Falso médico tenta emprego em Bauru
Texto: Ieda Rodrigues
Alan Coelho de Andrade, 21 anos, que também usa o nome de Alan Coelho Generoso da Costa, não é médico, mas tentou empregar-se num hospital de Bauru nesta semana. Em março deste ano, ele foi preso por exercício ilegal da medicina em Avaí, saiu da cadeia em abril e vinha apresentando-se a donos de restaurantes, imobiliária e outros locais em Bauru como recém-formado que fazia residência médica na cidade.
Ontem, o falso médico foi localizado e prestou depoimento na Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra). Como não houve flagrante, ele foi liberado, mas a polícia está investigando se ele chegou a medicar alguém. Conforme explicou o delegado J.J. Cardia, titular da DIG/Garra, se ficar constatado que ele medicou alguém poderá responder a novo processo por exercício ilegal da profissão.
Antes de ser preso em Avaí, "Dr. Alan", como apresentava-se, tentou empregar-se na rede municipal de saúde de Borebi. Não pagou a conta da pousada onde estava hospedado e foi desmascarado antes de conseguir o emprego. Ao JC, Alan disse que apenas concluiu o ensino médio (antigo colegial), gostaria de ser médico e inventou a história em momentos de "fraqueza", dizendo que havia feito a faculdade em Ribeirão Preto.
Cardia disse que há cerca e dois meses vem recebendo reclamações de donos de restaurantes e outros estabelecimentos que afirmaram ter levado colete de um rapaz que apresentou-se como médico, inclusive vestia roupas brancas. Em alguns estabelecimentos, ele teria chegado a dizer que estava trabalhando num hospital de Bauru e em Agudos.
Também afirmando ser médico, Alan fez amizade com pastores de igrejas evangélicas e chegou a morar na casa de um deles por um mês sem pagar nada, segundo apurou Cardia. De outro pastor, ele conseguiu alugar um apartamento no Flamboyants, nesta semana, onde estava morando. No condomínio, ele teria feito amizade com várias pessoas, sempre dizendo ser médico.
As reclamações sobre o suposto médico, cerca de 15, que chegaram à DIG/Garra levaram Cardia a descobrir que Alan, na verdade, não é médico. Além exercício ilegal da profissão, Alan tem outras seis passagens pela polícia por estelionato, falsa identidade e apropriação indébita.