Cohab tem 70% dos cargos de confiança em situação irregular
Texto: Daniela Buchembuzo
Investigação feita pelo Ministério Público do Trabalho aponta que 70% dos 43 cargos de confiança da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) estão em situação irregular. O levantamento foi efetuado após diligência realizada na última sexta-feira, na empresa, por dois promotores do Trabalho e um fiscal da subdelegacia do Ministério do Trabalho em Bauru. Com salário médio de R$ 2 mil, esses funcionários de confiança atuam em funções de auxiliar de patrimônio, almoxarife e até mesmo mecânico. Para o MP do Trabalho, esses cargos poderiam ser exercidas por funcionários concursados e indicam "resquícios de indicação política".
Em 12 anos, companhia contratou 2 concursados
As investigações do Ministério Público do Trabalho apontaram que, desde 21988, a Cohab contratou 82 pessoas. Desse total, apenas duas contratações foram efetuadas por concurso público e 12 por processo seletivo.
Para os promotores, o baixo número de funcionários concursados ou selecionados denota uso político da companhia. Isso por que desde 1988, com a promulgação da Constituição Federal, passou-se a exigir que empresas de patrimônio municipal, estadual ou federal contratem funcionários por meio de concurso público. "É uma forma de evitar o nepotismo", comenta o promotor do trabalho Luís Henrique Rafael.
Segundo informações da assessoria de imprensa da Cohab, desde fevereiro de 1999, a direção da empresa já demitiu 145 funcionários. Desses, 130 foram mandados embora durante a administração de Daltair Vallin
(fevereiro a setembro de 1999), nove na gestão de Arialdo Mercadante (setembro de 1999 a fevereiro de 2000) e seis por Constante Mogione, atual presidente.
Apesar das demissões, os presidentes contrataram 47 pessoas
(41 na gestão de Vallin, cinco através de Mercadante e 1 por Mogione), resultando em um enxugamento real de 98 funcionários.
Para o MP do Trabalho, é possível enxugar ainda mais o quadro funcional composto pelos cargos de confiança, já que 70% desses funcionários estão em situação irregular. "Muitos deles exercem funções de rotina que poderiam ser feitas por funcionários concursados", diz Rafael. (DB)
Empresa não comenta o caso
A direção da Cohab informou, por contato telefônico feito pela reportagem, que prefere não comentar os resultados das investigações do Ministério Público do Trabalho. A companhia só dará sua versão dos fatos após receber o relatório enviado pelos promotores.
"Até o momento, não recebemos nenhum relatório dos promotores. Portanto, não posso confirmar ou negar as informações prestadas por eles ao jornal. Por isso, fica difícil comentar algo de maneira oficial", disse José Carlos Dias, diretor-administrativo da Cohab.
Dias confirmou que promotores do MP do Trabalho e um fiscal da subdelegacia do Ministério do Trabalho em Bauru estiveram na empresa, na última sexta-feira, para efetuar diligência.
"Realmente, a diligência foi feita na sexta-feira, mas pensamos que se tratava de algo rotineiro. Eles tiveram acesso a toda documentação e conversaram com funcionários.
É isso que tenho a dizer", encerrou o diretor-administrativo.
Dias se comprometeu com a reportagem a comentar o caso assim que recebesse documentação do MP do Trabalho sobre o assunto. (DB)