07 de julho de 2026
Geral

Indigentes

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 2 min

14% dos mortos são desconhecidos

Texto: Andréia Alevato

Mensalmente, os dois Cartórios de Registro Civil de Bauru registram cerca de 250 mortes na cidade. Deste total, 35 são de desconhecidos e indigentes, segundo dados da Emdurb. Dos 35, no máximo dois são enterrados como desconhecidos, de acordo com o Instituto Médico Legal (IML).

O número de desconhecidos e indigentes enterrados por mês em Bauru é alto, se consideramos a população da cidade. No entanto, até o enterro a maioria dos corpos

é identificada.

São consideradas indigentes todas as pessoas mortas que não possuam identidade e nem residência fixa e perambulam pela cidade. Essas pessoas, geralmente, são enterradas sem o conhecimento e acompanhamento de alguém da família ou amigo.

Já o desconhecido é a pessoa que está sem documento na hora em que morre, sendo depois identificado.

"O indigente não tem residência fixa e perambula. O desconhecido só não tem documento no ato da morte e pode ser qualquer pessoa. Pode ser um médico, um advogado, um jornalista, um pedreiro, um pintor, um comerciante. Qualquer um pode ser um desconhecido se estiver sem documento na hora em que morre. Mas, geralmente, a pessoa é identificada antes de ser enterrada", explicou Jair Romeu, auxiliar de necropsia do Instituto Médico Legal (IML).

As mortes de indigentes, na maioria das vezes, são violentas, como em atropelamentos em vias públicas.

Os indigentes e os desconhecidos mortos passam pelo o IML, onde

é feito a necropsia para saber a causa da morte. Depois os corpos são encaminhados para o cemitério do Jardim Redentor, administrado pela Emdurb, e enterrados na terra, porque eles não têm direito a jazigos. Esses enterros são feitos apenas no cemitério do Jardim Redentor.

Após três anos da data do enterro, se não forem identificados ou a família (se houver identificação) não comprar um terreno no cemitério, outra pessoa

é enterrada na mesma cova. No Cemitério Municipal do Jardim Redentor está sendo construído o columbário, local onde serão enterrados os indigentes e desconhecidos ao invés das covas habituais.

A identificação da pessoa morta ou desconhecido mortos é feita no Cartório de Registro Civil, que expede uma identificação de indigente morto . Mesmo sem nome, nesse atestado consta idade média, características, roupas e onde o corpo foi localizado. Essa identificação facilita no caso de alguém procurar.