07 de julho de 2026
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Fabiano Alcantara
| Tempo de leitura: 5 min

Cordel do Fogo Encantado: o mangue se renova

Texto: Fabiano Alcantara

Buscando caminhos diferentes das bandas consagradas do Manguebit, Cordel do Fogo Encantado traz o Pernambuco rural embaixo dos pés e a mente na imensidão

Um choque no coração de recife ou a cidade pára. Quando os idealizadores do Manguebit, Fred Zero Quatro, Chico Science, Renato L. e companhia, pensaram o movimento com esse mote não imaginavam que ele teria um alcance tão grande. Passados quase dez anos, a revolução estética aplicada pelos caranguejos com cérebro cada vez se diversifica mais. Um bom exemplo é o Cordel do Fogo Encantado, banda de Arcoverde, interior de Pernambuco, que se apresenta hoje no Sesc Bauru.

O fato do Cordel vir "filiado" ao movimento mostra uma mudança de mentalidade. Tal qual o Mestre Ambrósio e Cascabulho, o grupo tem como proposta atualizar os ritmos tradicionais, sem, contudo, exagerar na dose, como alguns puristas poderiam falar de Nação Zumbi - cada vez mais jungle - e o grupo Mundo Livre S/A, que sempre foi mais dado a reinventar Jorge Ben que à cultura popular.

O mentor do Mundo Livre, Fred Zero Quatro, chegou até a polemizar com Ariano Suassuna, no lançamento de "Carnaval na Obra", disco anterior dos manguebitianos primordiais. O motivo do racha é que os tradicionalistas não aceitam guitarra, baixo e bateria na mistura. Coisas que parte da galera não abre mão. Para Fred, o mangue fez mais pela cultura popular que Ariano, Alceu Valença, Nóbrega, etc., os quais chama ironicamente de "atravessadores da cultura popular".

A polêmica, no entanto, vem se diluindo. Um exemplo é o Cordel do Fogo Encantado, que não usa samples, efeitos eletrônicos, DJs, nem guitarra. Utilizando apenas violão, como instrumento melódico, e uma forte base percussiva.

A banda, formada em 97 para um espetáculo de teatro, tem como influência os artistas populares nordestinos, principalmente os ligados à música e à poesia.

Desde que foi criado, o percorre todo o interior pernambucano apresentando seu show que agrada pelo dinamismo e o ritmo pulsante. A banda surpreende ao manter uma incrível originalidade valorizando a

diversidade presente na cultura pernambucana e integrando-se ao movimento Manguebit sem seguir o estilo de bandas já consagradas.

Diferentemente de algumas bandas do movimento, a temática do grupo não fala do Pernambuco urbano, mas do sertanejo. Assim, a Cordel do Fogo Encantado incorpora ritmos da região de Arcoverde, como o toré indígena, da tribo Xucuru, o samba de coco de partida percussiva original, criada por negros nos bairros periféricos de Arcoverde, o reisado, de agricultores do povoado de Caraíbas, o candomblé e o maracatu, que apresenta uma batida diferente da batida do maracatu da região litorânea.

Além dos ritmos da região, o espetáculo conta com a influência da poesia oral sertaneja trazida por Lirinha, o líder da banda, que desde os 12 anos de idade participa de encontros dos mais renomados poetas populares nordestinos. Integram o show da banda, poemas de mestres como Manoel Filó, Manoel Xudu, Inácio da Catingueira e Zé da Luz.

O espetáculo conta também com fragmentos de "profecias" de Antônio Conselheiro, Padre Cícero e Beato Lourenço e trechos de cartas de Lampião enviadas aos chefes de Estado. Por isso, Lirinha é considerado, pelos próprios poetas, o grande herdeiro da poesia oral sertaneja, escrita na memória.

A estréia da banda foi no festival Rec-Beat Carnaval, onde se firmou como uma das mais importantes revelações da nova música pernambucana desde Mundo Livre S/A e Chico Science & Nação Zumbi. Imperdível.

Serviço

Cordel do Fogo Encantado hoje, às 21h, na área de convivência. R$ 4,00 e R$ 2,00, matriculados, idosos e estudantes com carteirinha. O Sesc Bauru fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71, Vila Cardia. Informação: 235-1750.

"Cats" diz adeus no TUV

Espetáculo será apresentado pela última vez

O espetáculo "Cats", da Cia. Teatral Yázigi, será apresentado pela última vez ao público bauruense, hoje, às 20h30 e amanhã, às 14h30, no Teatro Universitário Veritas (TUV). A apresentação também fecha a campanha "Amigos da Escola, Amigos da Leitura".

Lançada há 3 meses como parte das comemorações do "Brasil 500 anos", esta campanha já arrecadou em Bauru cerca de 10.000 livros, que serão doados para escolas estaduais e creches da cidade, com o objetivo de enriquecer o acervo das bibliotecas destes estabelecimentos.

A convite da organização do projeto, a Cia. Teatral Yázigi interrompeu os ensaios de seu novo espetáculo e remontou o "Cats", especialmente para o encerramento da campanha. A peça, que fez muito sucesso com adultos e crianças durante um ano e meio de apresentações, despede-se definitivamente do público bauruense com as sessões deste final de semana.

Dirigido por Ana Cristina Salomão, o espetáculo

- baseado no musical homônimo da Broadway, de Nova York

- se passa em um beco onde vivem gatos de todos as raças, chamados "Jellicle Cats". Segundo a história, todos os anos os gatos se reúnem para que somente um deles seja escolhido pelo velho líder para viver uma nova "Jellicle Life", ou seja, a chance de uma nova vida.

Com destaque para figurino e maquiagem, o "Cats" da Cia. Teatral Yázigi traz uma oportunidade imperdível de unir diversão para todas as idades com a prática da cidadania. Os ingressos poderão ser retirados, em troca de um livro de histórias em bom estado, no SESI ou nas secretarias do Yázigi. Livros didáticos ou gibis não serão aceitos.

Serviço

"Cats", espetáculo da Cia Teatral Yázigi. Hoje, às 20h30, e amanhã, às 14h30. No TUV, rua Irmã Arminda, 10-50. Informações: 224-3305 ou 223-2478.