Rapaz morre em tiroteio com a polícia
Texto: Ieda Rodrigues
Um rapaz morreu ontem à tarde, no Parque Alto Jaraguá, durante troca de tiros com dois policiais militares do serviço reservado que faziam patrulhamento no local. Informações extra-oficiais recebidas pela polícia dão conta de que o rapaz seria José Wesley Rodrigues, morador na Pousada da Esperança, mas como ele não portava nenhum documento e até o fechamento desta edição não havia sido reconhecido por nenhum parente ou amigo, não havia certeza sobre sua identidade. Um dos policiais foi ferido no braço direito, mas passa bem.
A troca de tiros ocorreu na quadra 4 da rua Juvenal Bastos, quase na esquina com a rua Edson Pereira Leite. Dois policiais militares do serviço reservado (sem farda) ocupando um Gol sem identificação de polícia estavam patrulhando a região em vista ao Fusca placas BJK 1570, que pouco antes havia sido furtado no Centro da cidade e havia informações que estaria no Alto Jaraguá. Os nomes dos policiais, por serem do serviço reservado, não foi divulgado para não atrapalhar trabalhos futuros.
Os policiais contaram que estavam em patrulhamento pelo bairro e quando chegaram na quadra 4 da rua Edson Leite depararam-se com um rapaz na rua empunhando um revólver. Quando os dois policiais se identificaram, ainda dentro do carro, o rapaz já teria começado a atirar, quando houve o revide, conforme consta em boletim de ocorrência.
Na troca de tiros, o rapaz foi atingido por quatro ou cinco projéteis que teriam acertado o peito, barriga e mão (o Instituto Médico Legal ainda não havia divulgado o laudo da necrópsia). O policial que ocupava o banco do passageiro do carro foi atingido no braço direito. A Polícia Técnica identificou quatro perfurações à bala no veículo - dois feitos de fora para dentro, que seriam de tiros disparados pelo rapaz, e dois de dentro para fora, de tiros disparados pelos policiais.
Os policiais disseram ao delegado Marcelo Haddad, do 1.º Distrito Policial, onde a ocorrência foi registrada, que a troca de tiros foi muito rápida, não havendo tempo nem para sair do veículo. Ao ser atingido pelos tiros disparados pelos policiais, o rapaz ainda caminhou alguns passos, quando finalmente foi abordado. Ele foi socorrido ao Pronto-Socorro da Bela Vista, onde foi constatada a morte.
O policial ferido foi encaminhado ao Pronto-Socorro Central, onde foi medicado e liberado, apesar de estar com um projétil alojado no braço. Uma menor ouvida pelo delegado titular do 1.º Distrito Policial, Marcelo Haddad, nas proximidades de onde os fatos ocorreram disse que viu o rapaz morto com a arma na mão caminhando pela rua. Ela contou que, quando percebeu que o rapaz armado se aproximava de um carro (o ocupado pelos policiais), entrou na casa de sua sogra, que fica na mesma quadra, com medo que algo ocorresse e logo em seguida ouviu os tiros.
Armas
Outra menor disse ao delegado que é prima do rapaz morto e que, momentos antes da troca de tiros, ele havia desentendido-se com um desconhecido e por isso estava com a arma em punho. A menor foi localizada no Pronto-Socorro da Bela Vista, onde o rapaz baleado foi socorrido, mas não soube informar onde ele morava. O corpo do rapaz permanecia no IML para identificação.
As três armas - o revólver Rossi calibre 38, com cinco cartuchos deflagrados usado pelo rapaz e o revólver 38 e uma pistola 380 usados pelos policiais - foram apreendidos para perícia. Marcelo Haddad ainda não sabia quantos tiros ao todo foram disparados.
O delegado solicitou exame residuográfico das mãos dos policiais e do rapaz morto. Conforme explicou Haddad, será instaurado inquérito para que os fatos sejam apurados. Como a identidade do rapaz não havia sido confirmada, não havia como levantar sua ficha, para saber se tinha ou não passagem pela polícia.
PM abre inquérito
O capitão Manoel Messias Mello, sub-comandante interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar, disse que paralelamente ao inquérito policial aberto pela Polícia Civil, a Polícia Militar vai instaurar um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos. O objetivo é saber se os policiais agiram no estrito cumprimento do dever e legítima defesa.
Capitão Messias explicou que os policiais do serviço reservado estavam em patrulha pelo Parque Alto Jaraguá porque havia informações de que o Fusca furtado no Centro havia sido levado para o bairro. O rapaz morto, segundo Mello, passou a disparar assim que os policiais se identificaram.
Mesmo baleado e após ter efetuado cinco disparos, o rapaz
"picotou" o revólver, colocando a arma quase na cabeça de um dos policiais, contou o capitão. A ocorrência de ontem foi a terceira morte de civil em confronto com a Polícia Militar neste ano em Bauru. (IR)