Tecnologia aérea ajuda a medir safras
Pesquisas realizadas nas regiões Sul e Sudeste do País, integrando vários grupos de pesquisadores, dão a tônica de uma nova tendência no setor agrícola brasileiro. Chamada de Agricultura de Precisão, esse novo modelo cede espaço a novas tecnologias que vêm ajudar no diagnóstico e solução de problemas.
No Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), pesquisadores desenvolvem projetos relacionados à videografia. "Gravamos em vídeo toda a plantação com um equipamento acoplado a um avião", diz Paulo Pompermayer, pesquisador da Esalq.
Ele ainda conta que o vídeo, no lugar da fotografia, possibilita uma melhor viusualização da cultura. "A foto congela um determinado momento, já na fita podemos escolher qual será o melhor momento para estudar", explica o pesquisador.
As imagens são captadas por dois sistemas distintos. O primeiro, uma câmera de sistema super VHS, com alta resolução de imagem, mostra a cultura de uma visão aérea. O segundo, uma câmera infra-vermelha, possibilita a análise da quantidade de água existente nas plantas e matas ciliares.
Após esse trabalho, são juntados os dados por meio de softwares especiais, que formarão, no final do processo, mapas com alguns dados que serão alvo de estudos posteriores.
"O que se procura é determinar as diferenças existentes dentro de cada talhão, que para nós aparecerão em formas de tonalidades de cores diferenciadas", conta
No comando dos trabalhos está o professor Carlos Alberto Vettorazzi, que diz ser no diagnóstico precoce de problemas, a grande vantagem. "Quando observamos diferenças dentro de um mesmo talhão, vamos no local para descobrir o que está acontecendo", relata. O professor ainda fala que é possível encontrar as mais variadas situações, desde ervas daninhas até doenças em fases iniciais.
"Ao ter contato com o problema, ainda no começo, o agrônomo pode decidir melhor a estratégia a seguir", afirma.
Com uma alto grau de precisão, a agricultura começa a contar com aparelhos de navegação DGPS (Sistema Global de Posicionamento Diferenciado). Acoplado em colhedoras e semeadoras, esse sistema possibilita saber exatamente em que local do planeta se encontra cada parte da lavoura, por meio de coordenadas de latitude e longitude.
O solo é mapeado. Dados são cruzados. O resultado
é o retrato fiel das condições do solo e informações suficientes para que o agricultor possa decidir sobre o que fazer com sua terra, assim como a melhor estratégia de plantio e colheita. Daniele Foch, engenheira agrônoma, especializada em agricultura de precisão, diz que muita economia pode ser feita com o uso desses recursos. "Há partes da cultura em que há mais necessidade de adubo, em outras de defensivos. Com o mapa da lavoura trabalhamos de forma localizada", explica. Daniele também conta que com esse tipo de tratamento evitam-se inclusive, maiores impactos ambientais com o uso de agrotóxicos.
Hoje a ajuda de colhedoras não se reume mais à simples substituição do trabalho humano. Equipamentos DGPS acoplados mostram, ao final da colheita, a quantidade de grãos que é colhida nas diferentes áreas do plantio. "Sabemos por meio da localização gráfica de longitude e latitude, em que local há mais ou menos produção", diz Daniele. Ela conta que os dados da colhedora são cruzados com o mapeamento de solo, dando todos os dados qualitativos sobre as condições da terra e os locais que é necessária correção. Com as informações obtidas tem-se os valores quantitativos de produção de cada
área da plantação. Ou seja, o agricultor sabe, exatamente, quanto e por que determidas partes produzem mais ou menos do que outras.
O custo para implementação desses sistemas ainda
é alto e segundo especialistas, podendo passar de R$100 mil, ficando restrito apenas para grandes produtores. Dessa opinião compartilha Maurício Mendes da Silva, da FNP consultoria e comércio. "A saída para pequenos produtores pode estar nas associações e cooperativas". Mendes ainda diz que há no Brasil empresas que estão se especializando em terceirizar esse tipo de trabalho.
Pedro Henrique Cervi, um dos sócios da Insolo consultoria e coméricio, diz que não há como estipular um padrão fixo de preços. "Há muitas variantes que há de se levar em consideração, como compactação do solo, relevo e até o tipo da cultura", informa. Cervi ainda conta que o número de cooperativas a procura desses serviços vem crescendo bastante." No Centro de Nacional de Pesquisa de Soja, o CNPSO, da Embrapa, que desenvolve tecnologia de agricultura de precisão, está o pesquisador Eduardo Alves da Silva. Segundo ele há que se tomar muito cuidado quando se trata de tecnologia agrícola. "No campo ainda há um número muito grande de analfabetos", afirma. Silva explica que as pessoas que trabalham com máquinas computadorizadas, noutros tempos sabiam apenas lidar com enxadas, não estando habilitadas para operar esses equipamentos.
Um dos problemas enfocados pelo pesquisador, diz respeito a possíveis desperdícios por conta do mau uso dessa tecnologia. "Já vi casos em fazendas que todas as informações foram perdidas porque o operador da máquina não sabia como usar o computador", diz. O caminho, segundo ele, antes de investir em equipamentos de ponta, é habilitar as pessoas que vão operar essas máquinas.
Serviço
O Departamento de Ciências Florestais da Esalq pode dar outras informações através do telefone (0**19) 429-4143. Para contatar a Embrapa, o número é (0**43)371-6259.
Embrapa lança CD-ROM sobre cultura da soja
A Embrapa Soja lançou o CD-ROM a "Cultura da Soja no Brasil", que reúne de maneira didática e interativa um grande volume de informações sobre as recomendações de pesquisa para a cultura. O software, está dividido em 18 capítulos, abordando, desde a história sobre a evolução do grão no Brasil, as recomendações técnicas, os usos da soja e até informações sobre biotecnologia, complementado por 98 tabelas.
Segundo Caio Vidor, chefe-geral da Embrapa Soja, pela primeira vez, na história da cultura da soja no Brasil, o público terá acesso a imagens feitas em laboratório como o vídeo sobre o controle biológico do percevejo, uma das principais pragas que atacam a soja. "São imagens do exato momento onde a vespinha (Trissolcus basalis) parasita os ovos do inseto", explica, acrescentando que também há vídeos sobre técnicas desenvolvidas pela instituição, como a do pano de batida para medir o grau de infestação de percevejos na lavoura e a unificação do tratamento de sementes com a aplicação de micronutrientes e inoculação, o que garante um bom estabelecimento da lavoura.
No CD, o usuário poderá consultar uma tabela interativa das regiões adequadas ao plantio, sendo possível, por exemplo, especificar o município e o período de semeadura. Nos capítulos Fertilidade de Solo e Administração Rural, planilhas eletrônicas permitem o cálculo, com base na análisede solos, da quantidade de fertilizante a aplicar e que facilitam o planejamento e o acompanhamento da propriedade rural.
Serviço
Informações sobre o CD-ROM através dos telefones
(0--43) 371-6067 e 371-6061 ou no site www.cnpso.embrapa.br