O professor de educação física bauruense Adilson Eduardo Severino recebeu no mês passado, na França, o título de...
O melhor do mundo
Texto: Gustavo Cândido
A categoria em disputa era a de instrutor de ginástica, profissão que ele desempenha e continua desempenhando há 6 anos na Academia Marathon. Com aulas marcadas em vários pontos do Brasil, onde vai mostrar sua excelência nas técnicas como o body combat e o body attack, Adilson recebeu o JC na academia para falar sobre sua profissão, ginástica e o título internacional e também dar uma demonstração prática das suas habilidades, literalmente "voando" no ar.
Jornal da Cidade - Você dá aulas de que tipo de ginástica?
Adilson Eduardo Severino - De todas um pouco: body attack, body pump, step, street, localizada, alongamento, tudo.
JC - Mas você tem uma especialidade, ou gosta mais de alguma em especial?
Adilson - Gosto mais do body attack, inclusive foi essa aula que eu dei na França
JC - Como foi essa escolha de "melhor instrutor do mundo"?
Adilson - Essas técnicas de ginástica são todas do sistema Les Mills, uma empresa da Nova Zelândia, que criou o body pump, o body combat e o body attack, entre outros. Todas as academias mais atualizadas dão essas aulas, que existem no mundo há mais de 10 anos. Todo ano a Les Mills promove a escolha do melhor instrutor de ginástica do mundo nas categorias masculino e feminino. Primeiro escolhem os três melhores de cada país (esse ano foram representantes de 42 países) e todos são analisados na sede das Les Mills para a escolha dos dez melhores do mundo todo, de onde eu sai campeão. Eu fui o escolhido do Brasil e venci a competição. Uma professora da Nova Zelândia ganhou na categoria feminina. Ficamos uma semana e meia na França, onde me apresentei, dei aulas e recebi o certificado.
JC - Como funciona a Les Mills?
Adilson - A Les Mills funciona quase como uma confederação, mas é uma empresa. Para você dar aula de body pump ou qualquer modalidade, tem de fazer um curso antes, ser avaliado, para depois dar aula. A cada três meses você ainda tem de passar por uma reciclada para ficar atualizado e manter o nível da aula. A Les Mills é a empresa que cria as modalidades e controla a qualidade de quem usa esses métodos, que são dados praticamente no mundo todo. Eles têm um grande laboratório onde criam os exercícios e depois lançam simultaneamente no mundo todo. Se você for para Nova York ter uma aula de body attack, ela vai ser igual a que você vai encontrar aqui.
JC - É como uma franquia?
Adilson - Mais ou menos, eles desenvolvem novas técnicas e exercícios, eles são testados por três meses e depois difundidos pelo mundo. Hoje são uma febre mundial.
JC - Qual a diferença entre as modalidades?
Adilson - O body pump é voltado para a ginástica localizada, em termos fisiológicos, é a que serve para enrijecer a musculatura e defini-la, não aumenta. Ajuda a emagrecer também e é feita com barras e pesos. O body attack é uma ginástica aeróbica, então é só dança, corrida, só joelho, só chute. O body step também é uma aeróbica, só que é feito com o step, aquele negócio, sobe e desce, sobe e desce. O RPM, são as bicicletas e o body combat é feito com movimentos de artes marciais, do boxe, do karatê, do full contact, do tai-chi.
JC - Essas modalidades estão sempre sendo criadas ou demoram muito para chegar no Brasil?
Adilson - Elas demoram um pouco para chegar no Brasil, o body attack só chegou em março do ano passado, mas todas essas aulas já tem 10 anos.
JC - A procura por esse tipo de aula é grande?
Adilson - É muito grande, até a procura por roupas com o nome das modalidades é enorme, as aulas estão sempre lotadas, no horário de pico a presença é de, no mínimo 30 alunos.
JC - As aulas são mais procuradas por homens ou mulheres?
Adilson - Por mulheres, em todas as aulas. A academia tem hoje 60% de aulas do "sistema" e 40% de aulas tradicionais, como a antiga localizada, o step antigo e o street. Em todas elas a maioria é de mulheres. Acho que é o preconceito que ainda existe, de achar que ginástica é coisa de mulher e homem só deve fazer musculação. Na sala de musculação o número de mulher
é reduzido, elas preferem a ginástica porque tem música, tem dança.
JC - Como você se interessou por ginástica?
Adilson - Eu entrei na academia para fazer musculação, dai comecei a ver as aulas de ginástica e, como gostava de dançar, comecei a fazer aeróbica. Fui gostando, me apaixonando e quando foi para escolher uma faculdade acabei fazendo Educação Física na Unesp. Em 96 comecei a dar aulas, mas já fazia estágio na academia quando estava na faculdade, substituía o professor de vez em quando...
JC- Quanto tempo dura uma aula?
Adilson - Uma hora, todas elas duram uma hora, é o suficiente porque é um ritmo contínuo, que não pára. O que varia um pouco são as cargas, quem entra deve ir se acostumando aos poucos para depois fazer tudo direitinho, Com dois meses a pessoa faz uma aula inteira legal, bem feita.
JC - E emagrece?
Adilson - Sem dúvida, numa aula de body attack você chega a perder 650 calorias, que é metade das necessidades diárias de uma pessoa.
JC - Nenhuma das modalidades tem alguma contra-indicação?
Adilson - Não dá para dizer que não tem. Pessoas que já tiveram alguma lesão séria devem analisar os exercícios e ver com o instrutor se pode fazê-los ou não e além disso, em todas as aulas, a não ser o body pump, você precisa de um tênis que tenha um amortecimento bom e não fazer em excesso. Essa é a principal recomendação. Duas aulas por semana é o ideal para todo mundo.
JC - Tem gente que exagera?
Adilson - Tem muita. Mas muitas vezes é por falta de informação. Tem aluno que vem fazer ginástica de conga, o que é o mesmo de vir descalço, porque o impacto é o mesmo. Quanto ao exagero, tem alguns que a gente precisa mandar parar sempre Quando a pessoa exagera pode acabar não agüentando um mês porque se machuca depois. É a mesma coisa dando aulas, eu dou três aulas por dia, é o suficiente e o ideal, senão não vou ter uma longa vida como professor por causa do desgaste.