07 de julho de 2026
Geral

Sebrae-SP

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Resultado no entanto é melhor que o mesmo período de 99

Texto: Paulo Toledo

As micro e pequenas empresas do estado de São Paulo registraram, em junho, em média, um faturamento 3,2% menor do que em maio, de acordo com a Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Sebrae e pela Fundação Seade.

De acordo com o levantamento, nas pequenas empresas do setor industrial foi detectada uma queda de 3,7% em relação a maio, enquanto que no comércio a redução no faturamento foi bem menor e de apenas 1,6%. Já para as empresas do setor de serviços a retração nas vendas chegou a 6,7%.

O delegado do Conselho Regional de Economia

(Corecon), Reinaldo César Cafeo, destaca que, não obstante os resultados de junho não serem positivos, no comparativo com idêntico período do ano passado todos os setores observaram crescimento (indústria de 3%, comércio de 5,3% e serviços de 1,8%). Em média, as empresas este ano venderam 4,4% a mais que em junho de 99. Para Cafeo, isso confirma o bom desempenho do Produto interno Bruto (PIB) no primeiro semestre deste ano.

De acordo com o gerente de Pesquisas Econômicas do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê, o desempenho das empresas em junho é resultado de um pequeno recuo da atividade econômica ditado por fatores sazonais. Historicamente, as vendas do mês de maio são beneficiadas pelo maior número de dias úteis do período e também pelo Dia das Mães. Apesar da redução do faturamento em junho com relação ao mês anterior, as vendas das empresas continuam maiores que as registradas no mesmo período do ano passado. Ocupação

No item Pessoal Ocupado, a Pecompe continua com desempenho positivo. Em junho, o número de pessoas trabalhando em micro e pequenas empresas sofreu um acréscimo de 0,5% comparativamente a maio, e estava 1,5% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

Os gastos com salários também subiram em 0,3% em junho e 3,1% quando comparados com junho de 99. Para Cafeo, neste campo ainda não se observou grande reflexo, isso porque, o "ciclo virtuoso" da economia ainda não se consolidou o que poderá ocorrer nos próximos meses, ou seja, o primeiro reflexo é aumento do faturamento, o segundo,

é o aumento da renda e empregos.

Para os próximos meses, segundo Marco Aurélio Bedê, a tendência do setor é de crescimento moderado. Ele alerta porém que será necessário uma atenção especial para a gestão dos custos empresariais de micro e pequenas empresas no curto prazo: "Será preciso tomar cuidado com pressões de custo de itens que foram responsáveis pela alta da inflação em julho como alimentos, tarifas públicas e combustíveis", diz Bedê.

Juros

De acordo com Cafeo, os juros na ponta ainda não caíram o suficiente para afirmar que o capital de giro, extremamente escasso para as MPEs, será barato e abundante, mas de qualquer maneira a redução da taxa básica "induz" a um comportamento mais otimista do mercado.

O delegado do Corecon afirma que, apesar do repique de inflação provocado pelo aumento dos combustíveis e das tarifas públicas

(ou privatizadas), o indicativo é que possamos ter um crescimento mais consistente daqui para frente. Isso será primeiramente sentido no setor industrial, para depois refletir no comércio e serviços.

A dúvida no desempenho mais acentuado é de quem atua no setor de bens não duráveis, que normalmente vende à vista ou com prazos diminutos. Isso porque, diz Cafeo, o poder de compra ainda é baixo e somente com juros menores e prazos maiores é que se colocarão mais produtos no mercado.

O delegado do Corecon afirma que fica o indicativo: "as MPEs devem fazer a lição de casa - monitorar de perto seus custos, equacionar produtividade e utilizar recursos de terceiros somente quando esses recursos gerarem mais dinheiro do que custam".