08 de julho de 2026
Geral

Farmácias

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Farmácias de manipulação têm que mudar até janeiro

Texto: Patrícia Zamboni

Resolução publicada pelo Ministério da Saúde em abril dá prazo até janeiro de 2001 para que farmácias se adaptem a novas regras

A partir de fevereiro do próximo ano, todas as farmácias de manipulação deverão estar atuando, obrigatoriamente, de acordo com as novas regras estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. De acordo com a coordenadora do Conselho Regional de Farmácias (CRF) em Bauru, a farmacêutica Neusa Maria Papin Mendes, em abril deste ano o Ministério da Saúde publicou a Resolução 33/2000, que trata sobre mais de 200 regras que deverão ser seguidas pelas empresas do setor para garantir a qualidade dos medicamentos produzidos, das substâncias utilizadas para fabricá-los e dos serviços oferecidos. Quando a resolução saiu publicada, foi estipulado o prazo de nove meses (que termina em janeiro de 2001) para a adequação das farmácias de manipulação de todo o País.

Através da Resolução, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária elaborou um manual, intitulado

"Boas Práticas de Manipulação em Farmácias", com as regras que esses estabelecimentos deverão seguir para poder continuar funcionando. Entre essas regras estão orientações quanto à higiene da água usada nas farmácias, sobre o modo de armazenamento das substâncias utilizadas na produção dos remédios, laboratórios separados para a manipulação de sólidos e líquidos, treinamento dos funcionários e um rigoroso controle dos instrumentos de pesagem das substâncias utilizadas na fabricação dos medicamentos para evitar erros de dosagem.

Na opinião de Neusa Mendes, as novas exigências irão beneficiar os consumidores, já que as normas e o controle de qualidade passarão a ser bem mais rígidos. Além disso, segundo ela também serão feitas fiscalizações periódicas nas farmácias através de órgãos competentes. Porém, a coordenadora do CRF observa que nove meses é um tempo muito curto para que sejam feitas todas as adaptações. Além disso, ela cita que para as pequenas farmácias essa readequação será muito difícil, já que os investimentos para isso giram em torno de R$ 30 mil a R$ 50 mil, dependendo das condições atuais de cada estabelecimento.

"Vai ser difícil para os pequenos continuarem no mercado porque os custos são muito altos. Só na compra de equipamentos, o valor do investimento gira em torno de R$ 25 mil. Por outro lado, é necessário um controle mais rígido para que o consumidor encontre qualidade. Tem muitas farmácias por aí que nem deveriam estar de portas abertas porque não possuem o mínimo necessário para exercer suas atividades com segurança e desenvolver um trabalho com qualidade", observa Neusa Mendes.

Para ela, irão permanecer atuando nesse segmento somente as farmácias que realmente conseguirem seguir as novas regras de qualidade, o que resultará em benefícios para os usuários de medicamentos manipulados. "Só vai permanecer, a partir de fevereiro, quem realmente tiver condições de fazer medicamentos corretos, dentro de todos os padrões de qualidade exigidos. Isso é muito bom e o Conselho Regional apóia totalmente a Resolução. Só o tempo curto que foi disponibilizado para as farmácias se adaptarem é que causou uma situação um pouco difícil, porque existem muitas coisas a fazer", observa Neusa Mendes.