Morre Celina, uma mulher de teatro
Texto: Fabiano Alcantara
A professora, escritora e artista de teatro Celina Lourdes Alves Neves, 80 anos, morreu ontem, às 16h45, vítima de um ataque cardíaco. O enterro está marcado para hoje, às 17 horas, no Cemitério da Saudade. Desde ontem, seu corpo está sendo velado na Câmara Municipal.
Sinônimo de teatro e cultura, Celina era colaboradora do Jornal da Cidade, onde publicava a coluna "Bom Dia Bauru" desde 1967.
A professora e artista foi proprietária de uma das mais famosas escolas de datilografia da cidade, a Progresso, por onde passaram centenas de pessoas durante as várias décadas que esteve em atividade.
Nascida em Taquaritinga, em 1920, ela chegou a Bauru em 1933, depois de ter vivido com a família em diversas cidades da região e no Mato Grosso do Sul.
O pai, ferroviário da Araraquarense e depois da Noroeste, foi quem lhe ensinou as primeiras lições. Celina foi autodidata, apaixonou-se pelos livros e pelo teatro. Entre 1956 e 1996 fez 85 peças, seis escritas por ela. A artista, deixa dois filhos que atuam nas artes cênicas, Carlos e Paulo Neves.
A artista e professora foi uma das fundadoras da Academia Bauruense de Letras e era presidente de honra da instituição. Sempre lutou para que Bauru tivesse um Teatro Municipal. Quando perguntada se queria que o teatro levasse o nome dela, dizia humildemente que queria ser lembrada apenas como uma mulher de teatro.
Bem-humorada, mesmo sem poder se locomover, ela recebeu a reportagem do JC, no final do mês passado, para uma entrevista.
Em casa, na sala onde foi fundada a Academia Bauruense de Letras e onde, até pouco tempo, organizava serestas durante as tardes, falou sobre a vida no alto da sua experiência de 80 anos. "É preciso sempre se superar, ter olhos para ver, ouvidos para ouvir e inteligência para desembaraçar as coisas difíceis da vida", ensinou. (colaborou Gustavo Cândido)