07 de julho de 2026
Geral

Compromisso de campanha

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

Candidatos defendem médico de família

Texto: Nélson Gonçalves

A maioria dos candidatos defende programas preventivos de saúde e também a implantação do médico de família na cidade

Os candidatos a prefeito de Bauru que se manifestaram na série

"Compromisso de Campanha", ontem, defendem a municipalização plena da saúde, ao longo dos próximos quatro anos. Apesar do tema ter sido anunciado na semana passada, as assessorias de campanha de Nilson Costa (PPS) e Carlos Sandrin (PT do B) não enviaram informação ontem. Entre os demais candidatos, Tidei de Lima (PMDB), Pedro Tobias (PDT), Tuga Angerami (PSB) e Estela Almagro (PT) defenderam programas de assistência ambulatorial e especializada, além do chamado médico de família. Thomaz Zamonaro (PRN) diz que a gestão plena na saúde é um mau necessário.

O JC apresentou na edição do último domingo um quadro apontando que, hoje, o sistema de saúde teria um déficit mensal de 25% em relação a previsão de repasses de recursos dos governos Estadual e Federal. Apesar disso, todos os candidatos que se manifestaram defendem a gestão plena de saúde. A atual administração comentou, no debate realizado na ITE, que a Prefeitura está implantando a municipalização por etapas. O prefeito Nilson Costa (PPS) disse, na ITE, que está investindo na ampliação da rede de saúde e que os agentes comunitários de saúde já fazem a preparação para o programa médico de família.

Sobre o tema desta semana, o candidato Thomaz Zamonaro (PRN) disse que "a municipalização é um mau necessário na saúde e mais importante que na área de educação, onde eu acho que o Estado deveria estar mais presente. Na saúde o Município tem que controlar de perto as políticas e o financiamento do sistema. Eu vou criar uma Controladoria de Finanças para cuidar das verbas destinadas especificamente para a saúde. Já tem dinheiro faltando na saúde, e não pode faltar o pouco que já vem".

Tidei de Lima (PMDB) historiou que a municipalização começou no Governo José Sarney com o SUDS. "Os municípios passaram a ser levados a assumir responsabilidades. Entre 1986 e 1987 os repasses da saúde tinham 70% de custeio do Estado, 20% da União e 10% do Município. Iniciou-se um programa de afastamento do Estado e do Governo Federal. No meu governo, o Município já aplicava 16% do orçamento em saúde, de um orçamento muito maior. O Município, então, passou a custear 70% dos custos do sistema ambulatorial e de Postos de Saúde".

Para o candidato do PMDB, esta situação iniciou o colapso da área da saúde, com o distanciamento do Estado nos repasses. "Com esta situação, o Governo Federal passou a acenar com a gestão plena. Existia uma intenção de se eximir de responsabilidade, mas o Congresso Nacional garantiu o financiamento da gestão plena nos moldes de hoje. Hoje é bom para o Município municipalizar. Isso não significa que o prefeito vá tomar conta do hospital, mas terá poder de influenciar os gastos e as políticas".

Para tanto, Tidei de Lima considera que um programa para a saúde tem que contemplar a medicina preventiva e a curativa, mas associados

à informatização do sistema. "Vamos informatizar para ter o controle dos convênios e do dinheiro que vem dos parceiros, do Estado e do Governo Federal", comentou. Tidei prometeu avançar na saúde "com o programa médico de família, na proporção de 80 médicos, o que dá para atender 40 mil residências. Com a informatização e o médico de família teremos os dados de cada cidadão, mas na periferia. Não vamos fazer esse programa para os bairros mais ricos", salientou. Tidei de Lima ainda defendeu a Prefeitura articulada com as universidades que atuam na área de saúde, a melhoria do atendimento ambulatorial e uma tratamento especial ao quadro de pessoal do setor.

Já Tuga Angerami (PSB) lembrou que hoje a cidade já tem a municipalização plena nos núcleos de saúde. "O desafio que vou enfrentar é atender

à demanda da cidade que cresceu muito. Há demanda reprimida e insuficiência em consulta e medicamentos na atenção básica. Então vamos atuar em três frentes. Na primeira, reorganizando a atenção básica e também construindo, reformando e ampliando os Postos de Saúde", argumentou.

