07 de julho de 2026
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Eleições

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

Candidatos a vice saem da retaguarda

Texto: Daniela Bochembuzo

Vices assumem novas funções na campanha e deixam de ser figurantes para encarar papéis de protagonistas no processo eleitoral

O tempo em que os candidatos a vice-prefeito atuavam como meros figurantes no processo eleitoral já passou. Pelo menos em Bauru, os postulantes à Vice-Prefeitura estão arregaçando as mangas e fazendo muito mais do que acompanhar os prefeitáveis em seus compromissos de campanha. Coordenar candidatos a vereador, supervisionar a distribuição de material de propaganda e desenvolver o plano de governo da coligação são algumas das tarefas que passaram a ser assumidas por eles.

A causa dessa mudança está na própria história política de Bauru. Em menos de 20 anos, dois vices assumiram o cargo máximo da Administração municipal e se tornaram prefeitos. Nesta eleição, não por acaso, esses dois políticos estão entre os sete candidatos à Prefeitura: Tuga Angerami, que era vice de Osvaldo Sbeghen, e Nilson Costa, o vice de Antônio Izzo Filho.

Por essa razão, os postulantes à Vice-Prefeitura consideram obrigatório estar preparados para, em uma eventualidade, encarar a principal cadeira do Palácio das Cerejeiras.

"A rigor, vice é a expectativa de direito", define Dudu Ranieri (PFL), candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Nilson Costa (PPS).

Citando os casos de Nilson, Tuga e José Sarney (que ocupou a Presidência da República após a morte de Tancredo Neves), Dudu defende que o vice seja um político experiente e preparado. "Sou um colaborador do Nilson pronto para assumir o posto em uma eventualidade. Na campanha, faço tudo o que o Nilson não pode fazer, como compromissos de agenda ou reuniões da coligação", conta o candidato, que também se auto-intitula o "xerife do bem" - Dudu é conhecido no meio político por não ter meias palavras para responder a críticas e acusações -.

Para Celso Martha (PMDB), parceiro da chapa composta pelo prefeitável Tidei de Lima, o vice não pode ser alheio à campanha nem mesmo à Administração, em caso de eleição. Isso não significa, porém, que o peemedebista vislumbre assumir um cargo de primeiro escalão na Prefeitura.

"O vice tem que participar, dividir responsabilidades, contatos, agendas e convênios, enfim, estar em sintonia com o prefeito. Mas não está em meus planos assumir uma secretaria. Tenho meu trabalho, gosto dele e não vou deixá-lo. Apesar disso, estarei envolvido diretamente com a Prefeitura, como estou com a campanha. Hoje, somo esforços a Tidei e colaboro para que os planos se tornem viáveis", comenta Martha.

Laércio Pereira (PSTU), vice de Estela Almagro (PT), também não trabalha com a possibilidade de assumir cargos na Prefeitura.

"O que norteia minha participação na chapa majoritária da Frente Popular Muda Bauru não é a reivindicação por cargos, mas a luta para que o programa de governo seja efetivamente implantado e tenha a participação da população", afirma.

Na campanha, Laércio defende que o vice tenha um papel diferenciado da prefeitável, o que entende envolver-se diretamente com o conteúdo programático e a co-coordenar os candidatos à vereança do PSTU. "Acompanho Estela nos compromissos de campanha, mas não preciso necessariamente ter a mesma agenda", explica.

Versátil, esta pode ser outra palavra adotada para definir os atuais candidatos a vice-prefeito. Como os prefeitáveis precisam trabalhar diretamente com o eleitorado e aparecer, muitos protagonistas de chapa majoritária atuam em múltiplas tarefas. Este é o caso de Eraldo Bernardo Marques (PV), vice de Tuga Angerami (PSB), candidato da coligação Mais Bauru.

Na campanha, Eraldo tem a tarefa de impregnar o plano de governo da coligação com propostas ligadas à preservação do meio ambiente. Mas não é só isso, ele também é responsável por coordenar as atividades dos 18 candidatos a vereador do PV, trabalhar na confecção do material de campanha (ele é designer) e participar de compromissos eleitorais.

"O vice não deve estar desligado das funções do governo, mas sim colaborar com o prefeito. Por essa razão, ele tem que ser um personagem ativo durante a campanha. No meu caso, procuro ouvir a população, estudar suas carências para inclui-las no plano de governo. Entendo o vice como a âncora ideológica", descreve.

Vice de Pedro Tobias (PDT) na chapa majoritária da coligação Viva Bauru, Ricardo Carrijo (PTB) não tem uma visão muito diferente do candidato verde. "O cargo de vice é extremamente importante. É ele quem colabora com a implementação do plano de governo e faz as conexões com a sociedade. Meu trabalho é ponderar e oferecer o trabalho mastigado para o candidato a prefeito", exemplifica.

Contrário ao papel de espectador, Carrijo atua como sujeito do processo eleitoral. Na campanha, o petebista tem as tarefas de articular segmentos sociais, com os quais coleta informações para desenvolver o plano de governo. "Trabalho na retaguarda, mas exatamente na área de administração e gestão", conta. O vice de Tobias tem certeza que seu trabalho é fundamental para a coligação.

"A população analisa o vice na hora de votar", justifica.

A reportagem procurou por telefone os candidatos a vice Wilton César da Silva (PT do B) e Eliana Cristina Machado (PRN), respectivamente vices de Carlos Sandrin (PT do B) e Thomaz Zamonaro

(PRN), mas não obteve resposta até o fechamento da edição.