de germes. Por isso, ela também deve ser escovada

*beijar na boca pode resultar em cárie, especialmente nos bebês

*o ideal é que as visitas ao dentista sejam feitas pelo menos a cada seis meses, porque o diagnóstico precoce facilita e barateia o tratamento

*o auto-exame permite detectar eventuais doenças bucais. Ele é realizado tateando-se e observando a pele do rosto e pescoço, lábios superior e inferior, bochechas

(internamente), gengiva, assoalho da boca, todos os lados da língua, lado inferior do queixo, céu da boca e fundo da garganta. Qualquer alteração deve ser informada a um dentista

*evitar fumo, bebidas alcoólicas, substituir próteses mal adaptadas, evitar morder continuamente os lábios, língua ou bochechas também pode prevenir o aparecimento de problemas bucais, passíveis de disseminação por todo o organismo

*os dentes devem ser escovados sempre após as refeições ou depois de consumir qualquer alimento, com escovas de dentes adequadas e cremes dentais fluoretados. O ideal é dedicar dez segundos a cada grupo de dois ou três dentes e, antes de dormir, reservar de três a cinco minutos para uma boa escovação

*Os especialistas recomendam o uso do fio ou fita dental nos espaços entre os dentes pelo menos na última escovação do dia. Palitar os dentes é perigoso somente quando a gengiva

é ferida, mas ele não consegue fazer uma limpeza eficaz

*flúor, substância que fortalece o esmalte dos dentes, deve ser utilizado, preferencialmente, após a indicação de um dentista. As soluções bucais encontradas no mercado chegam a ser dispensáveis quando a higienização

é correta

*o revelador de placa bacteriana é um bom aliado, porque permite sua visualização e, conseqüentemente, a possibilidade de escovar melhor determinadas áreas

*embora haja quem defenda a utilização de alimentos duros como cenoura e maçã para evitar o acúmulo de alimentos nos dentes, os métodos convencionais são os mais indicados