Lideranças pregam fixação do jovem na zona rural
Texto: Fabiana Teófilo
Seminário reuniu 86 jovens trabalhadores rurais em Agudos com objetivo de conscientizar sobre a importância do trabalho rural
Com a participação de 86 jovens trabalhadores rurais, representando 17 municípios do Estado de São Paulo, o 1.º Seminário de Jovens Líderes Sindicais dos Trabalhadores Rurais do Estado de São Paulo, foi realizado nos dias 11, 12 e 13 deste mês na sede do Instituto Tecnológico dos Trabalhadores Rurais do Estado de São Paulo (Itetresp), em Agudos.
A organização do evento é da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo
(Fetaesp), que tem como objetivo principal, preparar lideranças jovens para o fortalecimento dos sindicatos e para o Programa de Desenvolvimento Local Sustentável.
Durante o seminário, os participantes assistiram palestras sobre o sindicalismo mundial e discutiram sobre os problemas de cada município, enfocando as causas e consequências e já iniciando um trabalho de projetos de o que deve ser feito para empregar o Programa de Desenvolvimento Local Sustentável em cada cidade.
Os jovens participantes do seminário pretendem levar o programa para seus municípios. Durante o encontro, eles receberam informações de como empregar o programa e já levaram propostas discutidas previamente.
Os municípios de Salesópolis e Votuporanga já têm o programa implantado e os representantes afirmaram que os resultados alcançados até o momento, são satisfatórios. Eles expuseram suas experiências, incentivando os representantes dos outros municípios a fazerem parte do programa.
Programa de Desenvolvimento Local Sustentável
Lançado em 1997, o Programa de Desenvolvimento Local Sustentável
é desenvolvido pela Fetaesp, juntamente com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) com o objetivo de criar animadores do processo de desenvolvimento nos municípios.
"Queremos conscientizar as pessoas que a melhoria do seu município, sua comunidade depende deles", disse o engenheiro agrônomo, assessor de extensão rural da Fetaesp, Tetsuo Nohara.
Ele acredita que os jovens precisam ter consciência de que o desenvolvimento depende de cada um e iniciar um trabalho para conscientizar as outras pessoas da importância do empenho de cada um nesse processo.
"O trabalho realizado através do programa tem como finalidade a melhoria de qualidade de vida de todas as pessoas e em todos os sentidos. É preciso ter participação dentro da comunidade, sem excluir ninguém", disse Nohara.
Para iniciar o programa, de acordo com Nohara, é necessário fazer um diagnóstico do local, saber quais são os problemas, por que eles existem e discutir as possíveis soluções e elaborar um planejamento estratégico para o trabalho. "É importante também saber da comunidade se ela quer participar desse desenvolvimento, porque o trabalho tem que ser realizado em conjunto, as parcerias são importantes", afirmou.
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Votuporanga e Salesópolis participam do programa
De acordo com o presidente da Associação para Desenvolvimento Sustentável da Agricultura Familiar, Hémerson Fernandes Calgaro, desde que representantes de Votuporanga participaram de um seminário de agricultores familiares, no Itetresp em 1998, o Programa de Desenvolvimento Local Sustentável, foi levado para o município e, através de parcerias, foi possível a implantação.
Calgaro disse que o programa ainda está em desenvolvimento em Votuporanga. "É um trabalho contínuo, não podemos parar", afirmou. Para ele, é necessário a união dos trabalhadores rurais para que os projetos se desenvolvam da melhor maneira.
Com o patrocínio de diversos segmentos da sociedade, é possível oferecer cursos para os trabalhadores rurais, incentivando que o trabalho em equipe é capaz de mudar a situação atual, de acordo com Calgaro. Ele afirmou que a realidade de Votuporanga está mudando e acredita que com a volta dos jovens para a área rural deverá fortalecer ainda mais o comércio dos produtos produzidos no local. "É possível conseguir uma renda maior da alcançada hoje e para isso precisamos fazer com que esses trabalhadores enxergue isso", explicou.
Calgaro disse, ainda que o Brasil não teria necessidade de importar alimentos, devido a imensa área agrícola que possui. "Se as pessoas saírem do campo para a cidade, quem vai produzir os alimentos?", questionou.
Outro município que também já está com o programa em desenvolvimento é Salesópolis, onde 98% da cidade é manancial, prejudicando o desenvolvimento da plantação local. Os agricultores da região estiveram participando de cursos de capacitação oferecido pela Fetaesp e, a partir daí, iniciaram a implantação do programa na região.
De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mogi das Cruzes, Benedito de Almeida, o resultado do programa até agora é de 100%. Ele afirmou que os trabalhos desenvolvidos na região já conseguiram conscientizar muitos jovens que estão retornando para a agricultura. "Hoje, dos 60 agricultores que temos na cidade, 40% são jovens", afirmou.
Para poder realizar um bom trabalho no local, os agricultores criaram uma associação com o objetivo de auxiliar na organização, a Associação dos Produtores Rurais Orgânicos de Salesópolis (Apros). Almeida disse que os agricultores estão trabalhando para expandir o programa, mas necessitam de parcerias. "É difícil trabalhar independentemente porque não temos muito para investir", afirmou.
O principal objetivo dos agricultores de Salesópolis é produzir somente alimentos orgânicos. "É um pouco difícil porque a terra onde plantamos já está cansada de produtos químicos. Acredito que em um ano, mais ou menos, esses produtos já não existirão mais", disse.
Almeida acredita que os produtores agrícolas devem voltar
às origens de seus pais. "Espero que os alimentos transgênicos não sejam aceitos aqui no Brasil. A cultura orgânica é a única que nos dá a segurança de vida", disse. (FT)