07 de julho de 2026
Geral

Combustível

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Distribuidor prevê problemas futuros

Texto: Patrícia Zamboni

Proprietário da Flag diz que é necessário esclarecer que nada foi determinado em Brasília e que a situação ainda depende de muitos estudos

A falta de consenso entre os empresários do setor de combustíveis durante a reunião realizada em Brasília, nesta terça-feira, deve resultar em reflexos a médio prazo. Esta é a avaliação feita pelo empresário Francisco Simões Barbosa, proprietário da distribuidora de combustíveis Flag, localizada em Bauru, que participou da reunião com o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho.

Barbosa procurou o Jornal da Cidade com o intuito de alertar a população em relação à intenção do Governo Federal de monitorar o preço dos combustíveis no País. Segundo ele, não houve um consenso entre os participantes da reunião, nada foi definido, nem tão pouco assinado, e qualquer resultado nessa situação virá a médio prazo. De acordo com o empresário, muita coisa ainda precisa ser estudada para resultar em reflexos reais para a população e para os empresários do setor.

O objetivo anunciado pelo governo é de que pelo menos durante seis meses as revendas não tenham margem de lucro acima de R$ 0,15 por litro e, as distribuidoras, não passem de R$ 0,05 de lucro por litro. Segundo Barbosa, não é fácil estabelecer metas num setor com realidades tão distintas.

"Estou preocupado em fazer esse esclarecimento porque percebi que hoje (ontem), as matérias que saíram publicadas em grandes jornais e também na televisão, estão passando informações divergentes. Na verdade, durante a reunião em Brasília não foi possível chegar a um consenso e nenhum acordo foi assinado. Chegou a ser proposto um pacto para o setor, com o objetivo de definir a situação, mas nada foi definido. A resolução dessa situação virá a médio prazo, ao contrário do que a maioria das pessoas está pensando", afirma o empresário.

De acordo com Barbosa, a medida sugerida pelo ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, ainda vai depender de muitos estudos, envolvendo diversos setores do governo, para ter um desfecho. Segundo ele, os principais pontos discrepantes na atual história sobre os diferentes preços dos combustíveis aplicados em cada Estado ou região do País são os valores cobrados dos distribuidores por cada refinaria e o valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

(ICMS). Segundo Barbosa, o ICMS cobrado em Brasília é mais barato do que em São Paulo.

"A disparidade é enorme. O preço da gasolina A, que é o produto puro, que sai da refinaria para o distribuidor,

é mais barato em Brasília do que em Paulínea, que é de onde vêm os combustíveis para a nossa região. O custo da gasolina pura em Brasília é de R$ 1,4850, enquanto que o custo cobrado pela refinaria de Paulínea para Bauru é de R$ 1,4954. Por isso, quando se sabe que em Brasília o preço da gasolina para o consumidor final está girando em torno de R$ 1,59, e o governo quer abaixar para R$ 1,52, a primeira coisa que as pessoas pensam é que em Bauru deveria estar em torno de R$ 1,30. Mas a situação não é simples assim, basta ver essas diferenças no imposto e nos custos", esclarece Barbosa.

O empresário informa que, em Brasília, o preço na bomba (de combustível) calculado para recolhimento do ICMS - que o distribuidor recolhe antecipadamente no momento da compra do combustível - é sobre R$ 1,6554. No Estado de São Paulo, o imposto recolhido é calculado sobre o preço na bomba de R$ 1,76. "Tudo isso foi falado na reunião de ontem (terça-feira). Dentro de poucos dias nós seremos chamados novamente em Brasília para começar a estudar uma forma de abaixar essa tributação, o que vai nos ajudar a diminuir os preços. Do contrário, não há condições de diminuir o preço da gasolina", diz.

Outro equívoco que, na opinião de Barbosa, vem sendo comentado é em relação à queda do preço da gasolina depois do dia 20 de agosto, quando, por determinação do governo, a porcentagem de mistura do álcool anidro à gasolina vai passar de 24% para 20%. "Para continuar com o preço de hoje a partir do dia 20, que é quando a mistura do álcool anidro

à gasolina passará de 24% para 20%, o álcool anidro deveria ter uma redução de R$ 0,15 por litro, caso contrário, o preço da gasolina vai subir, e não diminuir como tem sido anunciado pela imprensa em geral. Só que eu não acredito que os usineiros vão concordar com isso, porque eles alegam queda na safra", observa Barbosa. Segundo ele, se não houver nenhuma intervenção do governo junto às usinas para a redução de R$ 0,15 por litro no preço do álcool anidro, a partir do próximo dia 21 o preço do litro da gasolina vai estar em torno de R$ 0,03 a R$ 0,04 mais caro na relação distribuidor/posto.

O empresário também ressalta que a margem de lucro de R$ 0,15 por litro para os postos de combustíveis é apertada e torna a sobrevivência difícil. "O que está acontecendo em Bauru é completamente diferente do que acontece em outras cidades. A situação está difícil para os empresários do setor. Hoje, em Bauru, o preço para aquisição de combustível num distribuidor varia de R$ 1,36 a R$ 1,40. Então, o preço de venda para o consumidor final deveria estar na faixa de R$ 1,53, se forem mantidos R$ 0,15 de lucro por litro. Porém, na semana passada tinha um posto em Bauru comprando gasolina a R$ 1,40 e vendendo a R$ 1,45. Com R$ 0,05 de lucro por litro não há como um revendedor sobreviver", diz Barbosa.