07 de julho de 2026
Geral

Geada

Por Erika de Lima | Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 5 min

Horticultores estão na expectativa

Texto: Erika de Lima

A seca aliada à geada dos últimos dois dias, que atingiu pastagens, canaviais, culturas de hortaliças e legumes em diversos municípios da região, afetou mais os horticultores, que agora estão na expectativa, aguardando a avaliação dos estragos.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB), Maurício Lima Verde Guimarães, o reflexo imediato da geada ocorreu com a horticultura. E, os produtores estão aguardando um levantamento para saber a quantidade de produção perdida. "Não temos como avaliar as perdas, mas sabemos que nesses dois dias de geada os mais prejudicados foram os produtores de horticultura", avalia.

O produtor de cana-de-açúcar, Avelino Feltre, que tem produção em uma área com mais de 500 hectares, relata que a geada causou muitos danos à sua plantação também. "Pudemos ver as palhas da cana branquinhas, que duram um mês. Entretanto, o miolo vai apodrecendo e há um processo de regressão até a cana ficar estragada", desabafa.

Mesmo com a grande procura de hortaliças por comerciantes de outros estados, Lima Verde acredita que esses alimentos não deverão faltar no mercado. "Por causa dos estragos causados pela geada, há pessoas do Sul querendo buscar verduras e legumes aqui na região", conta.

Nas regiões em que as hortaliças são produzidas em estufas, não haverá problemas e, possivelmente não faltará o alimento. Em Bauru não há mecanismos de defesa contra esse fenômeno da natureza, portanto, muitas hortaliças foram prejudicadas.

De acordo com Lima Verde, a maioria dos produtores que cultivam hortaliças na região é de pequeno porte e, por isso, não têm condições de comprar equipamentos caros e manter sua produção em estufas.

"Há quase dez anos não tínhamos uma geada dessa grandeza e muitos produtores não estavam preparados. Nos mantemos na expectativa, para checar o que restou das plantações e verificar o que ainda não queimou", ressalta.

Lima Verde, que também é vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), verificou que já houve um aumento de mais de 50% em algumas hortaliças como almeirão, alface e espinafre. No entanto, a variação dessa porcentagem varia entre 20% e 30% no setor da horticultura.

Cana-de-açúcar

O presidente da Associação dos Plantadores de Cana-de-Açúcar

(Associcana), Paulo Brandão, salienta que a seca também colaborou para o estrago da produção de cana. Ele vê que os produtores deverão aguardar para plantar cana novamente, bem como esperar pelos resultados do levantamento.

"De fevereiro à abril, os produtores tiveram que replantar o produto novamente por causa da seca e devido a geada também deverão fazer o mesmo", ressalta.

Brandão frisa que não há um levantamento ainda sobre a intensidade dos estragos provocados pela geada.

"Só após uma pesquisa saberemos quantas produções estragaram e quais providências tomar", afirma.

O produtor Feltre teme sair muito prejudicado com a geada, que levou grande parte de sua produção de cana-de-açúcar.

"Na seca deste ano, a perda da produção de cana girou em torno de 35% e na geada também foi grande a perda", observa.

O produtor também lembra que os juros altos dos financiamentos por causa da geada. "Os juros variam de 1,5% a 2,5% e, com a geada não conseguimos colher o que plantamos, portanto, não há como conseguirmos pagar o financiamento", observa.

A Associcana garante que analisará a situação dos produtores que financiaram suas plantações e dará assistência para aqueles mais prejudicados.

"Dependendo do estrago da plantação, poderemos intervir, sugerindo uma prorrogação do pagamento, por exemplo, caso o financiamento tenha sido feito com o Governo. Mas por enquanto temos que aguardar", conclui.

Geadas elevam hortigrangeiros em 66%

Texto: Josefa Cunha

As geadas que ocorreram no início desta semana na região abalaram os preços de vários hortigrangeiros. Em média, os legumes já estão custando 66% a mais para os permissionários do Ceasa de Bauru, e a previsão

é de que os produtos sofram novas altas nos próximos dias. Os maiores aumentos, aliás, deverão ser percebidos a partir de amanhã, quando a central de abastecimento estará recebendo os produtos colhidos entre segunda-feira e ontem, dias marcados por madrugadas geladas.

O gerente do Ceasa em Bauru, Édson Antônio Guarido Ribeiro, acha que os reflexos do frio nos preços dos hortigrangeiros só poderão ser avaliados precisamente com a chegada dos lotes de amanhã. Isso, porque os produtos comercializados anteontem na central foram colhidos no final de semana, ou seja, antes das fortes geadas.

O preço das verduras, por exemplo, se manteve inalterado na última segunda-feira, mas com certeza sofrerá elevação a partir da nova remessa. "Não dá para saber ainda qual foi o real prejuízo das geadas para as folhas. Só vamos mesmo saber na quinta-feira, quando o produtor nos apresentar os preços", explicou.

Mesmo sem ter estimativas certas, Ribeiro pôde dar uma mostra das conseqüências pouco econômicas para o consumidor final. Produtos como a cenoura, o tomate salada, o pimentão verde, a abobrinha brasileira e a vagem sofreram altas consideráveis. No último dia 10, por exemplo, a caixa com 20 quilos da abobrinha brasileira estava sendo vendida a R$ 18,00, mas uma semana depois já era comercializada a R$ 25,00, num aumento de 39%. Com a vagem, a alta foi ainda maior, saltando de R$ 15,00 para R$ 18,00 (caixa com 15 quilos), numa alta de 87%. O preço do tomate salada, no entanto, foi o que mais subiu, disparando de R$ 6,00 para R$ 16,00, o equivalente a 167% de aumento.

Se a temporada de geadas continuar, os consumidores terão que se conformar em ampliar o orçamento com a feira ou reduzir os produtos na mesa, uma vez que o problema atinge praticamente todos os hortigrangeiros. Os preços das frutas - no caso, as que são armazenadas em câmaras frias - são os únicos que poderão ficar de fora dos aumentos. Suas culturas, entretanto, estão sujeitas aos ataques das geadas, um problema que poderá trazer prejuízos nas colheitas do ano que vem.