07 de julho de 2026
Geral

Pré-natal

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 6 min

Gestação é dividida em trimestres

Texto: Sabrina Magalhães

O corpo da mulher passa por diversas mudanças no decorrer da gravidez. Cuidar do peso, mantendo-se uma dieta balanceada,

é essencial

Para o pré-natal, a gestação é dividida em três fases. Em cada trimestre, o médico solicita exames específicos, conforme os "eventos" que podem ocorrer. "Não conhecemos tudo, mas já se conhece bastante de cada etapa da gravidez, de cada dia, de cada semana. Então, quando há algum problema, o profissional consegue identificar", explica o ginecologista Admir Franzolin.

Para isso, nos primeiros sete meses, se tudo estiver correndo bem, a mulher deve ir ao consultório mensalmente. A partir da 32.ª semana (oitavo mês), a consulta passa a ser quinzenal. E no último mês, o médico deve ver a paciente pelo menos uma vez por semana. Esta é a rotina, mas a freqüência das consultas pode ser alterada caso haja algum fato imprevisto ou sempre que o profissional julgar necessário.

Algumas vezes, a mulher já é paciente daquele médico, então ele conhece seu histórico, solicita exames regularmente e acompanha os resultados. Nesse caso, ele só vai acompanhar a gravidez. Outra vezes, a paciente é desconhecida do profissional, então ele terá que fazer uma investigação bem mais detalhada, tanto através de exames, como questionando a mulher a respeito de doenças que ela já teve ou que são comuns na família, medicamentos que usa e muito mais.

Feito isso, no primeiro trimestre, as duas principais observações são a fixação do embrião ao útero e o desenvolvimento da placenta. Algumas vezes, por uma anomalia do organismo da mulher ou mesmo por um erro genético do feto, a mulher acaba sofrendo um abortamento espontâneo, num processo de rejeição natural do organismo da gestante.

"A placenta leva cerca de 12 semanas para se desenvolver completamente. Antes disso, o suporte hormonal do embrião ainda é feito pelo próprio ovário que deu origem àquele óvulo. Enquanto se forma, a placenta vai se adaptando ao útero, entranhando-se ao endométrio. Pode ocorrer - não é comum, mas pode ocorrer - da placenta corroer um vaso sangüíneo e causar um sangramento."

Estes sangramentos, quando acontecem, costumam ser pequenos e não colocam em risco a gravidez. O risco estaria no caso de uma hemorragia, que pode acontecer durante um pico de hipertensão arterial da mulher ou pelo descolamento da placenta, por exemplo. Sangramentos importantes podem levar ao abortamento, mas são casos pouco freqüentes. "Lembrando que o normal é correr tudo bem, conforme dita a natureza", destaca o médico.

Segundo trimestre

Entre o quarto e o sexto mês de gravidez, a placenta já está formada e aderida ao útero, a barriga começa a aparecer, os enjôos cessam. É uma nova fase, em que a gestação começa a exigir mais do corpo da mulher. Todos os seus órgãos vitais estarão trabalhando em dobro, o que pode ser um problema para mulheres com doenças de base, como a hipertensão e o diabetes

(leia mais na página 3).

O peso começa a aumentar, forçando a curvatura vertebral. Em mulheres que têm algum problema de coluna ou quando o feto é muito grande, isso pode gerar dores. Nesses casos, sessões de massagem podem ajudar. Nesta fase, deve-se ter mais cuidado para não engordar demais e ao andar, pois o eixo de equilíbrio força o corpo para a frente e há uma certa propensão à queda.

Para a mãe, no entanto, esta é a melhor fase, pois

é quando os movimentos do bebê começam a ser sentidos, entre a 14.ª e a 26.ª semana, sendo o mais comum na 18.ª semana. A "imobilidade" do bebê só deve ser motivo de preocupação depois da 22.ª, quando o médico deve ser avisado.

"Quanto à evolução da gestação, neste época, o profissional deve estar atento a uma possível incompetência histimo-cervical, ou seja, quando o colo do

útero é frouxo. Com o peso, a musculatura do colo pode ceder e a mulher acaba tendo um aborto sem que se saiba porquê. Quando o problema é identificado a tempo, o médico faz uma cercagem, ou seja, dá dois pontos fechando o colo. Chegando no final da gravidez, cortam-se os pontos, porque se o bebê descer, tudo bem", explica Franzolin.

Reta final

A partir do sétimo mês, quando a gestação entra na reta final, o intervalo entre as consultas de pré-natal diminui. É preciso acompanhar a posição do bebê no útero e, principalmente, a dilatação do colo. A grande preocupação é que o bebê nasça antes do tempo. Quando isso ocorre, pode haver baixo peso e imaturidade respiratória, exigindo a permanência da criança em estufa. Apesar do susto, as chances de sobrevivência chegam a 84%, segundo um estudo publicado na revista norte-americana Pediatrics.

Placenta: a intermediária

De acordo com Admir Franzolin, a placenta é uma intermediária entre o ser (embrião/feto) e a mãe. "São duas individualidades. O feto é um terceiro no corpo da mulher. Teoricamente, se não fosse a perfeição da natureza, ele seria um corpo estranho (e, como tal, rejeitado), porque é uma mistura de dois materiais genéticos. Ainda assim, há um reconhecimento e o feto fica lá."

A placenta atua isolando o feto e, ao mesmo tempo, mediando as trocas entre mãe e filho. Cabe a ela transferir nutrientes e oxigênio da mãe para o feto. E transferir, do feto para a mãe todas as substâncias desprezadas: "A criança não é diferente do adulto. Ela tem que eliminar o que não interessa via intestino, urina, transpiração e respiração. Tudo isso

é feito pela placenta, que manda tudo isso para o lado da mãe e o organismo da mulher que trate de eliminar as excreções. Daí, pode-se perceber a grandiosidade desse binômio, dessa simbiose que existe entre feto e mãe."

Aborto de repetição

De acordo com a Organização Mundial de Saúde

(OMS), cerca de 14% de todas as gestações reconhecidas clinicamente terminam em aborto espontâneo. Este problema

é um dos principais motivos que impedem casais de ter filhos. Aborto de repetição pode ser definido pela perda de três ou mais gestações consecutivas, causadas por fatores de origem genética, hormonal, imunológica, infecciosa, anatômica ou por má perfusão (pouca irrigação sangüínea) uterina ou ovariana.

Clinicamente, considera-se que duas perdas gestacionais sejam suficientes para que se inicie uma investigação dos possíveis fatores envolvidos. A OMS classifica aborto como a expulsão de um embrião do útero materno antes da 22. ª semana de gestação. Estudos epidemiológicos revelam que 2% dos casais em idade reprodutiva possuem história de três ou mais episódios de aborto e a probabilidade de uma nova perda gestacional é de 50% entre os casais que não possuem filho.

Segundo os especialistas, é importante investigar os fatores que levam ao aborto de repetição para que seja definida uma estratégia para uma futura gravidez. Além da perfusão uterina ou ovariana, pode haver algum fator genético envolvido ou mesmo uma infecção no aparelho reprodutivo.