07 de julho de 2026
Geral

Beleza

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Tinta no cabelo contribui para dermatites

Texto: Rita de Cássia Cornélio

As instruções de uso e os testes são ignorados pela maioria dos usuários de tintura para cabelo e pelos cabeleireiros

Aproximadamente 20% das mulheres que tingem os cabelos desenvolvem algum tipo de dermatite, provocada pela química da tintura em contato com a pele. Fazer o teste antes de usar a tintura é a forma mais fácil de prevenir problemas futuros.

O teste tem que ser feito, de preferência, uma semana antes da aplicação da tintura. O alerta é da dermatologista Maria Tereza Nakandakari, que junto com a dermatologista Maria Sílvia Negrão desenvolvem estudos das doenças que atingem o cabelo, no Instituto Lauro de Souza Lima.

A médica lembra que as alterações não atingem somente a pele mas também o próprio cabelo.

"Dependendo do tipo de cabelo, as alterações são maiores. As tinturas permanentes danificam os fios e só um corte poderá recuperá-los. Os vários produtos existentes no mercado amenizam os efeitos, mas não resolvem o problema", disse.

O cabelo de japonês é mais difícil de ser agredido. "Ele é mais resistente às tinturas, ao permanente e até ao sol. O cabelo dos negros é mais fino, mais frágil e geralmente aquele que é o mais agredido. Os alisamentos e tinturas agridem os fios, enfraquecendo-os. O cabelo se torna mais seco e mais fácil de quebrar-se", explicou.

Os constantes alisamentos, tinturas e permanentes neste tipo de cabelo podem provocar a síndrome da degeneração folicular. "O negro faz muito alisamento. Puxa demais os cabelos e usa produtos quentes que alteram o folículo peloso. Isso pode causar um trauma no couro cabeludo e resultar numa área sem cabelo", alerta a especialista.

As alterações na pele podem ocorrer, segundo a dermatologista, no couro cabeludo, no pescoço e até no corpo todo.

"Onde houver o contato com a tintura. Mas se a pessoa continuar mantendo o contato, uma vez por mês, por exemplo, poderá desenvolver uma alergia. Se a pessoa já for alérgica, as alterações podem dissiminar-se pelo corpo todo, mas isso não é muito comum", disse.

Ela frisa que as tinturas agridem a queratina da pele. "Se a pessoa já tem uma dermatite seborréica intensa, conhecida como caspa, uma tintura pode desencadear, mais facilmente, uma alergia. A maioria das pessoas não aceita que a tintura faça mal. São pessoas que já estão com cabelos brancos e usam a tintura pelo menos uma vez por mês", afirmou a médica Maria Tereza.

Se a substância que causa a irritação permanecer em contato com a pele, mantendo a dermatite, ela poderá se tornar crônica. "Se o estímulo é excessivo, ela pode disseminar", disse. O cuidado com o contato com a química também deve ser tomado pelos cabeleireiros.

"Eles devem usar luvas para se prevenir", ressaltou.

Para as pessoas que tingem os cabelos em casa, sem a ajuda de um profissional, a dermatologista indica o uso das tinturas não permanentes. "Leiam as instruções, em primeiro lugar. O uso das tinturas temporárias é o mais indicado, mesmo porque elas ficam depositadas sobre o fio e não provocam a abertura da cutícula", orienta.

Teste

A cabeleireira Ana Maria Tofanelo garante que faz o teste da tinta em suas clientes. "Quando elas vão tingir o cabelo pela primeira vez eu faço o teste. Aplico a tinta atrás da orelha e na parte interna do braço", contou.

Ela também cuida-se para não ter problemas. "Uso luvas para tingimento, a fim de evitar alergias nas mãos", disse. Segundo ela, que já tem 30 anos de profissão, várias pessoas apresentam alergias à tintura. "É importante que se faça o teste", recomenda.

A cabeleireira alerta para o perigo da tintura feita em casa.

"Além dos riscos de alergia, a mistura de tintas exige conhecimento. Muitas vezes as mulheres não sabem misturar as tintas e acabam obtendo cores não desejadas", disse. Janaine Mesquita Lobato usa tintura no cabelo há mais de um ano. "Nunca fiz o teste e nunca tive problema. Sempre usei cores mais claras do que o natural", relatou.

Tintura permanentes são as mais agressivas

As tinturas de cabelo podem ser dividida em permanentes e temporárias, segundo a farmacêutica Paula Renata A.N.R. Carazzatto. As tinturas temporárias podem apresentar-se de várias formas, inclusive como xampu, que é uma forma rápida e de fácil aplicação.

Já as tinturas permanentes são as mais agressivas. Contém amônia e é ela que abre a cutícula do cabelo. "O fio de cabelo é formado por cutículas como escama de peixes. A amônia abre a cutícula do fio e deixa entrar o agente oxidante, normalmente, a água oxigenada", explicou.

Segundo a farmacêutica, o agente oxidante é que vai solubilizar a melanina, substância que dá cor ao fio de cabelo. "Essa solubilização retira esse pigmento e deixa o fio mais claro, colocando substâncias que se complexam dentro do fio dando uma coloração diferente, nova", disse.

A diferença fundamental entre as tinturas permanentes e as temporárias é a ação química sobre o fio de cabelo. "Na permanente, a química com amônia age diretamente na parte interna dos fios, substituindo os pigmentos naturais. Na temporária, a tinta não penetra na parte interna do fio, é depositada sobre ele, o que diminui o tempo de duração. Mas ambas acabam sendo irritantes. São alergênicos", orienta.

Ler a bula

Ler a bula das tintas que serão usadas no cabelo e fazer o teste na pele são duas indicações infalíveis para evitar qualquer tipo de alergia que a tintura pode provocar

à pele. "O teste de contato é fundamental, seja para uso da tintura permanente ou temporária. Mesmo o xampu colorante, aquele que sai com cinco ou seis lavagens, pode provocar danos à pele porque mantém contato com a pele e com o couro cabeludo", disse.

O contato da substância química com a pele pode causar alergias, frisa a farmacêutica. "A reação pode ser imediata ou posterior, vai depender do grau de sensibilização que a pessoa tem com aquela substância", disse.

Os produtos que causam alergias são os parafenilenos de amina. "É uma classe muito extensa, normalmente representada por um número, o que dificulta o entendimento pelo leigo. Até hoje, não se achou nada com tanto sucesso para substituir esses produtos, por isso é que a maioria dessas tinturas acaba sendo feita com esses pigmentos", disse.

A farmacêutica lembra que, as vezes, um pigmento sozinho não apresenta problema para aquela pessoa. "Porém, o que acontece muitas vezes são reações químicas, usadas inclusive, entre os pigmentos e conservantes que acabam potencializando o efeito alergênico dos pigmentos. A reação cruzada de conservante e pigmento é muito comum provocar alergias", disse.

Ela explica que a mesma cor de outra marca de tintura pode oferecer riscos para uma pessoa. "Muitas pessoas questionam porque têm alergia por um produto e ao de outra marca, da mesma cor, não? É que para conseguir aquela cor pode ter sido feito uma associação de outras substâncias. São várias substâncias que vão resultar numa cor", disse.