Prédio do antigo Napio é invadido revirado
Texto: Ieda Rodrigues
O prédio onde funciona o Departamento de Prótese do antigo Núcleo de Apoio a Pesquisas de Implante Odontológico
(Napio), órgão ligado à Universidade de São Paulo (USP) e que está passando por auditoria por suspeita de irregularidades, foi invadido e revirado no último dia 13 por pessoas não identificadas. Apesar de muita coisa ter sido deixada fora de lugar e de terem tentado entrar em programas de computador do órgão, nada foi furtado.
Como o crime é de autoria desconhecida, está sob a responsabilidade da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), que hoje deve ouvir funcionários do Departamento de Prótese, para dar prosseguimento à investigação, conforme explicou o delegado J.J. Cardia. A invasão do prédio foi comunicada à polícia por três funcionários do órgão.
Eles disseram que no dia 12, às 17h30, deixaram o Departamento de Prótese do antigo Napio deixando a porta trancada à chave, que foi deixada guardada no departamento financeiro. Ao chegar para trabalhar, no outro dia pela manhã, constataram que a porta continuava trancada, mas uma das salas do Departamento de Prótese havia sido inteiramente reviradas.
Ainda de acordo com os três funcionários, algumas gavetas de armários foram abertas e disquetes e CDs foram jogados no chão. Além disso, o computador foi achado ligado, na tela na qual pede a senha de quem está acessando. J.J. Cardia espera, com o depoimento de funcionários do Departamento de Prótese e o laudo da Polícia Técnica, ter mais informações para nortear as investigações, visando chegar a pessoa ou pessoas que reviraram o prédio e se há ligação desse caso com as denúncias de suspeitas de irregularidades no órgão.
As denúncias de irregularidades na administração do Napio, oficialmente desativado em 1997, vieram à tona em outubro do ano passado, apontando suposto desvio de recursos e equipamentos por parte do professor e coordenador do núcleo, Aguinaldo Campos Junior. Teriam circulado pelo Napio cerca de US$ 2 milhões oriundos do Sistema Único de Saúde
(SUS) e de convênios com instituições.
A Reitoria da USP abriu sindicância para investigar o caso, mas ainda divulgou as conclusões chegadas. Também foi aberto inquérito policial para apurar as denúncias. Há pouco mais de um mês, o delegado Dinair José da Silva, do 3.º DP, que conduz o inquérito, recebeu cópia da sindicância realizada pela Reitoria da USP.
O delegado está apurando os fatos, mas conforme explicou, além dos dados da sindicância, mais pessoas serão ouvidas para que o inquérito seja concluído. Anteriormente, Campos Junior havia denunciado que ocorria desvirtuamento das atividades extra-curriculares por professores da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB-USP). Alguns professores não estariam cumprindo o regime de dedicação integral
à docência e à pesquisa, fato que estaria propiciando aumento significativo de seus rendimentos.