Assim, Tuga também prometeu atuar na "atenção secundária, de especialidades. O ambulatório de especialistas, criado em meu governo, tinha 76 médicos e hoje tem 23. Precisamos readequar o ambulatório à demanda atual e aparelhá-lo, reformar o prédio também. Então, na segunda etapa, vamos municipalizar a atenção especializada também". O candidato do PSB continua que "dessas duas etapas, precisamos avançar para a gestão plena criando o serviço de Urgência e Emergência Psiquiátrica e outros serviços do gênero, reorganizar o Napes e construir um Pronto-Socorro na região do Geisel, Redentor e Carolina. Depois, vamos caminhar para a municipalização na atenção terciária, que é a rede hospitalar".

O candidato do PSB também disse que vai "investir pesado em saneamento básico, mas seguramente pelo próprio DAE que continuará sendo público, não existe privatização do DAE, eu garanto. O tratamento de esgoto é prioridade na área de saúde pública e vamos fazer isso com o DAE". Tuga também falou que, esses programas, estão associados à medicina preventiva, com a implantação dos agentes comunitários de saúde por toda a cidade, na periferia. "Também vamos lançar o programa de médicos e paramédicos que visitam as casas para doenças em que o paciente não precisa ser atendido no hospital. O acompanhamento domiciliar

é uma necessidade", comentou Tuga. Para completar, Tuga reforçou que "todas essas prioridades estão respeitando o que foi tirado da 3ª Conferência Municipal de Saúde, não é prioridade só minha

é de quem discute a melhor política para o setor".

A candidata Estela Almagro (PT) disse que defende a gestão plena na saúde por três razões básicas.

"Primeiro porque a medida é resultado da força de luta de vários anos, da qual o PT se engajou. Isso vem para regulamentar o atendimento à saúde, a partir do SUS, porque aponta a diretriz para o sistema. Segundo porque passar para o Município é ter a fiscalização, fortalecer o controle social e permitir ao Município determinar as diretrizes para a cidade", comentou.

Estela Almagro completou, em terceiro lugar, que a municipalização exige que "o Conselho de Saúde tenha um papel participativo, fiscalizador e atuante. O risco é a prefeiturização do sistema. Por isso, se o Conselho não for forte o sistema pode ter problema. A conta do fundo fica tudo na mão da administração, daí a importância da escolha de um prefeito com responsabilidade".

A candidata do PT também defendeu uma política de saúde preventiva, além da curativa que é priorizada hoje. "É preciso o médico de família para determinar um programa preventivo de médio e longo prazo e manter funcionando bem o sistema que já existe. O problema é que o Governo do PSDB e seus aliados propalam o médico de família sem citar o desmantelamento do resto do sistema", finalizou.

O candidato Pedro Tobias (PDT), também defensor da municipalização plena da saúde, diz que "os pacientes vão ficar livres do sofrimento provocado por esta empurroterapia entre governos Federal, Estadual e Municipal. Por medo, desconhecimento ou omissão, nenhum dos prefeitos anteriores teve a coragem ou a vontade política necessária para assumir a total responsabilidade sobre o sistema público de saúde de Bauru. Como médico, tenho amplo conhecimento das dificuldades que vamos enfrentar, mas também tenho a convicção que esta é a melhor opção para a nossa coletividade".

Tobias diz que "tendo o controle total sobre o sistema de saúde, através do repasse das verbas federais, estaduais e municipais para o Conselho Municipal de Saúde, será possível gerir o sistema com menos desperdício e em acordo com nossas reais necessidades, com metodologia de gerenciamento austera, participativa e profissional". O candidato acredita que com a municipalização plena da saúde também será possível "avançar muito na medicina preventiva, com várias medidas que incluem desde a própria implantação do médico de família até o fim das filas nos núcleos de saúde, que provocam o permanente sofrimento de nossa população".

O candidato do PDT já prometeu a instalação de fábrica de remédios, recompor o quadro do ambulatório de especialidades, instalação de quatro policlínicas na cidade e o programa médico de família. "Outra meta importante é a valorização dos servidores da saúde. Sou funcionário concursado da Prefeitura e sei das dificuldades vividas pela nossa categoria e que precisam ser amenizadas com urgência", finalizou.

O candidato Carlos Sandrin (PT do B) não deu nenhuma informação, ontem.