Linha de pipa com cerol fere pescoço de motociclista
Texto: Rita de C. Cornélio/Ieda Rodrigues
Por pouco a linha cortante não atingiu a artéria aorta do pescoço do motociclista. Ocorrência foi no Jardim Silvestre
Apesar de todos os alertas que vem sendo feitos pela mídia, há crianças e adolescentes empinando pipa usando linha com cerol (pó de vidro moído misturado à cola). Ontem, no Jardim Silvestre, próximo ao Núcleo Mary Dota, um motociclista sofreu lesão no pescoço e por pouco não perde a vida.
O pedreiro Adauto Espada Jr., 24 anos, pilotava sua moto a caminho do trabalho, no Jardim Silvestre, por volta do meio-dia, quando sentiu algo estranho em contato com seu pescoço. "Parei o corpo e larguei a moto. Só percebi que era linha de cerol quando vi alguns meninos de 1,70 metros empinando pipa. Ainda bem que foi próximo de minha casa, aqui no Mary Dota", disse.
A moto continuou e caiu, a vítima conseguiu se manter em pé. "Fui pegar a moto e senti que o sangue escorria do meu pescoço. Olhei no retrovisor e vi o estrago que a linha tinha feito no meu pescoço. Corri para o atendimento médico e passei pela sutura (ele foi atendido no Pronto-Socorro do Mary Dota)", contou Espada Jr.
O pedreiro sofreu lesões em dois locais no pescoço.
"Por pouco não atingiu a artéria aorta. Eu acho que se não tivesse soltado a moto, teria meu pescoço decepado pela linha de cerol", acredita. Ele contou que se assustou muito com o acidente e registrou o fato na polícia.
"Eu acho muito perigoso esse tipo de brincadeira. Se eu não tivesse sido rápido, a linha teria cortado meu pescoço", alerta para o perigo.
O entregador Marcos da Silva Rio, 25 anos, também mototaxista, procurou o JC para pedir aos pais que fiquem mais atentos
às brincadeiras de seus filhos, para que não usem cerol na linha da pipa, e solicitar à polícia uma fiscalização mais intenso. Ele contou que nos últimos dias viu meninos empinando pipa com cerol em vários bairros, dentre eles Vila São Paulo e Vila Cardia.
Vítima de acidente com linha com cerol em janeiro do ano passado - sofreu cortes na mão e pescoço -, Rio contou que dirige atento ao trânsito e à linha cortante.
"Outro dia deparei-me com dois moleques quebrando lâmpada para fazer cerol na Vila Cardia. Chamei a polícia, mas fui embora e os policiais ainda não haviam aparecido", afirmou.
Para o entregador, que trabalha o dia todo percorrendo os bairros, o perigo de acidentes com linha com cerol é ainda maior nas rodovias que cortam a cidade. Como na rodovia as motos transitam em maior velocidade, se ocorrer um acidente o risco de ferimentos graves e morte é muito maior, acredita ele. Rio contou que já presenciou meninos soltando pipa com cerol nas margens da rodovia Bauru/Iacanga e Bauru Marília. Por isso, ele solicita que a Polícia Rodoviária intensifique a fiscalização.
Crime
O Código Penal define como crime de perigo para a vida ou saúde de ontem quando alguém expõe a vida de terceiros a perigo direto e iminente. A pena é de detenção de três meses a um ano, se o fato não constituir crime mais grave. Isto significa que se a linha cortante provocar uma lesão, o crime passa a ser de lesão corporal. Se a linha conseguir matar, o crime passa a ser de homicídio.
O simples fato de estar portando a linha cortante já configura crime, definido no Código Penal pelo artigo 132. A lesão corporal, crime previsto no artigo 129, prevê pena de detenção de três meses a um ano. Já o crime de homicídio prevê a pena de reclusão de seis a 20 anos. Os pais podem vir a ser responsabilizados no caso de o menor estar portando linha com cerol.