Dupla pede água e rende casal no Jardim Eugênia
Texto: Rita de Cássia Cornélio/Ieda Rodrigues
Os ladrões disseram que queriam água para beber
Dois rapazes não identificados, aparentando ter entre 17 e 18 anos, sendo um armado de revólver, renderam uma família moradora no Jardim Eugênia e roubaram cerca de R$ 5 mil em jóias e semi-jóias, um aparelho celular e um relógio de pulso. Para render os moradores, os assaltantes pediram água para beber no portão da residência, quadra 9 da rua Canadá.
Os ladrões entraram na casa e levaram, braceletes, pulseiras, anéis, brincos e pingentes, além de várias semi-jóias, num total de cerca de 60 peças. A moradora, Neusa Gomes, 37 anos, vendedora de jóias, desconfia que os ladrões sabiam de sua atividade e que o roubo foi planejado. Ela contou que eles exigiram que o cofre, onde estavam as jóias de ouro, fosse aberto.
O aparelho celular e uma balança de precisão, para a pesagem de ouro, também foram levados. Já no início do assalto, um dos assaltantes arrancou o fio do telefone e exigiu o celular, para que a polícia não fosse acionada. Para fugirem sossegados, os ladrões levaram a chave do carro do casal, garantindo que eles não poderiam persegui-los.
Traumatizada com o assalto, Neusa disse ao JC que pretende mudar-se para um apartamento, em busca de mais segurança.
"Não nos fizeram nada, mas só o susto traumatizou. Não podemos ajudar ninguém na rua", afirmou. A moradora contou que os ladrões anunciaram o assalto na segunda vez que tocaram a campainha.
Na primeira vez que a campainha tocou, Neusa saiu na janela, quando viu um rapaz que pediu um copo de água. Percebendo que o rapaz não parecia mendigo e estranhando o fato, ela pediu que seu marido, Antônio Sérgio Pascali, 43 anos, a acompanhasse até a área para entregar a água ao rapaz. "Meu marido foi comigo até a área e ficou brincando com a cachorra enquanto eu servia a água. Percebi que o rapaz estava estranho, parecia drogado, mas bebeu a água e foi embora, sem nem falar obrigado", relatou a moradora.
A vendedora de jóias contou que, logo após o rapaz ter ido embora, lembrou que há um certo tempo ouviu no rádio que ao dar água a uma pessoa, a dona da casa foi assaltada. Logo depois, de acordo com Neusa, a campainha tocou de novo e seu marido atendeu, abrindo a porta da casa.
A pessoa que tocou a campainha, o outro ladrão, perguntou se Pascali havia visto qual direção o rapaz que havia pedido água tinha seguido. Para dar a informação, Pascali aproximou-se da grade da casa, quando surgiu o rapaz que havia pedido a água, armado, e a dupla anunciou o assalto.
Um dos ladrões pulou a grade e entrou na casa, onde Neusa e sua filha estavam, até então sem perceberem o assalto, em busca da chave do portão. O outro ladrão, com a arma apontada para Pascali, exigia que ele afastasse a cachorra. Então, os dois ladrões, ameaçando o morador, entraram na casa e recolheram as peças de semi-jóias que estavam sobre a mesa.
Aparentando nervosismo, os ladrões arrancaram o fio do telefone fixo e pegaram o celular de Neusa. Em seguida, determinaram que o cofre fosse aberto, onde estavam jóias em ouro. De posse das jóias e semi-jóias, telefone celular e a balança, eles saíram da casa, tomando rumo ignorado. Até ontem à tarde, a polícia não tinha pistas dos ladrões.
Como foi o assalto
1 - Um rapaz toca a campainha e pede um copo de água. A moradora atende, serve e água e ele vai embora.
2 - Logo depois a campainha toca de novo e é outro rapaz. Dessa vez, o morador vai até a grade para dar a informação pedida pelo rapaz. Nesse momento, surge o primeiro rapaz que, armado, anuncia o assalto.
3 - Um dos ladrões pula a grade e vai buscar a chave do portão dentro da casa. Em seguida, a dupla de assaltantes entra com o morador na casa, onde estão sua mulher e filha.
4 - Os ladrões arrancam o fio do telefone, recolhem semi-jóias que estavam sobre a mesa e exigem que o cofre seja aberto, roubando jóias de ouro. Em seguida, fogem.