07 de julho de 2026
Geral

Orquídeas

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

O senhor das flores

Texto: Gustavo Cândido

O bauruense Edwin Whittmann cultiva orquídeas há 25 anos e possui, segundo os próprios cultivadores da espécie na cidade, uma das maiores e mais organizadas coleções da flor de Bauru e região. Eletricista aposentado, hoje ele se dedica quase que exclusivamente às plantas, que expôs com sucesso na última semana, na 29ª Exposição Nacional de Orquídeas de Bauru. Evento que se realiza todos os anos promovido pelo Círculo Bauruense de Orquidófilos, do qual o senhor Edwin faz parte. Ele falou ao JC sobre seu hobby e sobre as espécies do Brasil, as mais bonitas do mundo, na sua opinião. O bauruense Edwin Whittmann cultiva orquídeas há 25 anos e possui, segundo os próprios cultivadores da espécie na cidade, uma das maiores e mais organizadas coleções da flor de Bauru e região. Eletricista aposentado, hoje ele se dedica quase que exclusivamente às plantas, que expôs com sucesso na última semana, na 29ª Exposição Nacional de Orquídeas de Bauru. Evento que se realiza todos os anos promovido pelo Círculo Bauruense de Orquidófilos, do qual o senhor Edwin faz parte. Ele falou ao JC sobre seu hobby e sobre as espécies do Brasil, as mais bonitas do mundo, na sua opinião.

Jornal da Cidade - Como o senhor começou a se interessar por orquídeas?

Edwin Whittmann - Há uns 25 anos fui a uma exposição, gostei da planta, que eu nunca tinha visto antes, comprei cinco e levei para casa. Depois de mais de um ano, nenhuma florescia, mas quando elas começaram a florescer elas "me pegaram" de uma vez. Nós sempre brincamos que é o vírus da orquídea que "pega" a gente. Uma vez que você a vê linda, com flores, fica difícil não querer cultivá-la.

JC - Daí o senhor começou a comprar mais?

Edwin - Comprei mais, principalmente em exposições. Fui trocando algumas com outros colegas e hoje tenho umas 1.200 plantas.

JC - O sempre as cultivou sozinho?

Edwin - Não, eu logo entrei como associado no Círculo Bauruense de Orquidófilos, onde fui buscar o conhecimento básico. Comprei muitos livros e revistas e hoje assino cinco revistas sobre orquídeas. Duas dos Estados Unidos, duas brasileiras e uma alemã.

JC - O Círculo tem, aproximadamente, quantas pessoas?

Edwin - Cerca de 40 sócios fixos e uns 30 correspondentes. Em Bauru existem muitos cultivadores que não fazem parte do Círculo, mas não sei a razão.

JC - A orquídea requer cuidados especiais, muita dedicação?

Edwin - Ela precisa de alguns cuidados básicos, é preciso ter o conhecimento básico. Sabendo isso e tendo o local ideal, aqui em Bauru é muito fácil cultivar orquídeas, usamos uma tela que faz 80% de sombra para a planta poder crescer. Só algumas espécies podem ficar no sol. Por outro lado, se ela ficar só na sombra total, sem sol, ela não floresce. A quantidade de sol e sombra deve ser bem calculada.

JC - Então ela não é uma planta que dá muito trabalho para cultivar?

Edwin - Não, porque ela é muito resistente. Ela tem um bulbo que serve como um armazém de energia. Se falta

água, por exemplo, ela não não morre fácil porque esse bulbo tem energia.

JC - Ela floresce apenas uma vez por ano?

Edwin - O normal é que ela dê flores apenas uma vez por ano, mas existem algumas espécies que florescem duas vezes por ano, mas são poucas. Cada planta floresce numa

época do ano e depois repete a florada só depois de 12 meses, aproximadamente.

JC - A orquídea é muito diferente das outras flores, biologicamente falando?

Edwin - A orquídea é a planta mais desenvolvida que existe na Terra. Uma das razões são justamente os bulbos traseiros, que armazenam energia. Ela é muito resistente mesmo, só morre se for atingida por algum fungo, como o "podridão negra", que é um terror. Existem também alguns vírus que podem atacá-las,

é preciso ter muito cuidado.

JC - Existem muitas espécies raras de orquídeas, que chegam a custar caro? O senhor tem muitas plantas brasileiras e estrangeiras?

Edwin - Existem, sim, e custam muito caro. Às vezes eu compro uma melhorzinha, mas é difícil. Tenho muitas plantas brasileiras, a maioria, mas também tenho orquídeas estrangeiras. Mas a brasileiras são as mais bonitas e fazem sucesso no mundo inteiro. Existem registradas, mais ou menos, 25 mil espécies de orquídeas no mundo, mas os especialistas estimam que já tenham existido cerca de 45 mil, que já tenham sido extintas com tanto desmatamento, inclusive no Brasil. Existem muitas orquídeas, que chamamos de endêmicas, que existem só em um lugar no mundo, um vale, por exemplo, porque a semente não consegue sair dali. No Espírito Santo existe uma pessoa que já descreveu umas sete ou oito espécies que só existem lá. Aliás, a Serra do Mar, no Brasil, é uma das regiões mais ricas em quantidades de espécies endêmicas do mundo.

JC - O senhor possui alguma orquídea mais rara?

Edwin - Não. Tenho uma que não chega a ser rara, mas poucos orquidófilos têm, que é uma vermelha, bem pequena, que veio do México. A amarela dessa planta

é mais ou menos comum, todo mundo tem. A vermelha eu comprei de um orquidófilo. Nas esposições a gente só vê umas cinco ou seis iguais, todo mundo acaba querendo as mudas porque ela pequena, mas é muito bonita.

JC - O senhor comercializa as plantas?

Edwin - Não. É o meu hobby. No Círculo nós não temos nenhum comerciante, somos todos amadores. As orquídeas são uma forma de terapia anti-estresse para mim. Dedico, pelo menos, uma ou duas horas do dia para cuidar das plantas. Claro que não preciso ir lá no orquidário todos os dias, mas se for, melhor.

JC - Aparentemente, a maioria dos cultivadores de orquídeas

é formada por homens, ao contrário das outras espécies de plantas. As mulheres não cultivam orquídeas?

Edwin - Cultivam, temos muitas mulheres que cultivam, mas a maioria

é homens e eu não sei porque. Nós sempre incentivamos as mulheres a cultivar, mas não sei o que acontece, não sei explicar.

JC - A orquídea é uma planta selvagem. Ninguém entra no meio do mato para procurar espécies raras?

Edwin - Geralmente, no início, a gente procura plantas no mato. Mas hoje eu sei que isso é proibido, mesmo em locais onde o desmatamento é liberado. É crime inafiançável. Ninguém do Círculo ou de Bauru pega plantas no mato, que eu saiba. Existem cultivadores profissionais, que cultivam as plantas e vendem as sementes justamente para ninguém ter de pegar plantas no mato. Aqui ninguém faz isso, até porque não temos interesse comercial. A nossa única preocupação financeira é cobrir as despesas das exposições que fazemos. Quando viajamos para expor em outras cidades, os organizadores de fora pagam nossas despesas, quando organizamos aqui, temos que pagar as despesas deles. Esse ano tivemos um grande apoio da Prefeitura, mas nosso ganho foi exatamente justo para cobrir as despesas que tivemos.