Corpo de professora é encontrado
Texto: Adilson Camargo/Rita de Cássia Cornélio
Terminou ontem o pesadelo vivido pela família e amigos da professora Milva Merchan Ferraz, 32 anos. Seu corpo foi encontrado em um canavial no município de Mineiros do Tietê, próximo a uma estrada vicinal que liga aquela cidade a Barra Bonita.
A professora estava semi-nua, com sinais aparentes de estrangulamento. Pela levantamento inicial feito pela Polícia Civil de Jaú, a morte deve ter acontecido há mais de dez dias - Milva estava desaparecida desde o último dia 4. O corpo não estava em estado adiantado de decomposição.
O delegado do Setor de Investigação Geral da Delegacia Seccional de Jaú, Benedito Antônio Valenzise, acredita que o clima ameno e a altura do canavial, que faz sombra, ajudaram a conservar o corpo. Segundo o delegado, a professora foi estrangulada com uma alça de couro, provavelmente retirada de uma bolsa.
O corpo foi encontrado por cortadores de cana, na manhã de ontem. "Na noite de sexta-feira foi feita a queimada e ontem os cortadores de cana encontraram o corpo, superficialmente chamuscado pelo fogo", disse Valenzise. A professora, segundo o delegado, estava vestida apenas com a calcinha e um top. "Sabemos apenas que houve um homicídio. Não temos pistas dos autores e descartamos a possibilidade de latrocínio, uma vez que nada dos pertences da vítima, nem mesmo o carro, foi levado", disse.
A professora Milva Merchan Ferraz estava desaparecida desde o dia 4 de agosto. Mãe, tia, prima, enfim, todos os parentes próximos e os amigos da professora viviam uma expectativa que chegava à beira da tortura. Dormiam com o telefone ao lado da cama à espera de notícias." Todas as ligações eram atendidas na esperança de que do outro lado da linha alguém pudesse dar informações tranqüilizadoras.
A mãe da vítima, Jandira de Moraes Merchan Ferraz, com seus 64 anos, estava muito abatida diante da situação. Ela sofre de problemas cardíacos. A professora Milva, que tem uma filha de oito anos, estava em processo de divórcio. A última pessoa da família que esteve com a professora antes de seu desaparecimento foi a prima Sônia Merchan. Segundo ela, Milva se despediu dizendo que estava com fome e por isso iria comprar um lanche, mas não voltou mais.
Sem pistas, investigação não avança quase nada
O caso Milva tem intrigado a polícia. Mesmo após o corpo ter sido encontrado, a polícia não tem suspeitas dos motivos e do autor do crime. A possibilidade de latrocínio foi descartada pelo delegado Benedito Antonio Valenzise.
A falta de informações concretas é uma das dificuldades nas investigações do caso. "A
única coisa que eu tenho aqui é um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento", disse o delegado. Dizer que falta empenho à polícia não seria prudente, uma vez que a professora tinha dois primos investigadores que trabalham na cidade. Toda a região periférica de Jaú já foi vasculhada, segundo a polícia. Até mesmo a turma do Tiro de Guerra foi chamada para auxiliar na procura.