07 de julho de 2026
Geral

Drogas

Ieda Roderigues
| Tempo de leitura: 4 min

PM apreende crack que renderia 3 mil pedras

Texto: Ieda Rodrigues

A Polícia Militar fez, ontem à tarde, no Parque Santa Edwirges, a maior apreensão de crack dos últimos anos de Bauru. A droga apreendida, pelos cálculos dos policiais, renderia pelo menos três mil pedrinhas semelhantes às vendidas pelos traficantes a R$ 10,00 cada uma. A pedra grande de crack pesou 1,080 quilo e estava avaliada em R$ 30 mil.

A droga foi apreendida com vendedor autônomo Reginaldo Félix de Faria, 30 anos, conhecido por "Gordo", e o mecânico Odair José da Silva, 19 anos, ambos moradores no Parque Santa Edwirges. Faria dirigia a motocicleta placa CIF 0219, de Bauru, pela quadra 8 da alameda Acrópolis, tendo Silva, que estava sem capacete e carregava um saquinho de papelão, como passageiro.

O cabo Taveira e o soldado De Fávari, do Grupo Especializado de Policiamento Motorizado (Gepom) Noroeste, que faziam patrulhamento de rotina pelo local, abordaram os dois pelo fato de Silva estar sem capacete e haver denúncias que "Gordo" fazia tráfico de entorpecentes. Na abordagem, os policiais descobriram que dentro do saquinho de papelão, embrulhando em plásticos, havia uma pedra grande de crack.

Na abordagem, os dois alegaram aos policiais que o crack era fermento para pão. Além da droga, foram apreendidos R$ 160,00 com Silva, que ele disse pertencer a seu pai. O tenente Hudson Covolan, comandante da Base Comunitária Noroeste, disse que tinha informações, desde novembro do ano passado, que "Gordo" fazia tráfico de drogas.

Na época, ele teve cerca de R$ 12 mil furtados de sua casa. Dias após o furto, quatro pessoas foram presas com parte do dinheiro, confessaram o delito e contaram que a quantia furtada seria utilizada por "Gordo" para a compra de crack em Ribeirão Preto. Depois disso, ele foi preso por roubo, mas acabou sendo liberado.

Já o outro rapaz preso, Odair José da Silva, não tem passagens pela polícia e teria confessado aos policiais que estaria envolvido em tráfico porque precisava de dinheiro para pagar dívidas. "Gordo" e Silva seriam parentes, fato não confirmado por eles. "Gordo" disse ao JC que conhecia Silva de vista e quando foi abordado pelos policiais havia acabado de dar uma carona a Silva. Questionado sobre o conteúdo do saco de papelão, "Gordo" afirmou que pensou tratar-se de fermento para pão. Já Silva, não quis comentar sobre a droga apreendida.

Rota de Ribeirão Preto

A Polícia Militar acredita que o crack apreendido ontem no Parque Santa Edwirges seja da chamada rota Ribeirão Preto/Bauru. A droga deveria ter chegado a Bauru a pouco tempo e estaria sendo transportada para ser dividida em pedras pequenas e embaladas, para ficarem prontas para venda, na avaliação do tenente Hudson Covolan, comandante da Base Comunitária Noroeste.

Para a polícia, a droga seria vendida na região do Parque Santa Edwirges e Parque Jaraguá. A mãe de Silva, Maria José Silva, disse ao JC que não sabia que seu filho estava envolvido com tráfico e confirmou que ele estava endividado. Ela contou que, até completar 18 anos, Silva trabalhava como mecânico, mas depois passou a viver da renda da locação de um bar.

Segurança Pública manda apertar o cerco contra crack

O secretaria de Segurança Pública, Marco Vinício Petreluzzi, em setembro do ano passado, determinou à Polícia Civil que apertasse o cerco aos traficantes de crack, por ser considerada a droga que mais desencadeia outros crimes. Desde então, a Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru vem realizando operações específicas para prender traficantes da droga.

Neste ano, a Dise apreendeu 906,300 gramas de crack, portanto quantidade um pouco menor à apreensão de ontem. De acordo com o delegado Carlos Alberto Abrantes, delegado assistente da Delegacia Seccional, a orientação da Secretaria de Segurança Pública, para dar prioridade ao combate ao crack, continua.

A preocupação com a droga é porque ela é altamente viciante (causa dependência já na segunda ou terceira vez de uso). O dependente faz qualquer coisa, como furto, roubo e até assassinato, para obter dinheiro e comprar o crack. A Polícia Civil não divulgou dados estatísticos das maiores apreensões, mas, provavelmente, a de ontem tenha sido a maior dos últimos três anos.

Crack apreendido pela Dise em 2000

* Janeiro - 111,600gr

* Fevereiro - 7,400gr

* Março - 45,400gr

* Abril - 15,800gr

* Maio - 71,400gr

* Junho - 654,700gr

Fonte: Delegacia Seccional