08 de julho de 2026
Geral

Marketing político

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Unesp vai debater marketing político

Texto: Nélson Gonçalves

O título é tema de debate sobre marketing político que será realizado pela Unesp-Bauru, com coordenadores de campanha

Como o candidato deve se portar no corpo-a-corpo com os diferentes perfis do público-eleitor? Um candidato a prefeito deve mudar seu visual (cabelo, barba, roupa, etc.) para a campanha eleitoral? Quais estratégias de comunicação devem ser utilizadas para divulgar o produto batizado de candidato durante o período eleitoral? Estas e outras indagações serão discutidas em um debate que está sendo promovido por universitários do 3º ano de Relações Públicas da Unesp-Bauru. O debate Marketing Político

- Saiba quem está por trás do seu candidato, será realizado no campus da Unesp, na sala 1, às 19 horas, no próximo dia 24 de julho.

A organização do evento é de alunos do 3º ano do curso de Relações Públicas da Unesp-Bauru, sendo Hugo Feliciano, Inaiá Santana, Otília Nemes e Paloma Muiña. A coordenação faz parte da disciplina Técnicas de Relações Públicas, ministrado pela professora Celina Marta Correa. A mesa redonda vai contar com a mediação do jornalista Paulo Toledo, editor de economia do JC, com a participação de profissionais da área de marketing político.

Estão convidados para compor a mesa redonda, Antonio Della Barba (publicitário), Lupércio Zam Pierie (agência de comunicação) e Reginaldo Tech (profissional de comunicação). Nas informações prestadas pelos participantes aos organizadores, Antonio Della Barba destaca trabalhos em campanha eleitoral com personagens políticos como Paulo Maluf e Jânio Quadros. Lupércio Zam Pierie elencou trabalhos profissionais com Tidei de Lima e Faria Neto em campanhas de prefeito e João Mellão. Reginaldo Tech tem atividade na área de assessoria de comunicação e atua na campanha a prefeito de Pedro Tobias.

Conforme os organizadores do evento, a intenção da mesa redonda é discutir a estrutura de campanha e as estratégias de cada candidato, aproveitando o ensejo do período onde a cidade vai escolher seu próximo prefeito, em 1 de outubro deste ano. A imagem do candidato, a agenda de campanha e o programa de rádio e, sobretudo, de televisão serão debatidos. O debate visa proporcionar aos interessados uma discussão sobre os elementos de uma campanha eleitoral.

A imagem do candidato, na televisão, e o corpo-a-corpo com o eleitor nas ruas são dois itens importantes da campanha e serão debatidos pelos profissionais da área. Especialistas do ramo, em campanha política, chegam a citar cinco elementos principais para o sucesso do candidato em uma eleição. Os marketeiros tratam o candidato como um produto. Assim, quanto mais qualidades o pretendente a um cargo público tiver, maiores as condições para que ele seja absorvido, assimilado pelo eleitor, em uma campanha.

Produto chamado candidato

Os especialistas costumam nomear os principais itens da campanha: produção do programa de televisão, agenda diária do candidato e material de campanha, elaboração e divulgação de propostas de governo, humildade e comunicação fácil com o eleitor e disposição em trabalhar quase ininterruptamente durante o período de campanha. Para quem convive com o período eleitoral, ele se torna curto para atingir todos os cantos da cidade e muito cansativo para o candidato e sua equipe.

O programa de televisão envolve um dos maiores custos da campanha. Um dos problemas do interior do Estado é que os candidatos não contam com profissionais em número suficiente, sobretudo jornalistas, para trabalhar apenas em 60 dias de campanha, nesta época. A presença de poucos profissionais disponíveis para esta atividade não deixa de ser um paradoxo em uma cidade onde dezenas de jornalistas são graduados todos os anos. A preferência dos partidos

é por profissional que conheça os adversários e a história política da cidade. Assim, é muito comum um representante de partido ou coligação se transformar no estrategista do programa de televisão.

Outro ponto é que profissionais de televisão costumam pedir um valor considerado elevado para trabalhar em campanha eleitoral. Quanto mais famoso for o profissional da telinha, maior será o preço de seu passe. Outra alternativa, esta mais comum nos grandes centros, é a campanha apresentar profissionais do mundo artístico em campanha. Cantores e atores de telenovela são os mais assediados.

O ponto em comum é que a produção para o programa de televisão é caro. Uma estrutura profissional envolve vários jornalistas para matérias de externa

(rua), assessoria de imprensa e âncora (jornalista que comanda o programa no estúdio). Além disso, a produção tem contar com pelo menos três câmeras (máquina e operador), iluminador, produtor de estúdio, editor e profissional de computação gráfica. Alguns candidatos ainda têm cacife para tanto, sendo necessária a colaboração de algum membro do empresariado. O diretor do programa é escolhido a dedo, com cuidado. Em geral, as campanhas formam uma espécie de conselho consultivo para discutir a estratégia do programa de televisão, com a participação de poucas pessoas, afinadas com o candidato e de sua confiança.

A imagem do candidato na televisão e as estratégias para o programa geram um cuidado extra. Na campanha a prefeito passada, por exemplo, Faria Neto teve seu visual modificado para a disputa pela Prefeitura. Foi aparado o bigode e o cabelo. Para muitos, o candidato perdeu seu jeito simples, uma característica que deveria ser mais explorada junto a periferia, que reúne a maior massa de eleitores. Ricardo Carrijo também sofreu na disputa. Quando se aproximava de Antonio Izzo Filho nas pesquisas, o candidato a prefeito na época pelo PSDB sofreu um ataque de cunho pessoal.

Aliás, em campanha eleitoral os candidatos costumam repetir que não vão atacar ninguém, mas que estão preparados para rebater a altura se forem provocados. A questão

é que nem sempre os candidatos têm a tranquilidade suficiente para distinguir, no meio da campanha, ataques de conteúdo político de questões pessoais. Insinuar que determinado candidato é ladrão ou tem problemas conjugais, por exemplo, é muito diferente de criticar sua proposta de privatização de um determinado setor, ou até mesmo sua aposentadoria como deputado.

Assim, em campanha eleitoral, os assessores guardam uma boa parte do tempo atentos a um arsenal de informações que possibilitem ataques. A questão é que, em muitos casos, a estratégia apela para o conteúdo moral e pessoal. Em uma campanha a prefeito, como a de Bauru, a utilização adequada do tempo de uso do programa de televisão é fundamental. Serão 19 dias de programas, às segundas, quartas e sextas-feiras. Quem não souber elaborar a informação perde tempo, dinheiro e efeito de comunicação. Para muitos marketeiros, em campanha eleitoral o candidato é apenas mais um produto. Assim, nem sempre o conteúdo é importante, mas falar e se posicionar do jeito que o povo quer ouvir.