07 de julho de 2026
Geral

Pesca

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 8 min

Onde guardar o bote?

Texto: Roberta Mathias

O pescador que optar por possuir uma embarcação deve se preocupar em conservá-la corretamente e evitar uso inadequado.

Não é muito raro encontrar pessoas que possuem um barco de pesca, lancha ou jet ski e não têm um espaço para o equipamento. Principalmente quem reside em apartamento, onde o número de vagas para veículos é reduzido e, em alguns casos, o espaço é pequeno para o tamanho da embarcação.

Além de um espaço físico, os equipamentos náuticos exigem cuidados especiais, que o usuário deve estar atento. Muitas vezes é necessário deixar a preguiça e o cansaço de lado e partir para a manutenção da embarcação. Desde a limpeza até os cuidados com a parte mecânica do equipamento.

Como um veículo qualquer, os equipamentos náuticos exigem dedicação de seus usuários. Há pescadores que preferem cuidar pessoalmente de suas embarcações e outros que optam por terceirizar o trabalho. Neste caso, contar com o serviço de uma marina é o mais indicado.

O pescador Leonildo Fendel, o Léo, está habituado a viajar para o Mato Grosso à procura de peixes diversos. O barco já tem um lugar reservado em sua garagem. Ele optou em construir uma casa com ampla garagem, que tivesse a capacidade de acomodar os carros e a embarcação.

Manoel Terra de Oliveira, o Néle, prefere deixar seu barco na chácara, pois lá é mais prático e possui muito espaço. "Estou sempre lá, a cada dois dias visito a chácara e aproveito para ver se está tudo bem." O barco está sobre cavaletes e corretamente posicionado.

Uma outra alternativa dos pescadores tem sido a utilização de estacionamentos, porém neste caso a "hospedagem"

é por tempo determinado e traz custos ao proprietário. De acordo com Paulo César de Oliveira, da Campesca, a falta de espaço nem sempre é uma preocupação para o pescador. "Eles são criativos. Já vi barcos pendurados de forma que não ocupassem o espaço da garagem e, o principal, sem danificar a embarcação."

É importante lembrar que o barco não pode se tornar mais um cômodo na casa. Guardar objetos ou mesmo tralha de pesca em seu interior não é indicado. Mesmo os materiais mais resistentes podem sofrer com a ação do tempo. A embarcação, seja de fibra, madeira ou alumínio, deve ser conservada para manter sua durabilidade.

Apesar de gostar de pescar no Pantanal, Cebolinha é um pescador que prefere aproveitar o tempo livre com sua lancha. A embarcação fica guardada a sede Náutica do BTC e só sai de lá para os passeios. Atualmente, ele levou a lancha para casa e está concluindo algumas modificações necessárias. Em breve, o barco já estará na água para mais aventura.

A Marina da Barra também recebe muitas embarcações como "hóspedes". Moradores de cidades da região, como Bauru, Jaú, Pederneiras, Bariri, São Carlos, Sertãozinho e Piracicaba são clientes da marina, que se propõe a fazer a manutenção da embarcação durante sua estada lá. De acordo com informações de Isabel Cristina Alponte, funcionária da Marina, além disso, existe a possibilidade de locação de barcos:

"Porém é imprescindível a apresentação da carteira de arraes, que é a habilitação do piloto".

Já o pescador José Carlos Parisi optou em deixar seu barco de pesca em casa, onde havia um espaço coberto e adequado. Porém ele lembra que também é comum pescadores deixarem seus barcos em ranchos de amigos, próximo do rio. Para ele, Bauru já comportaria um clube de pesca, que gerenciaria toda uma estrutura pesqueira na cidade. "Algumas cidades da região estão caminhando neste sentido."

A pesca esportiva tem crescido de forma expressiva no Brasil e com ela uma série de equipamentos e materiais vão sendo aprimorados e se tornando mais acessíveis. Isso inclui os produtos náuticos, que são fundamentais quando a pesca é embarcada, seja em água doce ou salgada.

*************História de pescador ****************

Pescaria às avessas

Senhor redator, sempre ouvir falar que pescaria no Mato Grosso

é uma das coisas mais maravilhosas para quem é adepto e gosta de pescar. O colega Roberto é nativo de Bauru, e, por motivos profissionais, residiu por mais de dez anos na cidade de Campo Grande/MS, onde, segundo ele, teve a oportunidade de conhecer todos os rios piscoso de lá. De volta a Bauru, entre uma conversa e outra, sempre entravamos no tema "pescaria" e lá vinha o Roberto aumentando e falando sobre a abundância e variedade de peixes e, assim que surgisse uma oportunidade, iria nos levar para conferirmos de perto, fato concretizado no feriado de setembro do ano passado.

Fomos em quatro pessoas, saímos de Bauru numa sexta-feira

às 22 horas e viajamos a noite toda. A conversa não foi muito variada, o assunto mesmo era "pescaria". A expectativa era tanta que nem percebemos passarem as horas, chegamos em Campo Grande às 6 da manhã, na casa do dono do rancho. Este foi logo demonstrando toda sua simpatia, quebrando o gelo, quando entramos para conhecer sua casa e tomarmos um farto café. Nesta oportunidade, fez uma explanação de como seria o rancho, o tipo de conforto que dispunha, etc; abriu o congelador, tirando um pacote com uns mandizinhos (devia dar menos de um quilo), disse ter fisgado na semana anterior no lugar onde ia nos levar.

