07 de julho de 2026
Geral

Internet

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

Liberdade pela Internet não preocupa

Texto: Fabiana Teófilo

Para os pais, o diálogo e a presença em casa são mais importantes que a proibição

A liberdade excessiva permitida através da Internet não

é fator preocupante para pais de crianças e adolescentes que dispõem do sistema em casa. Para eles, a educação, o diálogo e a presença fazem com que os filhos entendam o que se deve e o que não se deve ver.

Para a empresária Ana Rosa Morilha, mãe de Renan, 8 anos, o mais importante é estar junto do filho sempre quando acessa a Internet. "Eu procuro estar com ele, assim não há perigo", afirmou.

O comerciante Paulo Sérgio de Oliveira Marcendantte, é pai de dois filhos, Márcio, 14 anos e Marcelo, 12 anos.

"Várias vezes já vi o Márcio vendo sites de mulheres nuas, não acho errado, mas procuro conversar e tirar as dúvidas dele", afirmou.

Marcendantte contou que o filho tem curiosidades e vê na Internet uma maneira de saciar isso. Ele não acredita que seja algo ruim. "Isso está em todos os lugares, na televisão, em outdoors, nas ruas, não há como evitar. A única coisa que posso fazer é explicar para eles que o nu é algo natural, sem malícia", disse.

Márcio explicou que acha interessante poder ver essas coisas na Internet. "Não tem nada a ver, só gosto de olhar e saber como é. É bonito e eu curto, mas eu sei até onde posso ir e sei também que quando eu crescer mais, vou poder saber de mais coisas", disse.

Para a esteticista, Kátia Luciene Duarte Silva, mãe de Thiago, 15 anos e Drielli, 12 anos, o diálogo é o mais importante. Ela disse que, juntamente com o marido, conversa muito com os filhos e os dois se preocupam com a influência dos amigos. "Eu sou bastante rígida na educação dos meus filhos e eles respeitam a mim e a meu marido. Sei que os amigos são grandes formadores de opinião, mas confio nos meus filhos", afirmou.

Kátia disse que se fosse necessário não pensaria duas vezes em "travar" alguns sites no computador. Para estar segura de que os filhos não acessam sites de pornografia, por exemplo, ela sempre checa, através da UOL, todos os endereços que foram acionados. "Qualquer pessoa pode ter esse acesso e é uma boa maneira de coagir as crianças para que não façam coisas erradas, pois saberemos o que fizeram", explicou.

A psicóloga Maria Rosely da Silveira concorda com os pais que não acreditam na proibição. "Se eles não têm a permissão em casa, vão fazer o que querem, escondidos, na casa de amigos e então a proibição não vale", explicou.

Maria disse que não basta dizer não, é preciso explicar o porquê da proibição. "Não pode por algum motivo e a criança precisa entender esse motivo, assim ela vai aceitar e respeitar mais", afirmou.

Os pais, de acordo com a psicóloga, ainda querem impor as "regras" que acreditam que devem ser seguidas, "mas isso não educa". "Eles têm que ser os melhores amigos, conversar, dar a liberdade para que os filhos falem o que pensam, exponham suas dúvidas, perguntem sobre tudo", explicou.

Pouca comercialização

O mercado disponibiliza softwares com programas que limitam os acessos à Internet, mas não são muito comercializados. De acordo com o gerente de produtos e suporte da Travelnet, Antônio Ricardo de Góes, esses programas não são eficazes.

Ele explicou que para utilizar o programa da forma adequada, é necessário muito tempo e como todos os dias surgem novos sites, é praticamente impossível cadastrar cada um deles e, se não for feito dessa maneira o programa pode limitar demais.

O sócio-proprietário da Adaptanet, Airton Caetano explicou que os programas de restrição à Internet funcionam com cadastramento ou por palavras ou pelos endereços, ou seja, o usuário opta por limitar o acesso a todos os sites que tenham determinada palavra ou limitam o site através do endereço on-line.

Como esses programas não têm muita comercialização, eles são vendidos sob encomenda e não estão disponíveis nas lojas. Depois de encomendados levam, em média, uma semana para estarem disponíveis.

O valor varia de acordo com o programa e pode custar de R$ 200,00 a R$ 600,00.

As provedoras fornecem informações e explicações de como utilizar os programas e os computadores da melhor maneira no sentido de limitar o acesso. Algumas, como a Adaptanet, por exemplo, também vendem os softwares.