Seguindo viagem, antes de sairmos da cidade, paramos numa casa especializada em comércio de iscas, lembro bem, compramos minhocuçu, tuvira, enguia, caranguejinho, milho azedo e quirela de milho.

Chegamos no rio por volta das 14 horas do sábado e, mesmo cansados, suados, com sono, etc; fomos logo preparando os anzóis, porque queríamos comer peixe naquele dia mesmo. Antes de lançar o anzol na água, fiz um levantamento da área, constatei ser um local muito bonito, com muitas aves e animais, como tucano, arara, papagaio, periquito, gralha, macaco, capivara e outros, que há muito tempo não os via soltos na natureza, somente em zoológicos. Mas o rio não encantou, observei que o rio Batalha, na região de Reginópolis

,tem mais ou menos a mesma largura daquele; disseram que o rio estava muito baixo em conseqüência da estação seca, e que na estação chuvosa o rio ficava com mais de cem metros de largura.

Lançado o anzol, cadê os peixes? Passaram-se uma, duas horas e nada, nem beliscavam.... Desistimos de pescar, menos o Roberto, que queria provar tudo o que dissera nas conversas anteriores. Deu várias desculpas pela falta dos peixes, a mais esfarrapada era dizer que o rio estava baixo; culpava também as iscas, dizia que não estavam apropriadas para o dia, e assim por diante. Realmente, faltou levarmos lambari para provar sua dedução. Resolveu fazer um teste, pegou um anzol pequeno para fisgar um; ficamos assistindo. De repente, vimos a linha correr... A surpresa fez o Roberto puxar com força desproporcional arremessando o peixinho para o alto e facilitando o trabalho de uma ave denominada Martin Pescador, que estava num galho de árvore logo acima. O bote foi certeiro, a ave conseguiu arrancar o peixe do anzol ainda no alto, foi muito engraçado. O segundo lambari foi iscado num anzol apropriado para pegar jaú, pintado, etc, que foi deixado na espera numa linhada amarrada num galho. Voltamos para o rancho, tomamos banho, vestimos roupas leves (bermuda, camiseta e sandálias), menos o Roberto, que além de demorar muito no banho saiu todo arrumado, com roupa de missa, calçando sapatos e meias (devia estar com frio). Ao entardecer, ainda com alguma claridade solar, fomos verificar se havia fisgado algum peixe na linhada que deixou armada. O Roberto, concentrado na linhada, nem percebeu que estava na beira do barranco, quando, numa pisada em falso, foi com tudo para dentro do rio, molhando a roupa de missa, o celular na cintura, os documentos, o dinheiro e cigarros. O barranco não era alto, nosso amigo foi azarado por ter caído deitado, parecendo uma abóbora madura, e sortudo por ter caído num lugar onde o rio (para variar) estava baixo.

Os fatos acima aconteceram no primeiro dia. No segundo dia, na expectativa de podermos realmente começarmos a pescar, acordamos cedo, contratamos um piloteiro, e lá fomos nós rio abaixo. Aportamos num remanso com aparência de ser um bom lugar, ficamos tentando quase que o dia todo e nada de peixe; frustrado, resolvi tentar outra maneira, ou seja: troquei o anzol grande por um pequeno. Não deu outra, perdi a conta, mas devo ter fisgado e solto mais de 300 peixes das espécies: mandi e piau, sem dar importância aos comentários dos colegas, que diziam: "Onde já se viu, viajar para tão longe para pescar mandizinho?" Entendi que o importante era estar me divertindo, na certeza de que não iria fisgar nenhum peixe grande, como de fato os colegas também não fisgaram. Precisamos comprar peixes de ribeirinhos para comermos no jantar.

Pescadores são teimosos, então, no terceiro dia, começamos tudo de novo e mais cedo ainda. Não senti estimulado a usar anzol grande, continuei a fisgar e soltar mandis e piaus; os colegas continuavam persistentes, e nada; por volta das 11 horas, um deles resolveu me imitar, cansou de dar banho na minhoca, em seguida, o outro e por fim o Roberto. Daí, ficamos todos fisgando e soltando mandis e piaus.

Fomos no rancho para almoçar e, quando chegamos, o anfitrião estava na porta e foi dando a seguinte notícia: "Gente, acabaram as 44 caixas de cerveja, o que faremos?" Esta notícia caiu como um balde de água fria, sem peixe e sem cerveja, era o fim! Resolvemos voltar naquele dia mesmo, arrumamos as tralhas, almoçamos e pé na estrada. Que viagem longa, parecia que as horas não passavam, chegamos em Bauru na madrugada do dia 7 de setembro de 1999. Valeu pelas duas cenas, a do passarinho roubando o peixe e a da queda no rio, ambas protagonizadas pelo ator Roberto, bom companheiro, que não deu por vencido, disse que ainda vai nos proporcionar uma pescaria e que, esta sim, será inesquecível. (Aguardemos).

Esta história foi presenciada pelo vizinho Antônio que trabalha na Embratel, pelo Edmilson, cunhado do Roberto, que trabalha na SAT, e por mim Rinaldo Ricci, que descrevo somente fatos verdadeiros sem inventar nada.

Rinaldo Ricci é pescador e contador de histórias